O Gigante Acordou. A expressão, escrita em diversos cartazes em passeatas, descreve exatamente o momento histórico do Brasil. O que começou com a luta do Movimento Passe Livre, com pouco mais de 500 pessoas, na Avenida 23 de maio, no dia 11 de junho, na Capital Paulista, se transformou numa luta mais abrangente, envolvendo milhares de brasileiros cansados da apatia e de serem taxados de netos da revolução.
O aumento da tarifa de São Paulo em R$0,20 fez com que, principalmente, o transporte público fosse colocado em xeque pela população. O reajuste ficou até em segundo plano tendo em vista a decadência da condição do transporte público em contrapartida aos investimentos de financiamentos para compra de carros, aumentando consideravelmente a frota dos veículos particulares das cidades.
"Isso faz com que a velocidade operacional dos ônibus diminua. A consequência é que eles andam menos, porém gastam mais no consumo de combustível, pneus e outras estruturas do veículo. A despesa para a empresa concessionária é maior", explica o professor de engenharia de trânsito da USP, Antônio Nelson da Silva.
Além do custo repassado para a população a cada ano, o transporte não consegue atender plenamente todos os usuários. Basta ficar em um ponto de ônibus no horário de pico para - além da espera - encontrar ônibus abarrotados.
"Hoje temos uma cultura do uso intensivo do veículo privado que, com o crescimento contínuo da frota de automóveis, caminha para inviabilidade pela incapacidade de investimentos e espaço físico para criar novas vias de circulação no mesmo ritmo", explica Áureo Pasqualeto, mestre em Engenharia de Transporte, da Unisanta.
O grande ponto, de acordo com Garrone Reck, também especialista em Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Paraná, cidades como Curitiba apresentaram soluções em transportes já no começa da década de 70, que hoje é discutido nas grandes metrópoles, como o caso do VLT.
De acordo com Áureo, Santos já teve uma rede de transportes de grande funcionalidade, como o serviço de bondes no século passado, que se integrava no Valongo com os trens da antiga SPR, depois Estrada de ferro Santos-Jundiaí. "Pegando um bonde para o Valongo, podia-se, nos horários determinados, tomar um trem e descer na Estação da Luz, uma viagem de 150 minutos, agradável, com belas paisagens e alta tecnologia para a época. Pode-se hoje, um século depois, ir de Santos ao centro de São Paulo em 150 minutos? Nem sempre", conclui.
Baixada Santista
O movimento chegou na região, no dia 13 de junho, com protesto em Santos, que reuniu cerca de 400 pessoas. A tarifa não sofreu reajuste na Cidade. O que é reivindicado é a redução do valor da passagem municipal, além das intermunicipais, que em alguns casos é de R$7,40 (Guarujá e Bertioga).
Na região, quem precisa se deslocar de Santos para Praia Grande, por exemplo, sofre com esta realidade todos os dias, como é o caso da estudante do Senai, Bianca Batista, 21 anos, que utiliza a linha 927. "Na ida, o ônibus passa no horário certo. Mas para voltar espero mais de uma hora e pego lotado, isto quando o motorista não passa direto.O valor é abusivo, a qualidade não condiz com o preço. Deveria ter mais ônibus, mais pontualidade, pelo menos pagaríamos um preço para poder viajar uma hora e meia sentados".
Quem passa pela mesma situação é a auxiliar de enfermagem Lidiane Santos, de 31 anos, com a linha 941 "Já sei o horário em que passa, por isso me programo, mas costuma atrasar bastante. Já tive problemas no trabalho por conta disso. Deveriam colocar mais carros na linha".
Para quem se locomove entre Santos e Cubatão, o problema é idêntico. "A viagem é estressante não só por conta da rodovias quase paradas diariamente, mas por conta dos atrasos nos coletivos, falta de cobradores, e motoristas irritados com o salário baixo, trânsito e dupla função. Em relação ao valor da passagem, se comparado à quilometragem do trajeto oferecido em linhas municipais, é injusto. Em Cubatão, por exemplo, pagamos R$ 3,10, sendo que a cidade apresenta o menor percurso da Baixada", acredita o fotógrafo Carlos Felipe dos Santos, de 22 anos.
Para Áureo Pasqualeto, uma grande melhoria ocorrerá com o início de operação do VLT, que será o fato mais importante desde o fim dos bondes no início da década de 1970. "O transporte da região tem muito a avançar, tanto nas cidades em si como nas integrações regionais".
Para ele, o Laboratório de Mobilidade Urbana - LogMob, integrante do Parque Tecnológico de Santos, em fase de implantação, agregará novo potencial de inteligência acadêmica qualificada ao estudo dos problemas e soluções de circulação. "Ele auxiliará as autoridades municipais e regionais a um planejamento integrado do trânsito", acredita.
O Gigante Acordou. A expressão, escrita em diversos cartazes em passeatas, descreve exatamente o momento histórico do Brasil. O que começou com a luta do Movimento Passe Livre, com pouco mais de 500 pessoas, na Avenida 23 de maio, no dia 11 de junho, na Capital Paulista, se transformou numa luta mais abrangente, envolvendo milhares de brasileiros cansados da apatia e de serem taxados de netos da revolução.
O aumento da tarifa de São Paulo em R$0,20 fez com que, principalmente, o transporte público fosse colocado em xeque pela população. O reajuste ficou até em segundo plano tendo em vista a decadência da condição do transporte público em contrapartida aos investimentos de financiamentos para compra de carros, aumentando consideravelmente a frota dos veículos particulares das cidades.
“Isso faz com que a velocidade operacional dos ônibus diminua. A consequência é que eles andam menos, porém gastam mais no consumo de combustível, pneus e outras estruturas do veículo. A despesa para a empresa concessionária é maior”, explica o professor de engenharia de trânsito da USP, Antônio Nelson da Silva.
Além do custo repassado para a população a cada ano, o transporte não consegue atender plenamente todos os usuários. Basta ficar em um ponto de ônibus no horário de pico para – além da espera – encontrar ônibus abarrotados.
“Hoje temos uma cultura do uso intensivo do veículo privado que, com o crescimento contínuo da frota de automóveis, caminha para inviabilidade pela incapacidade de investimentos e espaço físico para criar novas vias de circulação no mesmo ritmo”, explica Áureo Pasqualeto, mestre em Engenharia de Transporte, da Unisanta.
O grande ponto, de acordo com Garrone Reck, também especialista em Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Paraná, cidades como Curitiba apresentaram soluções em transportes já no começa da década de 70, que hoje é discutido nas grandes metrópoles, como o caso do VLT.
De acordo com Áureo, Santos já teve uma rede de transportes de grande funcionalidade, como o serviço de bondes no século passado, que se integrava no Valongo com os trens da antiga SPR, depois Estrada de ferro Santos-Jundiaí. “Pegando um bonde para o Valongo, podia-se, nos horários determinados, tomar um trem e descer na Estação da Luz, uma viagem de 150 minutos, agradável, com belas paisagens e alta tecnologia para a época. Pode-se hoje, um século depois, ir de Santos ao centro de São Paulo em 150 minutos? Nem sempre”, conclui.
Baixada Santista
O movimento chegou na região, no dia 13 de junho, com protesto em Santos, que reuniu cerca de 400 pessoas. A tarifa não sofreu reajuste na Cidade. O que é reivindicado é a redução do valor da passagem municipal, além das intermunicipais, que em alguns casos é de R$7,40 (Guarujá e Bertioga).
Na região, quem precisa se deslocar de Santos para Praia Grande, por exemplo, sofre com esta realidade todos os dias, como é o caso da estudante do Senai, Bianca Batista, 21 anos, que utiliza a linha 927. “Na ida, o ônibus passa no horário certo. Mas para voltar espero mais de uma hora e pego lotado, isto quando o motorista não passa direto.O valor é abusivo, a qualidade não condiz com o preço. Deveria ter mais ônibus, mais pontualidade, pelo menos pagaríamos um preço para poder viajar uma hora e meia sentados”.
Quem passa pela mesma situação é a auxiliar de enfermagem Lidiane Santos, de 31 anos, com a linha 941 “Já sei o horário em que passa, por isso me programo, mas costuma atrasar bastante. Já tive problemas no trabalho por conta disso. Deveriam colocar mais carros na linha”.
Para quem se locomove entre Santos e Cubatão, o problema é idêntico. “A viagem é estressante não só por conta da rodovias quase paradas diariamente, mas por conta dos atrasos nos coletivos, falta de cobradores, e motoristas irritados com o salário baixo, trânsito e dupla função. Em relação ao valor da passagem, se comparado à quilometragem do trajeto oferecido em linhas municipais, é injusto. Em Cubatão, por exemplo, pagamos R$ 3,10, sendo que a cidade apresenta o menor percurso da Baixada”, acredita o fotógrafo Carlos Felipe dos Santos, de 22 anos.
Para Áureo Pasqualeto, uma grande melhoria ocorrerá com o início de operação do VLT, que será o fato mais importante desde o fim dos bondes no início da década de 1970. “O transporte da região tem muito a avançar, tanto nas cidades em si como nas integrações regionais”.
Para ele, o Laboratório de Mobilidade Urbana – LogMob, integrante do Parque Tecnológico de Santos, em fase de implantação, agregará novo potencial de inteligência acadêmica qualificada ao estudo dos problemas e soluções de circulação. “Ele auxiliará as autoridades municipais e regionais a um planejamento integrado do trânsito”, acredita.