Um sopro de boa música que atingiu o litoral
Ele não está mais na mídia, nem atua em novelas há anos. Mas com suas violas, fala mansa, chapéu e jeito simples, o cantor e compositor Almir Sater atraiu uma legião de fãs – especialmente mulheres – que comparecem ao ginásio do Sesc-Santos (SP) na noite deste sábado (7) para assistir as antigas e novas composições do músico. Um ginásio praticamente lotado – foram vendidos 2.400 ingressos de um total de 3 mil disponíveis. Nada mal para um feriado. E os que comparecerem passaram uma noite à moda da viola em pleno litoral.
Durante 1 hora e 45 minutos, o público conferiu sucessos que marcaram a passagem de Almir Sater em novelas como Pantanal e A História de Ana Raio e Zé Trovão, ambas na extinta Rede Manchete, além de O Rei do Gado, na Globo. Mas o cancioneiro não parou no tempo.
Ao contrário. Os fãs que o acompanham sabem que Sater nunca foi um midiático e prefere tocar suas violas e contar seus causos por este Brasil afora, onde a mídia não se faz presente. E em um estilo bem particular, típico de homem do interior, une composições que remetem ao homem do campo, do pantanal, dos amores e das paisagens que o Brasil e o brasileiro desconhecem.
Durante o show, dedilhava canções próprias e em parcerias com Paulo Simões, um dos seus maiores parceiros, além de apresentar no palco dois irmãos que o acompanham na banda e também contam com carreira-solo. E também bebem da mesma fonte musical. A família Sater, afinal, não se restringe ao irmão mais popular.
No repertório de sucessos, Tocando em frente – que todo o público fez coro realizada em parceria com seu amigo santista (fato que ele destacou), Renato Teixeira; Um Violeiro Toca, e instrumentais, como Ganso, o cantor matogrossense também cantou sucessos do último CD, 7 Sinais (de 2006). No final, a sempre pedida Chalana, que fala dos amores nas viagens pelo Pantanal matogrossense. No bis, Rio de Piracicaba, de Sérgio Reis, mais um parceiro de som e de novelas.
Obviamente as músicas mais cantadas pelo público foram as que se destacaram nas trilhas sonoras das novelas em que participou, mas mesmo passado tanto tempo (as novelas foram exibidas há 20 anos), Sater consegue manter uma legião de fãs por este Brasil afora, inclusive no litoral. Um sopro de boa música contrariando as tendências que a mídia nos impõe, como Ai, se eu te pego e coisas do gênero…