Um bem precioso | Boqnews

Ponto de vista

Reprodução: Campanha global para destacar o valor da produção jornalística baseada em fatos
23 de setembro de 2024

Um bem precioso

Você já refletiu por que dedica atenção a um conteúdo – seja de caráter jornalístico ou de entretenimento?

O que prende sua atenção? O que a desvia? Quando você se conecta e se desconecta de um conteúdo? E por quê?

Todas essas perguntas têm relação com um dos bens mais preciosos de nossa era: o tempo.

A tecnologia pode avançar sem limites, com inteligência artificial, 5G, 8k ou 1000 mega de internet, mas tudo esbarra num simples e imutável fato da vida: as 24 horas do dia não são elásticas, não ao menos sem comprometer a saúde.

Então, é melhor que esse bem precioso seja despendido em algo que faça sentido em sua vida e a transforme positivamente, bem como a sociedade de uma forma geral.

Tais reflexões se tornaram cruciais para o modo de vida que teremos daqui para a frente.

Não é apenas a separação entre verdade e mentira, realidade e fantasia, que definirão o resto de nosso seculo, mas o que elas significam em termos práticos nas nossas vidas: a escolha entre democracias versus autocracias, populismo versus sinceridade, estabilidade versus desarmonia social.

A imprensa não é a solução para todos os dilemas de nossos tempos, mas tente imaginar um mundo sem ela.

Quem faria a depuração entre fatos e rumores? Como confiar em algo ou alguma instituição se não houvesse um certificado de credibilidade conferido por uma cobertura jornalística séria e independente?

Quem noticiaria o surgimento de um novo golpe cibernético nos quais pessoas perdem suas economias?

Quem investigaria corrupção e outros delitos quando os órgãos governamentais se mostram lentos ou negligentes?

Quem trataria das mazelas das big techs e dos riscos que as redes sociais impõem para a estabilidade emocional, política e econômica?

Finalmente, quem exporia o poder de corruptos e autocratas e as ameaças às democracias?

Como usar adequadamente o seu tempo ao se informar deveria ser uma pergunta a nos fazermos constantemente, seja para não cairmos nas armadilhas do engajamento de plataformas tecnológicas, seja para não desperdiçarmos nossa curiosidade com montanhas de inutilidades e futilidades.

Os produtores de jornalismo independente não são imunes a problemas, a começar pela sustentabilidade da atividade.

Com algumas poucas exceções, a imensa maioria dos veículos sobrevive com um modelo de negócios que sofre com a assimetria regulatória das plataformas de tecnologia.

Por estarem baseados na confiança, nenhum veículo também sobrevive abrindo mão da ética ou tornando elásticos seus conceitos de veracidade e responsabilidade na divulgação de conteúdos, como fazem as big techs..

De uma forma sintética, pode-se fazer uma analogia do fenômeno das big techs com o aquecimento global.

Em seus modelos de negócios, as grandes plataformas produzem como efeito colateral uma poluição social que ameaça a sanidade mental e a estabilidade do planeta.

Nada mais justo, portanto, que essas plataformas paguem uma taxa de sustentação do jornalismo profissional, que faz a limpeza de grande parte desta poluição social.

A lógica é simples: quem suja o ecossistema deve pagar pelo menos uma parte a quem limpa.

Essa pode ser a maior contribuição das big techs para o futuro do planeta: impedir, por meio do financiamento de um jornalismo diversificado, robusto e independente, que a humanidade siga marchando para o abismo, e nos levando juntos na esteira de crendices, charlatães e vigaristas variados que souberam tirar proveito das brechas abertas pelo universo dos algoritmos.

 

Marcelo Rech é presidente executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ)

Marcelo Rech
Marcelo Rech
A opinião manifestada no artigo não representa, necessariamente, a opinião do boqnews.com

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.