As perspectivas dos empregos diretos e indiretos nas áreas do pré-sal e porto são de 130 mil no Estado de São Paulo. Somado a essa realidade, somente em Santos, os próximos anos contarão com 150 mil habitantes a mais. Esses números fizeram com que fosse realizada a primeira reunião regional do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), na última semana, com o objetivo do resgate “vanguardista” de se urbanizar a região.
“A Baixada Santista, principalmente Santos, teve um bom desenvolvimento urbano a partir dos anos 20, com a inserção dos canais por Saturnino de Brito – e todo esse planejamento e assentamentos organizados na Zona Leste da Cidade foram exemplos de reforma urbana”, explica Lenimar Rios, arquiteta e urbanista, presente no evento, realizado na Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Baixada Santista. Com o crescimento populacional e desenvolvimento econômico desses setores na região, a categoria e o poder público precisam repensar em determinados instrumentos de integração da paisagem urbana para incluir com mais igualdade.
Bairros Planejados
Esse conceito surge a partir dos anos 60, nos Estados Unidos. “É uma discussão constante nas pautas das incorporadoras e desenvolvedores urbanos, mas também dos órgãos de governo em todas as esferas, visto que tem relação íntima com questões urbanas muito atuais, em especial a mobilidade urbana”, explica Ricardo Valls, especialista em estruturação de projetos imobiliários. Basicamente consiste em urbanizar as cidades do micro para o macro – ou seja, integrar moradias e conveniências importantes como hospitais, escolas, supermercados, entre outros aspectos. Valls também ressalta que esse tipo de urbanização não é um conceito de condomínio fechado e pode ser aplicado em qualquer cidade – até mesmo em São Paulo e na Baixada Santista “Isso porque ajuda a diminuir os gargalos de acesso, pois as pessoas conseguem estudar, trabalhar e morar no mesmo local”.
Um exemplo prático dessa urbanização no litoral paulista é a Riviera de São Lourenço. Mas apesar de atender a uma população com um alto poder aquisitivo, Valls enfatiza: “É preciso ter uma diversidade social, classes sociais diferentes morando de forma integrada. O problema é como você vai integrar. Se for como as favelas, sem segurança e infraestrutura, você perde o conceito”. Entra, portanto, o contexto da moradia popular de qualidade e os movimentos sociais.
Moradia popular
Se for possível falar de exemplo vanguardista em que a categoria dos arquitetos e urbanistas da região tentam resgatar, ele é concreto e fica numa região estratégica – Centro, Paquetá, próximo ao Porto de Santos e nas projeções econômicas do pré-sal. Essa realidade acontece no Projeto Vanguarda – da comunidade que mora nos cortiços do Centro de Santos e que surge da necessidade da luta por moradia digna. Liderada por Samara Faustino, coordenadora de projetos sociais e ex-presidente da Associação dos Cortiços do Centro (ACC), as moradias são construídas por meio de mutirão. Ou seja: são os próprios futuros moradores quem fazem um escalonamento e põem, literalmente, a mão na massa – construindo bloco por bloco e subindo de andaime em andaime.
“Tem sido uma luta diária. Vivemos fortes emoções desde 2009”, diz Samara, citando o ano em que o projeto começou a ser executado. Localizado na General Câmara, 113 apartamentos estão sendo construídos para a etapa inicial do empreendimento e mais 68 para a segunda e última etapa. Calcula-se que 14 mil pessoas (3% dos santistas) vivam neles. “Mas prevejo que o Vanguarda I, pelo menos, seja inaugurado em oito meses”, diz Samara, com alegria.
Com recursos disponibilizados pelo Crédito Solidário (Caixa) em R$ 3.390.000,00 dividido por 113 famílias que da 30 mil por unidade), pelo Estado (R$ 15 mil por unidade) e também via COHAB, o Vanguarda também concorre a um prêmio internacional da cidade de Dubai, a Un Habittat, que reconhece os melhores empreendimentos comunitários habitacionais.