A cada dia a sensação de segurança é roubada das pessoas a medida que novos casos de violência surgem. Em Santos, por exemplo, a tentativa de assalto pelos jovens que fizeram uma família refém na manhã da última segunda-feira (25) trouxe à tona o problema. Neste caso, um rapaz de 19 anos e um menor de 17 entraram em uma residência, na Rua José Gonçalves da Mota Júnior, uma pacata rua da Vila Belmiro, e – com a chegada da polícia – o menor, que já possuía uma extensa ficha de roubos e furtos, ficou na casa, armado, mantendo a família como refém por horas. Ninguém ficou ferido, mas o fato trouxe temor coletivo e será mais um que entrará nos índices policiais.
Analisando os dados de outubro publicados recentemente pela Secretária de Segurança Pública de São Paulo, se por um lado, pode-se comemorar a diminuição de homicídios dolosos (com intenção de matar) e até mesmo de furtos na região, do outro os números de roubos (quando há emprego da violência) geram preocupação, comparando o mesmo período de janeiro até outubro dos anos anteriores.
Na Baixada Santista, os roubos aumentaram 8% neste período, passando de 14.102 para 15.201. Das nove cidades da região, apenas Praia Grande apresentou uma redução nos números. A campeã foi Guarujá, com 3.489 até outubro deste ano, contra 2.588 no ano passado. A segunda é Santos, com 3.312 casos registrados, seguida de perto por São Vicente, com 3305 casos.
Em relação aos furtos – sem violência – as únicas cidades que tiveram aumento de casos registrados foram Bertioga, com 969 contra 895 do ano passado, e Peruíbe, com 1203 contra 1130 no mesmo período deste ano. A campeã, porém, de furtos é Santos, com 7.683, seguida de Praia Grande, com 4.139 e Guarujá, com 3.354.
De acordo o coronel aposentado da Polícia Militar, ex-secretário de Segurança de Santos e atual coordenador de Educação da Cruz Azul, Renato Penteado Perrenoud, o aumento dos roubos acontece por um conjunto de fatores. “Dois fatos, porém, influenciam diretamente no problema, que é a impunidade latente em relação ao criminoso contumaz e a falta de capacidade em reduzir o consumo de drogas, principalmente o crack”, ressalta.
De acordo com Perrenoud, o país precisa de uma reforma urgente na legislação penal, que hoje não atua direito nem na retenção nem na recuperação dos criminosos. Já em relação ao uso de drogas, um problema progressivo, o ex-secretário acredita que é fundamental que todas as esferas criem realmente serviços e programas que sejam capazes de solucionar a questão, que está diretamente ligada ao aumento no número de furtos e roubos não só na região, mas em todo o estado.
Santos
A Cidade, que apresentou crescimento de roubos, lançou – recentemente – uma série de investimentos para a área de segurança, como a ampliação e modernização do quadro de câmeras de monitoramento e a aquisição de novos veículos para a Guarda Municipal. “No verão, a Guarda Municipal atuará em conjunto com a PM em tendas, que serão montadas nos canais na orla”, ressaltou o secretário-adjunto de Segurança de Santos, Bruno Orlandi. A GM receberá oito quadriciclos e seis triciclos para atuar nas praias e ampliar a fiscalização na região. O processo de doação desses equipamentos está sendo concluído. Em relação ao número de câmeras, a intenção da prefeitura é que até agosto do próximo ano sejam instaladas mais 238.
Como denunciar?
Os levantamentos mostram parte da realidade, uma vez que nem todos que sofrem algum tipo de violência realizam boletim de ocorrência (BO). O ato de denunciar, neste sentido, é importante para que se crie um mapa que retrate cada vez mais o que acontece nas ruas. A Delegacia Eletrônica da Secretaria de Segurança de São Paulo permite ao cidadão, por exemplo, fazer BOs on-line, sem que seja necessário ir à delegacia. Pela internet é possível fazer boletim em relação a ameaça, crimes contra a honra (injúria, calúnia, difamação), furto de veículos, desaparecimento e encontro de pessoas, furto e perda de documentos e celulares, além de acidentes de trânsito sem vítimas. Para outros tipos de ocorrências, a solicitação deve ser feita em um distrito policial.