A Baixada Santista passa por um momento de desenvolvimento, em franco aceleramento. Em Santos, principal cidade da região, o crescimento pode ser observado pelos grandes empreendimentos imobiliários, algo que aconteceu devido à economia da cadeia de petróleo e gás, que atrai novos investidores.
O grande desafio, porém, é alcançar um desenvolvimento sustentável. Um dos principais problemas não só regional, mas mundial, é a questão da destinação dos resíduos sólidos. Afinal, o que fazer com as 30 bilhões de toneladas de lixo geradas anualmente pela humanidade?
De acordo com Plano Nacional de Resíduos Sólidos, até 2014, o Brasil estará livre dos lixões a céu aberto e também ficará proibido de colocar em aterros sanitários qualquer tipo de resíduo que seja passível de reciclagem ou reutilização. Os municípios, então, possuem dois anos para se adequar à legislação.
Santos - O município produziu, somente no ano passado, 184.621 toneladas de resíduo domiciliar, dando uma média de 2 toneladas por habitante (algo em torno de 5,5 quilos/dia). Número que aumenta a cada ano. Em 2008, por exemplo, a cidade gerou 172.475 toneladas.
Em relação ao número dos resíduos que são destinados à reciclagem, em 2011 a Cidade contabilizou apenas 4.333 (equivalente a 2,3% do lixo orgânico). Número que aumenta a cada ano, mas representa pouco do que poderia ser reaproveitado.
Além disso, nem tudo é aproveitado. "Não dispomos de números exatos. Mas muitas perdas se devem às falhas na separação, ou seja, muitos municípes ainda lançam seus recicláveis sem retirar resquícios de orgânicos nas embalagens. Esse material se perde na triagem. Em nossas palestras, sempre reforçamos que os materiais recicláveis devem ser limpos antes de serem separados", explica o chefe da Seção de Informações Ambientais de Santos, Fernando Mello.
De acordo ele, não há necesidade de separar os resíduos por tipo. "A separação pode ser feita apenas entre recicláveis e resíduos comuns", acrescenta. O material é retirado uma vez por semana em cada bairro. No site da prefeitura é possível conferir a programação completa.
Mesmo com os números de reciclagem aumentando, a cidade vive uma estagnação no setor. De acordo com Mello, o principal desafio da é promover a mudança de hábitos. "Para isso, a Semam desenvolve inúmeras campanhas para conscientização da sociedade, como as de coleta de resíduo eletrônico, parafina, pneus, medicamentos, lâmpadas e chapas de raios-X, além do surgimento do serviço do Gari do Óleo em parceria com o Instituo BioSantos". Atualmente, a Semam investe na construção de um novo galpão e na compra de mais uma esteira para a Unidade de Triagem e Separação de Resíduos Recicláveis provenientas da Coleta Seletiva Municipal.
O diretor da escola Jean Piaget, Alexandre Thomaz Vieira, por exemplo, que implantou há dois anos projetos ambientais em toda a escola, principalmente na unidade mais nova - com sistema de reuso da água da chuva e também sistema de compostagem, por meio dos resíduos orgânicos - acredita que a questão dos resíduos ainda está muito atrasada.
"Até o começo do ano, tudo que era gerado pelos alunos e funcionários era entregue para uma cooperativa em Santos, que encerrou suas atividades. Ficamos dois meses procurando outra cooperativa até que achamos em outro município. Descobrimos que Santos não possui mais cooperativas. Um absurdo para uma cidade como a nossa", explica. "A prefeitura retira apenas parte do nosso material, o que realmente está limpo, como papelão e demais materiais, mas os objetos que não conseguimos limpar pela quantidade que geramos fica sem destinação", acrescenta.
De acordo com o coordenador de Ciências Sociais da escola, Reinaldo Lopes, a instituição está fechando parceria com a Coperbem, de Guarujá. "O interessante de ter parcerias com cooperativas é que além de fazermos um trabalho social e ajudarmos um grupo de pessoas que precisa, sabemos realmente o destino dos resíduos", ressalta o coordenador.
Fernando Mello, da Semam, reconhece a falta de cooperativas organizadas. "Atualmente não existe qualquer cooperativa oficialmente cadastrada na prefeitura. É primordial que as cooperativas de coleta de materiais recicláveis estejam inseridas dentro deste novo processo que toma curso em todo o país. Além da geração de renda, o poder público diminuiria o valor investido na coleta seletiva, pois terceiriza esse serviço".
"Pelo momento de desenvolvimento que estamos vivendo, acredito que a cidade deveria estar dando maior importância para a questão de resíduos. Cada cidadão também precisa exercer seu papel, começando a praticar os 3Rs, que é reduzir, reutilizar e somente depois reciclar, mas o governo e as indústrias têm papel fundamental neste processo. Até porque a destinação de tudo que enviamos para reciclagem deve ter o destino correto", acredita o biólogo Orlando Junior, professor da Universidade Santa Cecília (Unisanta).
Demais cidades - Nem todas as cidades possuem a coleta. Para se ter ideia, Cubatão lança apenas nesta semana o programa de coleta seletiva, com a inauguração do Galpão de Reciclagem. Para a primeira etapa do programa, a cidade ativará, nas próximas semanas, 28 Locais de Entrega Voluntária (LEV) espalhados por vários núcleos do município, como escolas, centros esportivos e parques municipais, principalmente na região do Jardim Casqueiro, Ponte Nova, Parque São Luiz e conjunto Rubens Lara, onde vivem cerca de 25 mil pessoas. Na segunda etapa, haverá coleta seletiva domiciliar. “Na primeira fase contamos com a colaboração da comunidade, que deseja dar uma destinação correta ao lixo doméstico”. Ele frisou que o galpão também terá condições de receber, voluntariamente, lixo eletrônico (computadores, telas, teclados, mouse, fios).
Bertioga, que possui coleta seletiva, capta 15 toneladas por mês. No total, a Cidade gera, em média, 2 mil toneladas por mês de resíduos, ou seja, menos de 1% do lixo é reciclado.
Resíduos portuários em discussão
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| Autoridades durante encontro na OAB: discussão importante (Foto: Nara Assunção) |
Na última terça-feira (29), Santos recebeu o Encontro Nacional das Comissões de Meio Ambiente da OAB, com o tema Efetividade Legal na Rio + 20 (evento que será realizado a partir do dia 13 de junho na capital fluminense) com palestras que debateram o tema ambiental, como ponto primordial no desenvolvimento das cidades. Santos sediou o evento pelo importante momento que vive de expansão do Porto. Neste sentido, duas palestras abordam a questão, com os temas Crescimento Urbano- Portuário e os Reflexos/ Florestais e Zoneamento Ecológico- Econômico da Baixada Santista e Resíduos Sólidos por Atividades Portuárias.
De acordo com um dos participantes, Rodrigo More, advogado que trabalha nas questões ambientais e professor universitário da UniSantos, o principal desafio - principalmente o de Santos e das demais cidades da região - é aliar tamanho desenvolvimento com a preservação do meio ambiente.
"O impacto que causamos individualmente é enorme, o de empresas e grandes setores, como o porto, por exenplo, é maior ainda. Por isso, é preciso repensar nomodelo atual que estamos trabalhando para buscarmos soluções cada vez mais eficientes. E Meio Ambiente é tudo, influencia na mobilidade urbana, na qualidade de vida, geração de resíduos e sua destinação", ressalta.
A Baixada Santista passa por um momento de desenvolvimento, em franco aceleramento. Em Santos, principal cidade da região, o crescimento pode ser observado pelos grandes empreendimentos imobiliários, algo que aconteceu devido à economia da cadeia de petróleo e gás, que atrai novos investidores.
O grande desafio, porém, é alcançar um desenvolvimento sustentável. Um dos principais problemas não só regional, mas mundial, é a questão da destinação dos resíduos sólidos. Afinal, o que fazer com as 30 bilhões de toneladas de lixo geradas anualmente pela humanidade?
De acordo com Plano Nacional de Resíduos Sólidos, até 2014, o Brasil estará livre dos lixões a céu aberto e também ficará proibido de colocar em aterros sanitários qualquer tipo de resíduo que seja passível de reciclagem ou reutilização. Os municípios, então, possuem dois anos para se adequar à legislação.
Santos – O município produziu, somente no ano passado, 184.621 toneladas de resíduo domiciliar, dando uma média de 2 toneladas por habitante (algo em torno de 5,5 quilos/dia). Número que aumenta a cada ano. Em 2008, por exemplo, a cidade gerou 172.475 toneladas.
Em relação ao número dos resíduos que são destinados à reciclagem, em 2011 a Cidade contabilizou apenas 4.333 (equivalente a 2,3% do lixo orgânico). Número que aumenta a cada ano, mas representa pouco do que poderia ser reaproveitado.
Além disso, nem tudo é aproveitado. “Não dispomos de números exatos. Mas muitas perdas se devem às falhas na separação, ou seja, muitos municípes ainda lançam seus recicláveis sem retirar resquícios de orgânicos nas embalagens. Esse material se perde na triagem. Em nossas palestras, sempre reforçamos que os materiais recicláveis devem ser limpos antes de serem separados”, explica o chefe da Seção de Informações Ambientais de Santos, Fernando Mello.
De acordo ele, não há necesidade de separar os resíduos por tipo. “A separação pode ser feita apenas entre recicláveis e resíduos comuns”, acrescenta. O material é retirado uma vez por semana em cada bairro. No site da prefeitura é possível conferir a programação completa.
Mesmo com os números de reciclagem aumentando, a cidade vive uma estagnação no setor. De acordo com Mello, o principal desafio da é promover a mudança de hábitos. “Para isso, a Semam desenvolve inúmeras campanhas para conscientização da sociedade, como as de coleta de resíduo eletrônico, parafina, pneus, medicamentos, lâmpadas e chapas de raios-X, além do surgimento do serviço do Gari do Óleo em parceria com o Instituo BioSantos”. Atualmente, a Semam investe na construção de um novo galpão e na compra de mais uma esteira para a Unidade de Triagem e Separação de Resíduos Recicláveis provenientas da Coleta Seletiva Municipal.
O diretor da escola Jean Piaget, Alexandre Thomaz Vieira, por exemplo, que implantou há dois anos projetos ambientais em toda a escola, principalmente na unidade mais nova – com sistema de reuso da água da chuva e também sistema de compostagem, por meio dos resíduos orgânicos – acredita que a questão dos resíduos ainda está muito atrasada.
“Até o começo do ano, tudo que era gerado pelos alunos e funcionários era entregue para uma cooperativa em Santos, que encerrou suas atividades. Ficamos dois meses procurando outra cooperativa até que achamos em outro município. Descobrimos que Santos não possui mais cooperativas. Um absurdo para uma cidade como a nossa”, explica. “A prefeitura retira apenas parte do nosso material, o que realmente está limpo, como papelão e demais materiais, mas os objetos que não conseguimos limpar pela quantidade que geramos fica sem destinação”, acrescenta.
De acordo com o coordenador de Ciências Sociais da escola, Reinaldo Lopes, a instituição está fechando parceria com a Coperbem, de Guarujá. “O interessante de ter parcerias com cooperativas é que além de fazermos um trabalho social e ajudarmos um grupo de pessoas que precisa, sabemos realmente o destino dos resíduos”, ressalta o coordenador.
Fernando Mello, da Semam, reconhece a falta de cooperativas organizadas. “Atualmente não existe qualquer cooperativa oficialmente cadastrada na prefeitura. É primordial que as cooperativas de coleta de materiais recicláveis estejam inseridas dentro deste novo processo que toma curso em todo o país. Além da geração de renda, o poder público diminuiria o valor investido na coleta seletiva, pois terceiriza esse serviço”.
“Pelo momento de desenvolvimento que estamos vivendo, acredito que a cidade deveria estar dando maior importância para a questão de resíduos. Cada cidadão também precisa exercer seu papel, começando a praticar os 3Rs, que é reduzir, reutilizar e somente depois reciclar, mas o governo e as indústrias têm papel fundamental neste processo. Até porque a destinação de tudo que enviamos para reciclagem deve ter o destino correto”, acredita o biólogo Orlando Junior, professor da Universidade Santa Cecília (Unisanta).
Demais cidades – Nem todas as cidades possuem a coleta. Para se ter ideia, Cubatão lança apenas nesta semana o programa de coleta seletiva, com a inauguração do Galpão de Reciclagem. Para a primeira etapa do programa, a cidade ativará, nas próximas semanas, 28 Locais de Entrega Voluntária (LEV) espalhados por vários núcleos do município, como escolas, centros esportivos e parques municipais, principalmente na região do Jardim Casqueiro, Ponte Nova, Parque São Luiz e conjunto Rubens Lara, onde vivem cerca de 25 mil pessoas. Na segunda etapa, haverá coleta seletiva domiciliar. “Na primeira fase contamos com a colaboração da comunidade, que deseja dar uma destinação correta ao lixo doméstico”. Ele frisou que o galpão também terá condições de receber, voluntariamente, lixo eletrônico (computadores, telas, teclados, mouse, fios).
Bertioga, que possui coleta seletiva, capta 15 toneladas por mês. No total, a Cidade gera, em média, 2 mil toneladas por mês de resíduos, ou seja, menos de 1% do lixo é reciclado.
Resíduos portuários em discussão
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| Autoridades durante encontro na OAB: discussão importante (Foto: Nara Assunção) |
Na última terça-feira (29), Santos recebeu o Encontro Nacional das Comissões de Meio Ambiente da OAB, com o tema Efetividade Legal na Rio + 20 (evento que será realizado a partir do dia 13 de junho na capital fluminense) com palestras que debateram o tema ambiental, como ponto primordial no desenvolvimento das cidades. Santos sediou o evento pelo importante momento que vive de expansão do Porto. Neste sentido, duas palestras abordam a questão, com os temas Crescimento Urbano- Portuário e os Reflexos/ Florestais e Zoneamento Ecológico- Econômico da Baixada Santista e Resíduos Sólidos por Atividades Portuárias.
De acordo com um dos participantes, Rodrigo More, advogado que trabalha nas questões ambientais e professor universitário da UniSantos, o principal desafio – principalmente o de Santos e das demais cidades da região – é aliar tamanho desenvolvimento com a preservação do meio ambiente.
“O impacto que causamos individualmente é enorme, o de empresas e grandes setores, como o porto, por exenplo, é maior ainda. Por isso, é preciso repensar nomodelo atual que estamos trabalhando para buscarmos soluções cada vez mais eficientes. E Meio Ambiente é tudo, influencia na mobilidade urbana, na qualidade de vida, geração de resíduos e sua destinação”, ressalta.