Uma chance para mudar vidas: Médico aborda a necessidade da doação de órgãos | Boqnews
Foto: Divulgação/Ministério da Saúde
1 de setembro de 2023

Uma chance para mudar vidas: Médico aborda a necessidade da doação de órgãos

A doação de órgãos é um assunto delicado, porém necessário a ser discutido na sociedade. Até porque, diversas vidas podem ajudar a salvar outras  em um ato de bondade.

No caso do apresentador de televisão Fausto Silva, houve o transplante do coração.

Dados do Ministério da Saúde, entre 19 e 26 de agosto, ocorreram 13 transplantes desse tipo em todo o Brasil e sete foram em São Paulo.

De acordo com Governo Federal, no primeiro semestre deste ano, ocorreram 206 transplantes de coração no País.

Portanto, o total reflete no crescimento de 16% na comparação com a primeira metade de 2022.

 

Salvar vidas

Segundo médico infectologista e professor universitário Evaldo Stanislau, a doação de órgãos é a maneira que existe para ajudar as pessoas que precisam de um transplante.

Ele exemplifica que os principais órgãos que podem ser doados e transplantados são duas córneas, ossos, pele, pulmões, fígado.

Desse modo, que pode ter divisão, rins (que são 2) e um universo de possibilidades como doações de pâncreas e coração.

 

Escassez de órgãos

“Se todo mundo manifestar em vida a vontade de ser doador, é importante que isso ocorra, porque a escassez de órgãos é realmente crítica, sobretudo naqueles pacientes mais graves que precisam de transplantes com mais rapidez”, afirma Stanislau.

A escassez de órgãos afeta por conta da gravidade, por exemplo, pois quem vai para lista de transplante necessita de um determinado órgão e quanto menos órgãos doados a pessoa tem, mais difícil é conseguir fazer o transplante para quem precisa.

Ele comunica que uma das medidas para aumentar a eficiência do transplante que já é tecnicamente muito boa, é aumentar a oferta de órgãos para transplante.

 

Avanços médicos

De acordo com o Stanislau, o principal avanço médico que tornaram os transplantes de órgãos mais bem-sucedidos é o melhor controle da rejeição por meio das drogas imunossupressoras mais efetivas. “Elas são mais eficazes naquilo que elas se propõem para evitar rejeição do órgão, e são mais seguras também, evitando efeitos colaterais importantes. Então os avanços das drogas anti-rejeicão permitem que hoje a gente tenha essa quantidade expressiva de transplantes que são realizados”.

No entanto, ele reforça que com o avanço tecnológico, há equipamentos que permitem que um paciente aguarde transplante numa fase muito crítica. E assim consiga ser mantido vivo por alguns dias ligado a máquinas que realizam o que órgão que está doente não consegue fazer.

Assim aumenta a chance do paciente receber um órgão para transplante.

Com os avanços no tratamento e diagnóstico das infecções, é possível identificar quais são das principais complicações que existem nos pacientes que serão transplantados, seguidos pela necessidade do controle da rejeição.

Um dos destaques é na tecnologia, que atualmente consegue ocorre por manipulação genética, o xenotransplante. Assim, utilizam-se órgãos de outras espécies, como de porcos, e esses órgãos são utilizados em pessoas até que seja possível conseguir um transplante definitivo. “Os avanços médicos são em todas as frentes, mas o principal é o controle da rejeição. A Inteligência Artifical trouxe um avanço muito grande, porque ela permite melhor gestão e alocação dos órgãos para transplante”.

 

Conscientização

Conforme Stanislau, a tarefa mais importante é adicionar esse assunto no dia a dia das pessoas.

Assim como, manifestar o pensamento da doação no cotidiano e conversar sobre o assunto.  “Isso é um gesto simples, mas se a pessoa puder ser doadora, os amigos, familiares vão lembrar que ela manifestou essa vontade. E a conscientização é muito importante para que o assunto fique no dia a dia e para que em uma eventual situação de doação, essa vontade seja lembrada e facilite o processo de concordância com as doações”.

 

Mitos comuns

Existem mitos sobre a doação de órgãos e algumas pessoas pensam é que pelo fato de ter uma doença não se pode doar.  O médico menciona que melhor solução é manifestar a vontade de ser doador. E deixar que as equipes que irão fazer a captação de órgão, definir quem vai ou não poderá doar.

Outro mito é sobre o cadáver de quem doou o órgão ficar desfigurado. Ele comenta que é falsa esta afirmação, pois ele fica intacto, inclusive na cerimônia de despedida da pessoa falecida não há qualquer tipo de alteração.

 

Lados psicológicos

O suporte psicológico é importante tanto para os doadores quanto para os receptores durante o processo de transplante. “Quem está esperando um órgão, tem um grande sofrimento assim como os familiares e depois que recebem os órgãos é importante estarem prontas para viver com esse órgão. Porque a vida vai ser muito boa, com qualidade e próxima do normal, como se ela renascesse após um transplante”.

Contudo, para as pessoas e familiares de quem doa um órgão, o médico relata que é interessante lembrar que na perda de uma pessoa amada, o doador não salvou apenas uma, mas várias vidas.

Dessa forma, por meio do gesto da doação, há a possibilidade de prolongar vidas.

Além de construir uma rede de solidariedade que reflete sobre o melhor da humanidade.

Vinícius Dantas, Da Redação
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