Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação
Ponto de vista
Resguardar as liberdades
Ao formar maioria em torno da decisão de que as plataformas que operam as redes sociais podem ser responsabilizadas pelas postagens ilegais feitas por seus usuários, o Supremo Tribunal Federal (STF) mais uma vez estimula o debate sobre um tema sensível e de extrema importância para a sociedade.
Isso porque, as tentativas de controle dos meios de comunicação sempre deram margem a entendimentos difusos e, de alguma forma, tem servido como instrumentos camuflados de censura prévia e de cerceamento à livre expressão da opinião.
Nesse contexto é importante que se reconheça a necessidade de criar diretrizes e mecanismos de transparência nas redes sociais e de serviços onde circulam mensagens privadas, para combater abusos e manipulações com potencial de causar danos individuais ou coletivos.
Experiências recentes comprovam os prejuízos causados em razão da manipulação da realidade, disseminação massiva de boatos e notícias falsas promovidos de forma deliberada e camuflada.
Nesse cenário agora se insere também o uso da Inteligência Artificial.
No entanto, o maior desafio, sem dúvida, será o de criar definições claras de limites de atuação e garantias de isenção a quem será dada a atribuição de realizar estudos, emitir pareceres e recomendações sobre as publicações, uma vez que dá margem ao surgimento de supostos donos da verdade, que em algum momento poderão servir como eficientes mecanismos a serviço de projetos de poder, modelando discursos e cerceando a livre circulação de informações.
O direito à opinião e à livre expressão é uma conquista das democracias e um fator preponderante para a manutenção das liberdades individuais.
Por essa razão, deve ser aceito e preservado com suas contrariedades e suas possíveis imperfeições.
É certo que conteúdos apócrifos, caluniosos e discursos de ódio, de apologia à pedofilia e ao terrorismo, que atentam contra pessoas e instituições devam ser condenadas.
Para tanto, já existem leis vigentes que asseguram a punição para os culpados, com as devidas reparações aos prejuízos morais e materiais causados.
A todo custo é preciso evitar que as práticas conhecidas de censura prévia e opressão a opiniões antagônicas sirvam como eficiente instrumento aos ideais totalitários e a ditaduras conhecidas, que invariavelmente só beneficiam a castas e aos amigos do poder.
A definição clara de limites de atuação e garantias de isenção é o grande desafio que está posto nesta discussão.
Por isso, é prudente que um debate dessa natureza mereça a atenção e a transparência necessárias para evitar arrependimentos futuros.
