A Saúde é um dever do Estado, como está na Constituição brasileira, ou melhor, deveria ser. A realidade - porém - é que falta capacidade para apenas o sistema público de saúde atender toda a população. Nas décadas de 40 e 50 começaram, então, a surgir os planos de saúde no Brasil. Hoje, os setores de planos e seguros de saúde são um dos maiores sistemas privados do mundo.
A ideia em adquiri-los deve-se à segurança proporcionada principalmente em momentos de emergência e a possibilidade de ter um melhor acompanhamento hospitalar, especialmente. O que em muitos casos, entretanto, acaba não acontecendo. Muitas vezes - pelo plano - não se consegue agendar consultas com rapidez ou mesmo fazer determinados exames.
Problema que enfrentou o bombeiro Anderson Magno das Neves em fevereiro. A mãe, que mora em Itanhaém passou mal durante um exame, e foi indicado que ela viesse a um hospital privado em Santos. Local onde foi detectado que ela estava com enzima no peito, considerado um princípio de ataque cardíaco. A equipe médica, preocupada com o que poderia acontecer, decidiu interná-la na UTI para que tivesse o acompanhamento adequado. "O plano médico negou atestando que não arcaria com a despesa (R$2.500 a diária, mais os medicamentos) alegando que se tratava de algo pré-existente e ela não teria dois anos de carência com o plano. O médico fez outra solicitação alegando que se tratava de algo emergencial. De nada adiantou", explicou.
Segundo Anderson, foram 12 horas esperando pela resposta, até que o hospital - ao abrir uma vaga - decidiu interná-la de qualquer maneira. O próximo passo era fazer um exame de cateterismo. "O valor era de R$ 4 mil e se algo acontecesse poderia subir para R$12 mil. Algo que também foi negado pelo plano", ressaltou. No dia seguinte, Anderson foi então até um advogado e explicou o caso.
Entraram com pedido na justiça e no mesmo dia o plano foi obrigado a arcar com todas as despesas sob pena de multa. "Fazemos planos de saúde para ter uma preocupação a menos na hora de uma emergência. Minha mãe fará dois anos em março com o plano e por conta de um mês eles não queriam arcar, mesmo ela sempre pagando as mensalidades em dia", conta.
Na época, Anderson ainda estava acompanhando a esposa que faz tratamento de câncer. "Todo este processo foi exaustivo. Fazendo uma comparação com o plano de saúde de funcionário público da minha esposa me impressiona como o atendimento dela é melhor. Eu sou dependente e não tenho do que reclamar. Pago R$ 60 por mês", ressalta.
Nesta semana, o advogado de Anderson entrou com uma ação por danos contra o Plano de Saúde, pedindo indenização por todo o problema causado. "De acordo com meu advogado, ações judiciais são importantes inclusive para ajudar a fiscalização da ANS. É um conjunto de ações em prol de melhores planos. Estamos analisando agora a possibilidade de migrar de plano", conclui.
Dados
Recente pesquisa - encomendada pela Associação Paulista de Medicina ao Instituto Datafolha-, por exemplo, concluiu que a maioria dos associados aos planos de saúde no Estado de São Paulo enfrentou dificuldades na hora em que precisou dos serviços contratados. Os problemas ocorreram nos dois últimos anos e o levantamento mostra que a deterioração do atendimento levou 30% dos pacientes a pagar por serviços particulares ou a procurar o Sistema Único de Saúde - SUS. A principal queixa diz respeito à sala de espera lotada em prontos-socorros, e a demora no atendimento, apontada por 66%.
Já no 8º ciclo do programa de avalização dos Planos de Saúde, realizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 10 operadoras conseguiram reativar todos os seus 77 produtos anteriormente suspensos pelo monitoramento da garantia de atendimento, porém, um total de 111 planos de 47 operadoras tiveram sua comercialização suspensa. A medida cautelar busca proteger indiretamente todos os usuários reais e potenciais da saúde suplementar e, diretamente, 1,8 milhões de consumidores.
De acordo com o médico Bruno Pompeu, que por 20 anos atendeu pacientes também pelas operadoras, a decisão em sair teve como base dois pontos principais: o baixo valor do pagamento e também por ser limitado por um auditor dos planos de saúde, que o impedia de solicitar determinados exames.
"Os planos de saúde precisam ser revistos. Atualmente cerca de 30% da população brasileira possui planos, o que desafoga o SUS, porém eles precisam ser reavaliados e melhor gerenciados para que os paciente recebam o que pagam e que os médicos também não sejam prejudicados", explica Pompeu.
Opção pela policlínica
A jornalista Andréa Fontana é um exemplo das pessoas que desistem dos seus planos. Com um plano de saúde intermediário de um hospital de Santos, Andréa percebeu logo no parto a diferença do atendimento e concluiu que seria melhor se fosse atendida pelo SUS. "O espaço do SUS era mais especializado e próprio para a maternidade, diferente da ala onde fiquei", conta.
Após o nascimento do filho Miguel, Andréa ainda insistiu com o plano de saúde e tentou marcar a primeira consulta, algo que só conseguiria para semanas seguintes. Tentou consulta então pela policlínica no Valongo, onde conseguiu na mesma semana.
"Eles possuem um programa de Aleitamento Materno que acontece todas as quintas-feiras de acompanhamento do bebê, que achei bem interessante. Todo o atendimento até agora foi feito pela policlínica. Para minha surpresa foi tudo muito mais rápido. Para ele, irei fazer adesão a outro plano de saúde por ter mais opções de médicos. Na policlínica como o atendimento é só na quinta-feira, daqui a pouco não terei esta disponibilidade", conta Andrea.
A Saúde é um dever do Estado, como está na Constituição brasileira, ou melhor, deveria ser. A realidade – porém – é que falta capacidade para apenas o sistema público de saúde atender toda a população. Nas décadas de 40 e 50 começaram, então, a surgir os planos de saúde no Brasil. Hoje, os setores de planos e seguros de saúde são um dos maiores sistemas privados do mundo.
A ideia em adquiri-los deve-se à segurança proporcionada principalmente em momentos de emergência e a possibilidade de ter um melhor acompanhamento hospitalar, especialmente. O que em muitos casos, entretanto, acaba não acontecendo. Muitas vezes – pelo plano – não se consegue agendar consultas com rapidez ou mesmo fazer determinados exames.
Problema que enfrentou o bombeiro Anderson Magno das Neves em fevereiro. A mãe, que mora em Itanhaém passou mal durante um exame, e foi indicado que ela viesse a um hospital privado em Santos. Local onde foi detectado que ela estava com enzima no peito, considerado um princípio de ataque cardíaco. A equipe médica, preocupada com o que poderia acontecer, decidiu interná-la na UTI para que tivesse o acompanhamento adequado. “O plano médico negou atestando que não arcaria com a despesa (R$2.500 a diária, mais os medicamentos) alegando que se tratava de algo pré-existente e ela não teria dois anos de carência com o plano. O médico fez outra solicitação alegando que se tratava de algo emergencial. De nada adiantou”, explicou.
Segundo Anderson, foram 12 horas esperando pela resposta, até que o hospital – ao abrir uma vaga – decidiu interná-la de qualquer maneira. O próximo passo era fazer um exame de cateterismo. “O valor era de R$ 4 mil e se algo acontecesse poderia subir para R$12 mil. Algo que também foi negado pelo plano”, ressaltou. No dia seguinte, Anderson foi então até um advogado e explicou o caso.
Entraram com pedido na justiça e no mesmo dia o plano foi obrigado a arcar com todas as despesas sob pena de multa. “Fazemos planos de saúde para ter uma preocupação a menos na hora de uma emergência. Minha mãe fará dois anos em março com o plano e por conta de um mês eles não queriam arcar, mesmo ela sempre pagando as mensalidades em dia”, conta.
Na época, Anderson ainda estava acompanhando a esposa que faz tratamento de câncer. “Todo este processo foi exaustivo. Fazendo uma comparação com o plano de saúde de funcionário público da minha esposa me impressiona como o atendimento dela é melhor. Eu sou dependente e não tenho do que reclamar. Pago R$ 60 por mês”, ressalta.
Nesta semana, o advogado de Anderson entrou com uma ação por danos contra o Plano de Saúde, pedindo indenização por todo o problema causado. “De acordo com meu advogado, ações judiciais são importantes inclusive para ajudar a fiscalização da ANS. É um conjunto de ações em prol de melhores planos. Estamos analisando agora a possibilidade de migrar de plano”, conclui.
Dados
Recente pesquisa – encomendada pela Associação Paulista de Medicina ao Instituto Datafolha-, por exemplo, concluiu que a maioria dos associados aos planos de saúde no Estado de São Paulo enfrentou dificuldades na hora em que precisou dos serviços contratados. Os problemas ocorreram nos dois últimos anos e o levantamento mostra que a deterioração do atendimento levou 30% dos pacientes a pagar por serviços particulares ou a procurar o Sistema Único de Saúde – SUS. A principal queixa diz respeito à sala de espera lotada em prontos-socorros, e a demora no atendimento, apontada por 66%.
Já no 8º ciclo do programa de avalização dos Planos de Saúde, realizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 10 operadoras conseguiram reativar todos os seus 77 produtos anteriormente suspensos pelo monitoramento da garantia de atendimento, porém, um total de 111 planos de 47 operadoras tiveram sua comercialização suspensa. A medida cautelar busca proteger indiretamente todos os usuários reais e potenciais da saúde suplementar e, diretamente, 1,8 milhões de consumidores.
De acordo com o médico Bruno Pompeu, que por 20 anos atendeu pacientes também pelas operadoras, a decisão em sair teve como base dois pontos principais: o baixo valor do pagamento e também por ser limitado por um auditor dos planos de saúde, que o impedia de solicitar determinados exames.
“Os planos de saúde precisam ser revistos. Atualmente cerca de 30% da população brasileira possui planos, o que desafoga o SUS, porém eles precisam ser reavaliados e melhor gerenciados para que os paciente recebam o que pagam e que os médicos também não sejam prejudicados”, explica Pompeu.
Opção pela policlínica
A jornalista Andréa Fontana é um exemplo das pessoas que desistem dos seus planos. Com um plano de saúde intermediário de um hospital de Santos, Andréa percebeu logo no parto a diferença do atendimento e concluiu que seria melhor se fosse atendida pelo SUS. “O espaço do SUS era mais especializado e próprio para a maternidade, diferente da ala onde fiquei”, conta.
Após o nascimento do filho Miguel, Andréa ainda insistiu com o plano de saúde e tentou marcar a primeira consulta, algo que só conseguiria para semanas seguintes. Tentou consulta então pela policlínica no Valongo, onde conseguiu na mesma semana.
“Eles possuem um programa de Aleitamento Materno que acontece todas as quintas-feiras de acompanhamento do bebê, que achei bem interessante. Todo o atendimento até agora foi feito pela policlínica. Para minha surpresa foi tudo muito mais rápido. Para ele, irei fazer adesão a outro plano de saúde por ter mais opções de médicos. Na policlínica como o atendimento é só na quinta-feira, daqui a pouco não terei esta disponibilidade”, conta Andrea.