Bartolomeu de Gusmão | Boqnews

Ponto de vista

20 de março de 2024

Bartolomeu de Gusmão

O Brasil tem um histórico de inventores pouco reconhecidos.

Santos Dumont é lembrado na denominação de logradouros públicos e, principalmente, em aeroporto do Rio de Janeiro, um dos principais do Brasil.

Existe a controvérsia em relação aos irmãos Wright, mas consta que foi o 14 Bis a primeira aeronave a decolar de forma autônoma.

Antes disso, ele já havia demonstrado a dirigibilidade de aeróstatos, invenção que também permanece em produção.

No entanto, sua obra de referência foi a construção do “Demoiselle”, primeiro avião monoplano da história, antecipando em cerca de duas décadas o que hoje é padrão na aviação. Surpreendentemente, ele tornou o projeto de domínio público.

Depois dele não houve significativa evolução da indústria aeronáutica brasileira. Um dos destaques foi o “Paulistinha”, construído pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

A Força Aérea Brasileira, criada em 1941, por muito tempo utilizou basicamente aviões importados.

Marco histórico, em 1950 foi criado o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), que rapidamente se tornou uma escola de excelência, aliás, como todas as instituições de formação das Forças Armadas brasileiras.

Um de seus egressos, formado em Engenharia Aeronáutica, foi o Tenente-Coronel Aviador Ozires Silva, fundador da Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. (Embraer), em 1969, mesmo ano em que foi produzo seu primeiro avião: o Bandeirante.

Hoje, a Embraer é o terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, especializada tanto na área civil, como na militar, com destaque atual para a participação na produção, com transferência de tecnologia, de caças supersônicos.

Com ela, vários outros segmentos do setor foram criados e hoje têm reconhecimento internacional.

Nelson Rodrigues cunhou a expressão “complexo de vira-lata”, na década de 1950.

É possível dizer que até a criação da Embraer, com algumas honrosas exceções, o Brasil sofria de um “complexo de voo de galinha”.

Hoje, já estamos na fase de voos hipersônicos.

A Embraer e empresas do setor aeronáutico brasileiro são o melhor exemplo de desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil: uma indústria de ponta, competitiva internacionalmente, dotada de profissionais altamente qualificados. Infelizmente, trata-se de um exemplo quase solitário, também com honrosíssimas exceções.

Ozires Silva tem sido frequentemente homenageado, inclusive sendo um dos três a receberem o título de Doutor Honoris Causa pelo ITA.

Os outros foram Santos Dumont e Casimiro Montenegro Filho, o criador do ITA.

Porém, antes de todos os aqui citados, um santista mereceu destaque: Bartolomeu de Gusmão (1685-1724).

Internacionalmente, até por conta do orgulho francês, os irmãos Montgolfier são reputados como os primeiros a construir um balão tripulado, que voou em 1783.

Mas foi Bartolomeu Lourenço (depois “de Gusmão”) o precursor de tudo isso ao construir e testar, em 1709, um protótipo do que foi considerado o primeiro balão aerostático do mundo.

Tal ocorreu em Portugal e o projeto teria capacidade para transportar pessoas, armamentos e víveres, sendo denominado “passarola”.

Por conta dessa invenção, Bartolomeu de Gusmão passou a ser conhecido como “Padre Voador”, mas seu invento não prosperou, ao que consta pela falta de dirigibilidade, o mesmo problema dos balões até hoje.

Sei que já sugeriram nomes para o futuro Aeroporto do Guarujá.

Outros nomes virão à baila, provavelmente.

Nesse sentido, gostaria de sugerir que o nome de Bartolomeu de Gusmão fosse considerado.

Seria uma justa homenagem, além de um resgate histórico.

 

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras

Adilson Luiz Gonçalves
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