O cavaleiro andante do rock | Boqnews

Ponto de vista

28 de novembro de 2022

O cavaleiro andante do rock

A década de 1960 é, sem dúvida, uma das mais marcantes do século XX!

Para o bem ou para o mal, muito do que aconteceu naqueles anos ainda influencia nosso cotidiano.

Na música, sobretudo, e no Brasil, especificamente, foi uma época de contrastes e diversidade extremamente prolíficos, com grandes artistas surgindo ou consolidando suas carreiras.

Bossa Nova, samba, rock and roll e outros gêneros musicais conviviam em nossas emissoras de rádio e televisão.

Havia os radicais, mas a regra era o ecletismo, a pluralidade que permitia gostar de tudo o que era bom de ser ouvido.

Nesse contexto surgiu a Jovem Guarda, que teve um Rei, Roberto Carlos, e um Príncipe, Ronnie Von.

Mas Erasmo também “Esteves” ali, só que “Carlos”. E como defini-lo nesse “reinado”?

Creio que a figura que melhor se enquadra é a de um cavaleiro andante, considerando todos os caminhos musicais que percorreu.

Erasmo teve vários apelidos, inclusive o de “Gigante Gentil”, com seus 1,93 m de carinho pelos fãs, os quais tratava como amigos de fé, irmãos, camaradas.

Mas foi o de “Tremendão” que “pegou”. E ele era, de fato, “uma brasa, mora?”.

Hoje, talvez o criticassem por seguir o conselho de Leila Diniz: “Homem tem que ser durão!” a ponto de ameaçar: “Pode vir quente, que eu estou fervendo!”.

Mas ele também queria ser um caderninho, para poder ficar juntinho da amada. Para fazer um agrado para ela, e merecer seu amor, quando os peixes não queriam cooperar, ele ia compra-los no mercado.

Foi um dos primeiro a reconhecer a mentira absurda de que a mulher é o sexo frágil, quando, na verdade, é uma superstar! Talvez por isso tenha gritado: “Pega na mentira! Corta o rabo dela! Pisa em cima! Bate nela!”.

Parece uma incitação à violência, porém, isso nada tinha a ver com o romântico incorrigível, que também escrevia mal traçadas linhas para seu amor, dizendo da saudade que lhe invadia o coração.

Erasmo Carlos também teve seus momentos de ator, não apenas nos filmes com Roberto Carlos.

Creio que sua primeira experiência foi na TV Record, em “Ternurinha e Tremendão”, espécie de teleteatro que protagonizou, ao lado de Wanderléa, musa de todas as idades, nos anos de 1960.

E mesmo quase “oitentão”, foi o avô durão, mas gentil, em “Modo Avião” (2020).

Num dos raros momentos em que usou versos de outros, reconheceu que, depois de adulto, teve momentos em que ficou com a alma atarantada, sendo como uma criança: não entendo nada.

E teve, de fato, alguns momento em sua vida em que foi assim, ao ponto de ficar sentado à beira de um caminho, com a chuva molhando seu rosto, esquecendo que existia.

Nesse momento, foi um cavaleiro de triste figura, lutando contra seus moinhos de vento contrário. Mas isso foi por pouco tempo.

Tanto que logo voltou a ser andante, de certa forma como diz a música “Guitar Man”, do Bread: a procurar novos lugares e sons para tocar.

Ao longo de seus 81 anos, agora com cabelos brancos, desgrenhados, Erasmo nunca teve fama de mal! Pelo contrário, a imagem que guardo dele é a do sujeito “boa praça”, carismático, no bom sentido.

A afirmação de Rita Lee de que “roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido”, não se aplica a ele. Aliás, segundo ela mesma, ele nunca arrombou a festa…

Erasmo soube envelhecer sem deixar de ser jovem: guardou bem a juventude!

Fico curioso ao imaginar como deve ter sido sua chegada no céu: será que o porteiro anunciou: “Agora, com vocês, o meu amigo Erasmo Carlos!”, para delírio dos anjos e roqueiros que por lá já estavam?

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras 

Adilson Luiz Gonçalves
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