Tendo como vizinha a área portuária, moradores de bairros limítrofes enfrentam dificuldades neste convívio diário | Boqnews
Tendo como vizinha a área portuária, moradores de bairros limítrofes enfrentam dificuldades neste convívio diário
O Porto de Santos está em constante crescimento como se pode observar pelos recordes de exportação e importação. Se para Governo e empresas o saldo é positivo, o mesmo não pode ser dito por quem mora ou trabalha em bairros que fazem ligação direta com o porto santista. 
A Ponta da Praia, por exemplo, que vive a expansão imobiliária dos últimos anos acaba sendo uma das áreas mais atingidas pelas influências negativas da atividade portuária. A população conta com mais de 39 mil moradores, que convivem com mau cheiro, além do pó que se acumula rapidamente. E a questão não é apenas limpeza, mas o que a poluição provoca nas pessoas. A situação também afeta moradores do Estuário e Macuco.

Com a instalação de monitoramento da Cetesb que mede a qualidade do ar, pode-se perceber - por exemplo - que em muitos dias o índice do local pode ser comparado ao da Vila Parisi, no Pólo Industrial de Cubatão.  No dia 28 de maio passado, o índice da qualidade foi considerado ruim. O que isso causa? Segundo informações do próprio site da Cetesb, neste estágio  a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta. Já crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas podem apresentar efeitos mais sérios.

A poluição é gerada, principalmente, pelas micropartículas provenientes do processo de embarque de grãos nos terminais 39 e 40.  Outro problema são os próprois caminhões que transportam os grãos e muitos - por onde passam - deixam seu rastro.  Quando chove, os alimentos passam pelo processo de fermentação e surge, então, o mau cheiro, comparado a fezes. Fora que muitos caminhoneiros - sem um pátio adequado para estacionar - acabam parando o veículo em ruas pelos bairros. Alguns pontos também já se tornaram ponto de tráfico e prostituição.

 Segundo a comerciante Barbara Oelsner, que há sete meses abriu seu comércio na Rua Amélia Leuchtemberg, um dos maiores problemas do local é o acumúlo do pó, oriundo das atividades portuárias, além da falta de segurança. "O cheiro também incomoda muito. Existem dias que fica insuportável até para respirar. Na questão de segurança, depois das 19 horas, fechamos a porta com medo de assaltos", conta. 

O mesmo drama vive a moradora Mariluci Teixeira, que mudou de São Paulo com a família para um dos vários condomínios edificados no bairro e hoje precisa ter paciência para conviver com tantos problemas. "A sujeira me incomoda muito, porém mais do que isso gostaria de saber exatamente no que isso pode estar sendo prejudicial para a saúde? Porto e Cidade sempre vão ter conflitos, mas acho que com o problema de hoje, o certo seria nem permitir novas construções por aqui", conta. 
Quando escolheu o apartamento - que comprou ainda na planta - Mariluci disse que todas as vezes que desceu a Serra para ver o imóvel  teve o azar de não sentir o mau cheiro. "Logo quando mudamos subiu um cheiro horrível, além da poeira que basta limpar para estar sujo de novo. A situação piora nos dias de movimentação dos grãos, que forma uma nuvem. Fica ainda mais difícil". 

O prédio está, junto com outros dois condomínios ao redor, criando uma campanha para que as pessoas reclamem na Cetesb. "A nossa intenção é que alguém veja o que está acontecendo e as esferas competentes fiscalizem e exijam que as empresas que operam no terminal se modernizem para pelo menos minimizar este problema", conta. 
Indagada se gosta de morar em Santos, ela pensa e diz: "A Cidade é brilhante. Consigo ver muitas qualidades, mas realmente o problema que temos que conviver é difícil".  

Em 2011, o assunto esteve na pauta do vereador e atual presidente da Câmara, Sadao Nakai (PSDB), que protocolou, em maio naquele ano, representação no Ministério Público onde apontava a poluição ambiental que atinge, principalmente, os bairros da Ponta da Praia e do Estuário, próximos aos terminais 39 e 40. 

De acordo com o vereador, que nasceu no bairro onde mora até hoje, os problemas tendem a aumentar, tendo em vista o crescimento do Porto. "Tenho me reunido com o presidente da Cetesb desde 2011 pedindo apoio. No início, ninguém reclamava, o que fica difícil exigir dos órgãos competentes que exijam melhorias. Hoje, muitas pessoas já reclamam", conta. A próxima reunião  acontece nesta quarta (19). 

Com tanta tecnologia, Sadao acredita que as empresas que atuam nos terminais deveriam já estar utilizando equipamentos capazes de conter  os transtornos. "O problema é que os equipamentos são da década de 70, quando não havia o volume de carga como se tem hoje", explica.  

A Cetesb, segundo o gerente da Agência Ambiental de Santos, César Eduardo Valente, está fazendo a sua parte. Nos últimos três anos, as operadores receberam multas que ultrapassam R$1 milhão. "É importante, porém, que todas as esferas comecem a atuar juntos para resolver o problema", salienta. O secretário adjunto de Meio Ambiente de Santos, Mauro Haddad, também declarou que a fiscalização de limpeza está sendo realizada pela prefeitura. Para ele, a modernização dos terminais seria a solução dos problemas.

Ruas às escuras
A poluição, porém, não vem apenas das atividades dos armazéns, mas também da quantidade de caminhões que passam pelos locais. Além de estacionarem em ruas da Ponta da Praia, Macuco, Estuário e Aparecida, em alguns trechos as vias se transformam em pontos até de abandono que atrapalham quem mora e transita pela área. 

Este, segundo Sadao Nakai, é um dos grandes problemas destes bairros com ligação ao Porto, além de ser uma questão que também extrapola a esfera municipal, pois não há o estacionamento  de caminhões. "É tudo no improviso. É preciso projetos de logística", explica. Algo que pode ser solucionado com a criação dos pátios reguladores e com a ampliação de áreas para estacionamento. 

"Os caminhões acabam criando pontos cegos, atraindo moradores de rua, tráfico e prostituição. Algo que pode ser observado bem na Rua Antonio Maia", conta. A rua tem pouca iluminação e muitos caminhões. Na última quinta-feira (13), a situação pode ser constatada. Por volta das 2 horas da madrugada, a rua estava deserta, escura, tomada por caminhões, alguns abandonados, e uma garota aguardava clientes na esquina do Canal 5.  Voltando à Ponta da Praia, a moradora Mariluci Teixeira diz que deste problema as ruas do entorno já não sofrem mais. "Conseguimos solucionar, porém algo que incomoda é a buzina. Quando formam-se as filas para entrar no terminal, eles não pensam duas vezes antes de apertá-las, independente do horário", ressalta. 

Posto de saúde precário
Além dos problemas que a Ponta da Praia enfrenta por conta da ligação com o Porto de Santos também chama a atenção a questão da saúde. Moradores reclamam que a situação da atual Unidade Básica de Saúde está precária e não atende mais a população que cresceu. Um morador, que não quis se identificar, disse que a infraestrutura do local está ruim e há anos eles esperam por melhorias. 

A unidade, por intermédio do vereador Sadao Nakai, recebeu há dois anos do atual prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, na época deputado estadual - uma emenda de R$500 mil para reforma e melhorias do local. O ato começou em 2009, quando o Sadao recebeu abaixo-assinado com 3.700 assinaturas para a reforma da UBS. Antes da obra, porém, foi preciso achar outro imóvel para que o serviço não parasse. "O que demorou muito.  Mudou o governo e o projeto teve que ser retomado". 

Sadao explica que o dinheiro já está depositado em uma conta específica para isso. De acordo com assessoria da prefeitura de Santos, o projeto da nova UBS está sendo desenvolvido. ainda sem prazo. 
14 de junho de 2013

Tendo como vizinha a área portuária, moradores de bairros limítrofes enfrentam dificuldades neste convívio diário

O Porto de Santos está em constante crescimento como se pode observar pelos recordes de exportação e importação. Se para Governo e empresas o saldo é positivo, o mesmo não pode ser dito por quem mora ou trabalha em bairros que fazem ligação direta com o porto santista. 
A Ponta da Praia, por exemplo, que vive a expansão imobiliária dos últimos anos acaba sendo uma das áreas mais atingidas pelas influências negativas da atividade portuária. A população conta com mais de 39 mil moradores, que convivem com mau cheiro, além do pó que se acumula rapidamente. E a questão não é apenas limpeza, mas o que a poluição provoca nas pessoas. A situação também afeta moradores do Estuário e Macuco.
Com a instalação de monitoramento da Cetesb que mede a qualidade do ar, pode-se perceber – por exemplo – que em muitos dias o índice do local pode ser comparado ao da Vila Parisi, no Pólo Industrial de Cubatão.  No dia 28 de maio passado, o índice da qualidade foi considerado ruim. O que isso causa? Segundo informações do próprio site da Cetesb, neste estágio  a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta. Já crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas podem apresentar efeitos mais sérios.
A poluição é gerada, principalmente, pelas micropartículas provenientes do processo de embarque de grãos nos terminais 39 e 40.  Outro problema são os próprois caminhões que transportam os grãos e muitos – por onde passam – deixam seu rastro.  Quando chove, os alimentos passam pelo processo de fermentação e surge, então, o mau cheiro, comparado a fezes. Fora que muitos caminhoneiros – sem um pátio adequado para estacionar – acabam parando o veículo em ruas pelos bairros. Alguns pontos também já se tornaram ponto de tráfico e prostituição.
 Segundo a comerciante Barbara Oelsner, que há sete meses abriu seu comércio na Rua Amélia Leuchtemberg, um dos maiores problemas do local é o acumúlo do pó, oriundo das atividades portuárias, além da falta de segurança. “O cheiro também incomoda muito. Existem dias que fica insuportável até para respirar. Na questão de segurança, depois das 19 horas, fechamos a porta com medo de assaltos”, conta. 
O mesmo drama vive a moradora Mariluci Teixeira, que mudou de São Paulo com a família para um dos vários condomínios edificados no bairro e hoje precisa ter paciência para conviver com tantos problemas. “A sujeira me incomoda muito, porém mais do que isso gostaria de saber exatamente no que isso pode estar sendo prejudicial para a saúde? Porto e Cidade sempre vão ter conflitos, mas acho que com o problema de hoje, o certo seria nem permitir novas construções por aqui”, conta. 
Quando escolheu o apartamento – que comprou ainda na planta – Mariluci disse que todas as vezes que desceu a Serra para ver o imóvel  teve o azar de não sentir o mau cheiro. “Logo quando mudamos subiu um cheiro horrível, além da poeira que basta limpar para estar sujo de novo. A situação piora nos dias de movimentação dos grãos, que forma uma nuvem. Fica ainda mais difícil”. 
O prédio está, junto com outros dois condomínios ao redor, criando uma campanha para que as pessoas reclamem na Cetesb. “A nossa intenção é que alguém veja o que está acontecendo e as esferas competentes fiscalizem e exijam que as empresas que operam no terminal se modernizem para pelo menos minimizar este problema”, conta. 
Indagada se gosta de morar em Santos, ela pensa e diz: “A Cidade é brilhante. Consigo ver muitas qualidades, mas realmente o problema que temos que conviver é difícil”.  
Em 2011, o assunto esteve na pauta do vereador e atual presidente da Câmara, Sadao Nakai (PSDB), que protocolou, em maio naquele ano, representação no Ministério Público onde apontava a poluição ambiental que atinge, principalmente, os bairros da Ponta da Praia e do Estuário, próximos aos terminais 39 e 40. 
De acordo com o vereador, que nasceu no bairro onde mora até hoje, os problemas tendem a aumentar, tendo em vista o crescimento do Porto. “Tenho me reunido com o presidente da Cetesb desde 2011 pedindo apoio. No início, ninguém reclamava, o que fica difícil exigir dos órgãos competentes que exijam melhorias. Hoje, muitas pessoas já reclamam”, conta. A próxima reunião  acontece nesta quarta (19). 
Com tanta tecnologia, Sadao acredita que as empresas que atuam nos terminais deveriam já estar utilizando equipamentos capazes de conter  os transtornos. “O problema é que os equipamentos são da década de 70, quando não havia o volume de carga como se tem hoje”, explica.  
A Cetesb, segundo o gerente da Agência Ambiental de Santos, César Eduardo Valente, está fazendo a sua parte. Nos últimos três anos, as operadores receberam multas que ultrapassam R$1 milhão. “É importante, porém, que todas as esferas comecem a atuar juntos para resolver o problema”, salienta. O secretário adjunto de Meio Ambiente de Santos, Mauro Haddad, também declarou que a fiscalização de limpeza está sendo realizada pela prefeitura. Para ele, a modernização dos terminais seria a solução dos problemas.
Ruas às escuras
A poluição, porém, não vem apenas das atividades dos armazéns, mas também da quantidade de caminhões que passam pelos locais. Além de estacionarem em ruas da Ponta da Praia, Macuco, Estuário e Aparecida, em alguns trechos as vias se transformam em pontos até de abandono que atrapalham quem mora e transita pela área. 
Este, segundo Sadao Nakai, é um dos grandes problemas destes bairros com ligação ao Porto, além de ser uma questão que também extrapola a esfera municipal, pois não há o estacionamento  de caminhões. “É tudo no improviso. É preciso projetos de logística”, explica. Algo que pode ser solucionado com a criação dos pátios reguladores e com a ampliação de áreas para estacionamento. 
“Os caminhões acabam criando pontos cegos, atraindo moradores de rua, tráfico e prostituição. Algo que pode ser observado bem na Rua Antonio Maia”, conta. A rua tem pouca iluminação e muitos caminhões. Na última quinta-feira (13), a situação pode ser constatada. Por volta das 2 horas da madrugada, a rua estava deserta, escura, tomada por caminhões, alguns abandonados, e uma garota aguardava clientes na esquina do Canal 5.  Voltando à Ponta da Praia, a moradora Mariluci Teixeira diz que deste problema as ruas do entorno já não sofrem mais. “Conseguimos solucionar, porém algo que incomoda é a buzina. Quando formam-se as filas para entrar no terminal, eles não pensam duas vezes antes de apertá-las, independente do horário”, ressalta. 
Posto de saúde precário
Além dos problemas que a Ponta da Praia enfrenta por conta da ligação com o Porto de Santos também chama a atenção a questão da saúde. Moradores reclamam que a situação da atual Unidade Básica de Saúde está precária e não atende mais a população que cresceu. Um morador, que não quis se identificar, disse que a infraestrutura do local está ruim e há anos eles esperam por melhorias. 
A unidade, por intermédio do vereador Sadao Nakai, recebeu há dois anos do atual prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, na época deputado estadual – uma emenda de R$500 mil para reforma e melhorias do local. O ato começou em 2009, quando o Sadao recebeu abaixo-assinado com 3.700 assinaturas para a reforma da UBS. Antes da obra, porém, foi preciso achar outro imóvel para que o serviço não parasse. “O que demorou muito.  Mudou o governo e o projeto teve que ser retomado”. 
Sadao explica que o dinheiro já está depositado em uma conta específica para isso. De acordo com assessoria da prefeitura de Santos, o projeto da nova UBS está sendo desenvolvido. ainda sem prazo. 
Da Redação
Da Redação
Compartilhe:

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.