Quando a coordenadora-executiva do comitê paulista da Copa do Mundo 2014, Raquel Verdenacci, foi entrevistada pela Reportagem, no final de março deste ano, afirmou que as impressões sobre Santos “eram as melhores” quanto à campanha para se tornar uma das subsedes da competição mundial.
E, de fato, seleções de diferentes países se interessaram pela cidade. A Alemanha foi uma delas. E o que antes era ainda uma dúvida, agora é “90% de chances”, segundo a própria Prefeitura de Santos: a seleção mexicana, comandada por José Manuel de la Torre, deve mesmo se hospedar em Santos para treinar durante a Copa em 2014, faltando menos de um ano.
A confirmação virá com os resultados finais das eliminatórias da Concacaf. O México está na terceira colocação com oito pontos, mesmo número da Costa Rica, com a desvantagem no saldo de gols. Se o torneio terminasse hoje, o time se classificaria (se ficar em quarto, entra na repescagem).
Independente dessa escolha, Santos terá, de qualquer forma, um desafio assim como outras cidades de alto potencial turístico: deve estar preparada para fomentar estrutura hoteleira (e em outros setores turísticos) e, principalmente, de mobilidade urbana de qualidade.
Projetos para melhorar a infraestrutura da Cidade e para atrair turistas – pelo menos, na teoria – podem ser considerados ótimos. Porém, na prática, a demora no cronograma – alguns estão ainda em fase de estudo, fora do projeto executivo – revela uma situação de incertezas para uma boa receptividade e até mesmo na garantia de bom retorno financeiro turístico para a Cidade.
Museu Pelé
Considerada a atração turística mais esperada para a Copa – afinal, reunirá um exclusivo acervo do Atleta do Século – tinha previsão de conclusão no final de 2012. Mas orçado em R$ 28,5 milhões, ainda faltam R$ 6,3 mi para concluir a estrutura e obras do espaço.
Atualmente, o local se encontra na seguinte situação: a restauração do casarão que vai abrigar boa parte do acervo do Rei do Futebol, no Valongo, está 75% concluída, enquanto que os outros 25% só serão concluídos quando o restante (R$ 6,3 milhões) forem repassados como aporte financeiro final para a conclusão.
A corrida contra o tempo está dada. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) confirmou em junho deste ano que vai captar recursos para os R$ 6,3 mi restantes – o Banco já tinha antes liberado R$ 9 mi que foram destinados ao projeto que inclui os estágios de restauração e museografia.
Dessa forma, será feita a organização do equipamento turístico para que ainda tenha a chance de que tudo seja entregue até junho de 2014, quando a Copa se inicia. Após a conclusão da obra, ainda faltarão verbas para a museologia do local, ou seja, a aquisição dos equipamentos internos do espaço.
Terminal de passageiros
Esse é um dos aspectos mais complexos, pois Santos sendo a porta de entrada da economia do País indiretamente se torna uma referência para o turismo receptivo de estrangeiros provenientes de navios.
A obra de alinhamento da região do Outeirinhos é de 1.282,85 metros do cais, dividida em sete segmentos entre as proximidades da Marinha e o Terminal Marítimo de Passageiros. Estão previstas obras em 504,29 metros, que envolvem também a área de atracação dos navios. Isso permitirá que haja a capacidade de hospedagem de 15 mil pessoas em uma única vez nos navios atracados.
Atualmente, na temporada, o Porto de Santos recebe mais de 1 milhão de passageiros. “Pelo menos 70% das obras estão concluídas”, garante o presidente da Codesp, Renato Barco. Segundo ele, era difícil prever com antecedência alguns empecilhos durante essa intervenção – como, por exemplo, a mudança de local do terminal T-Grão.
Para acelerar o processo até 2014 – embora, de fato, a região de Outeirinhos não ficará completamente concluída – o Governo Federal (por meio da Secretaria de Portos da Presidência da República) financiará a obra de realinhamento do costado para atracação de navios, cujo investimento de R$ 235 milhões está previsto no PAC2.
A prefeitura pediu a inclusão do projeto Porto Valongo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Essas obras constituem em uma moderna revitalização urbana não só do bairro do Valongo, localizado na entrada da Cidade, mas também de mobilidade retroportuária, diminuindo os gargalos de acesso dos modais rodoviários.
Tal obra seria uma realidade bastante positiva para a região, se não fosse por um pequeno detallhe: os estudos ainda estão em fase de finalização. “Ainda não há previsão para as obras. É preciso que haja, ainda, uma audiência para a apresentação dos estudos em questão”, ressalta Barco. A data não foi definida.
Com o projeto apresentado em 2011 para 2012, ainda no governo anterior, a intenção era revitalizar a área que compreendia os armazéns 1 até o 8. Com a nova administração, se entendeu que a área de revitalização também deveria incluir outros bairros, como o Paquetá e a Vila Nova.
“Nunca se pensou no projeto diretamente para a Copa 2014”, explica o secretário de Assuntos Portuários de Santos, José Eduardo Lopes. “O Porto Valongo sempre foi pensado a longo prazo”, justifica. Quanto ao Mergulhão, outra importante obra que consiste na passagem subterrânea para caminhões no Valongo, e tem recursos reservados em R$ 300 milhões pelo PAC2, o contrato com a empresa vencedora da licitação para execução do projeto executivo foi assinado em abril de 2013, prevendo 13 meses para sua conclusão. “Após a conclusão do projeto executivo será realizado o processo licitatório para contratação das obras”, confirma Barco.
E sobre uma das questões mais polêmicas que influenciam todo o andamento de cidades da Baixada – a dos gargalos de infraestrutura na logística de acesso, o secretário Eduardo Lopes admite que o gargalo de acessos à Cidade para o próximo ano na época da Copa “vai piorar”.
“Infelizmente não é o que uma administração pública espera. Mas ter muitas obras é um reflexo inevitável. Precisamos saber lidar com isso”, prevê.