Cooperativas devem empregar 3 milhões de brasileiros em 2011
As cooperativas e associações devem servir como alternativa de
trabalho e renda para pelo menos 3 milhões de pessoas neste ano. Mesmo com a
queda histórica do desemprego, empreendimentos da chamada economia solidária
devem crescer em 2011 e ocupar cada vez mais trabalhadores interessados em
participar da gestão de seus próprios negócios.
A previsão é de Fábio José Bechara Sanchez, secretário adjunto da Secretaria
Nacional de Economia Solidária (Senaes), ligada ao Ministério do Trabalho.
Segundo ele, dados preliminares de um levantamento que está sendo feito pela
Senaes apontam um aumento de quase 100% na quantidade de pessoas ocupadas e
também no número de iniciativas de economia solidária nos últimos quatro
anos.
Na última pesquisa sobre o tema organizada pela Senaes, em 2007, existiam
cerca de 22 mil organizações de trabalhadores coadministrando um negócio. Essas
organizações ocupavam aproximadamente 1,6 milhão de pessoas, principalmente nos
estados do Rio Grande do Sul, Ceará e da Bahia.
Já em 2011, além dos 3 milhões trabalhadores envolvidos nesses
empreendimentos, a quantidade de iniciativas deve chegar a 40 mil.
“Parcialmente, já dá pra ver que a economia solidária continua crescendo
quantitativamente e qualitativamente”, diz Sanchez.
Marcelo Khedi Gomes Rodrigues, secretário-geral da Central de Cooperativas e
Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil), confirma o crescimento. Diz também
que o aumento ocorre em todo país, distribuído por vários os setores da
economia.
Só a Unisol Brasil, que assessora a criação de cooperativas, já tem 700
organizações associadas, nos 27 estados brasileiros e divididas em dez
atividades: da agricultura familiar à reciclagem; da construção civil ao
artesanato; da confecção à apicultura.
“A economia solidária está crescendo muito, principalmente em estados do
Norte e Nordeste”, complementa Rodrigues. “Primeiro, ela apareceu como
alternativa ao desemprego, mas já vemos pessoas aderindo a organizações por
opção, por acreditar nas perspectivas.”
Paulo Sérgio Rodrigues, de 35 anos, é um dos que preferiu a economia
solidária. Ele é um dos fundadores da Cooperativa União Ambiental e Artesanal
Mofarrej, que faz coleta seletiva de lixo na região oeste de São Paulo. Há menos
de um ano trabalhando em associação com outros catadores, ele afirma que não
pensa em voltar para o mercado de trabalho formal.
“Já fui convidado para trabalhar na construção civil e em transportadora”,
conta Paulo. “Estou aqui porque eu acho que vai dar certo. Alguns já desistiram,
mas eu acredito”, destaca.
A Cooperativa Mofarrej surgiu com 35 catadores e, atualmente, tem 22. Essas
pessoas dividem as tarefas de coletar, separar e vender lixo que pode ser
reaproveitado. Juntos, conseguem faturar mais porque negociam um volume maior de
material, sem intermediários.
Segundo Paulo, os cooperados dividem os lucros obtidos de acordo com as horas
trabalhadas, independentemente da função que cada um desempenha na cooperativa.
Hoje, eles ganham cerca de R$ 600 por mês – quantia acima do novo valor (de R$
540) previsto no Orçamento para o salário mínimo – e bem mais do que
conseguiriam ganhar sozinhos. “Sem a cooperativa, a gente tirava uns R$ 200 por
mês”, diz Paulo. “Aos poucos, as coisas vão melhorando e a gente vai ganhando um
pouquinho mais.”