Quando se deve procurar ajuda?

Os problemas que provocam dificuldades em engravidar são os mais diferentes possíveis, desde causas emocionais a complicações físicas, porém são mais comuns do que se imagina. Calcula-se, por exemplo, que um em cada oito casais que tentam ter um filho tenham problemas de infertilidade.
Quando as tentativas do casal viram frustrações e começam a afetar negativamente a vida a dois uma das soluções é buscar ajuda em clínicas de medicina reprodutiva, com profissionais especializados e qualificados.
Segundo a ginecologista Waleska de Carvalho, especilizada em reprodução humana, em 30% dos casos a causa da infertilidade está relacionada a problemas com a saúde da mulher e em 30%, a do homem, 20% envolvem os dois e 10% refere-se a motivos diversos.
Em primeiro lugar, explica Waleska, são realizadas avaliações para verificar as condições de saúde da mulher, sua fisiologia menstrual e ovulatória e as características do espermograma do companheiro. Conforme o caso, pode ser necessário induzir a ovulação, realizar a inseminação artificial ou a fertilização in vitro.
Com tratamento individualizado, cada casal passa por procedimentos específicos, desde a indicação de remédios a base de hormônios que incentivem a ovulação até cirurgias para casos mais sérios como de trompa obstruída.
“O tempo de tratamento e o investimento variam de acordo com as necessidades do casal. Quando mais simples for o caso, mais rápido e barato sairá. Tudo pode influenciar, desde fatores emocionais, como nervosismo e ansiedade, até complicações físicas”, ressalta.
A idade também contribui. A taxa de fertilidade da mulher, por exemplo, quando atinge a faixa dos 35 a 39, cai de 86% para 54%. A dos homens, depois dos 40 anos, também apresenta uma queda.
Congelamento
Muitas mulheres querem ter filhos apenas após 35 anos, quando a vida profissional está estabilizada, mas isso também traz dificuldades, pois o sistema reprodutivo da mulher passa por modificações, diminuindo a produção de óvulos.
“Para estas mulheres, indicamos que congelem seus óvulos enquanto ainda são jovens. Caso ocorra dificuldade de engravidar de forma natural, pode-se utilizar o óvulo já congelado”, explica. “É uma opção para quem pretende estudar e se profissionalizar para só depois ter filhos”, ressalta.
A especialista também alerta as pessoas que descobrem ter câncer.
Segundo ela, antes de realizar todo o tratamento de quimioterapia, o ideal é congelar os óvulos ou espermatozóides. Dependendo da idade e do tratamento aplicado, tantos os homens como as mulheres podem apresentar dificuldades em ter filhos ou até mesmo se tornarem inférteis. “Hoje sabemos que a possibilidade da pessoa sobreviver é muito alta, pela tecnologia que temos. E depois a pessoa tem uma vida toda pela frente.Prevenir-se é a melhor opção”, explica.
Além do banco de espermatozóide, as mulheres podem doar óvulos para outras com dificuldade de ovulação. “Neste caso, as pacientes sem se conhecerem dividem o custo dos procedimentos. A que receberá o óvulo não precisará tomar remédios, que é uma das etapas mais caras, e por isso ela paga metade do tratamento da outra. Tudo é feito sob sigilo, com acompanhamento de psicólogos, que ajudam no processo”, diz.
Programa acesso
A evolução da tecnologia em reprodução humana ampliou a possibilidade de casais procurarem por estes tratamentos. Para quem não disponibiliza de muitos recursos financeiros é possível se inscrever no Programa Acesso.
Iniciativa que propicia desconto de até 50% nos medicamentos para infertilidade e possibilidade de abatimento nas despesas de atendimento médico. Atualmente o valor do tratamento varia de R$4 mil até mais de R$10 mil.
Criado há quarto anos pela empresa Vidalink, o programa tem parceria com 99 clínicas, espalhadas em 34 cidades e já beneficiou mais de 6 mil casais. Os interessados precisam ter renda de até R$4.511 e patrimônio de até R$120 mil. As inscrições são realizadas pelo site www.queroterumfilho.com.br ou pelo telefone 0800-113321.