O presidente da Autoridade Portuária, Anderson Pomini, usa o termo ‘desatar nós’ como forma de mostrar as mudanças que o Porto de Santos vem passando ao longo dos últimos anos.
E os desafios – alguns quase seculares – que têm enfrentado junto com sua equipe e colaboradores da empresa.
No cargo desde o início do governo Lula, Pomini sobreviveu à pressão política, comum para uma posição de destaque. E cobiça política.
Aliás, por curiosidade, o próprio Ministério dos Portos e Aeroportos mudou de comando no período.
Mas ele permaneceu incólume.
Homem de confiança do então ministro da pasta, Marcio França, hoje no Empreendorismo, ele permaneceu com moral elevado com o atual, Silvio Costa Filho.
E assim, pretende continuar desatando nós para deixar um legado à frente do 37º maior porto do mundo, segundo o Lloyd’s List.
Aliás, o único porto brasileiro entre os 100 mais do planeta, que movimentou no ano passado 179,8 milhões de toneladas.
“O gigante acordou”, definiu Pomini.
Em coletiva à Imprensa na manhã desta quinta (18) na sede da Autoridade Portuária, ele enumerou uma série de ações já realizadas ao longo da sua gestão, sempre enaltecendo o trabalho da equipe de profissionais que compõem a companhia.
“De uma empresa que estava para ser privatizada na gestão anterior, estamos mostrando resultados”.
O crescimento de 7,7% ao ano desde o início desta década é reflexo do aumento de investimentos.
De 2019 a 2023 (três últimos anos do governo Bolsonaro e o primeiro de Lula) foram R$ 71,78 milhões investidos.
Já de 2024 a 2028 (os três primeiros anos no governo Lula), R$ 12,5 bilhões.
“O Porto tem que ser eficiente. Não pode ter política partidária”, explicou.

Foto: Felipy Brandão
Cenário eleitoral
Aliás, ciente do cenário que se aproxima, ele sabe que mais cedo ou mais tarde também deixará o comando da empresa.
Afinal, as eleições de 2026 se aproximam.
Por sua vez, tanto França como Costa Filho deixarão os respectivos ministérios (Empreendedorismo e Portos & Aeroportos, respectivamente) até o final de março.
No máximo, início de abril.
Portanto, conforme ele, independente da escolha do seu sucessor, Pomini aposta na continuidade dos projetos.
“A ação da empresa busca lucro e resultados. E isso passa pela boa governança. Sempre que as ações avançam, todos serão premiados. E elas precisam ser continuadas e não interrompidas. O que garante a governança da empresa e de seus funcionários tem relação direta com os lucros e resultados”, acrescentou.
Defensor da equipe de profissionais da Autoridade Portuária, Pomini destacou que o Porto de Santos tem proporcionalmente um número reduzido de colaboradores em relação à movimentação e importância.
E comparou com dados de outros portos, como um na França (não disse qual!), onde esteve recentemente, com mais de 1.500 empregados, mas uma capacidade de movimentação bem inferior ao complexo santista.
Novos concursos
Em razão do PDV – Plano de Demissão Voluntária anunciado pela gestão anterior diante do então cenário de privatização da estatal, centenas de trabalhadores deixaram a empresa antes da chegada da atual equipe.
Assim, concursos ocorreram para suprir a carência – cerca de 200 novos empregados foram contratados ou estão em vias de serem chamados.
Mas Pomini não descarta novos concursos para acompanhar a demanda – e necessidade – do maior porto da América Latina.
Primeiro nó
Na prática, o primeiro nó começou a ser afrouxado com o leilão do túnel Santos-Guarujá no início do mês, obra aguardada há quase um século.
Mas foi o primeiro de vários desta corda secular e cheia de nós, que aguarda novos desembaraços.
Em termos concretos e práticos, o próximo começar a ser afrouxado no dia 9 de outubro.
Na ocasião, acontecerá a primeira reunião oficial envolvendo equipes da Autoridade Portuária, representantes das prefeituras e governo do Estado, comunidades afetadas de Santos e Guarujá com os dirigentes da portuguesa Mota-Engil, vencedora da licitação do túnel.
“Vamos discutir diversos assuntos, inclusive a capacitação para a geração dos empregos, que se integrarão com a comunidade local”, disse durante entrevista coletiva na tarde desta quinta (18) na sede da Autoridade Portuária.
No balanço apresentado à Imprensa, Pomini destacou que a obra vai gerar até 5 mil empregos ao longo de toda sua execução.
O canteiro de obras para a construção do túnel imerso tende a ficar sob o linhão (linha de energia) em Guarujá.
A previsão é que ele comece a ser instalado a partir de novembro próximo.
Mais projetos
Durante a apresentação, Pomini enumerou uma série de outros nós que estão sendo ‘desatados’, como definiu.
“O recurso é curto, principalmente para contemplarmos a todos. Mas usando criatividade, respeito e confiança, estamos conseguindo desatá-los”, afirmou.
“O Porto que se destaca é o que se integra com a Cidade”, acrescenta.
O dirigente elencou uma série de iniciativas realizadas – alguns ligadas diretamente à Autoridade Portuária.
Outras, porém, aguardam aval do Ministério dos Portos e Aeroportos, Antaq e até do TCU – Tribunal de Contas da União.
Confira
- Nova sede da Polícia Federal – será construída com recursos da APS e da iniciativa privada na entrada do canal do estuário, com previsão de entrega em 2027.
- Aprofundamento do canal do estuário para 16 metros – Projeto parado há 12 anos.
Início da derrocagem, ou seja, destruição ou retirada de rochas ao longo do estuário.
No dia 26 de setembro haverá a seleção das empresas participantes do edital para escolha de qual delas ficará encarregada do aprofundamento do canal de 15 para 16 metros.
- Viadutos na margem direita da Alemoa – Construção de dois novos viadutos, em parceria entre os governos federal e estadual, com participação da Ecorodovias. R$ 250 milhões investidos com recursos privados.
- Vila dos Criadores – Área de 580 mil m2 (pouco menor que o STS-10, onde vivem centenas de famílias. Última área nobre na margem direita do cais santista).
Troca pelo local para construção de moradias populares e transferência da sede da empresa Transbrasa, hoje no Marapé, para o novo espaço.
- Margem esquerda (Guarujá) – Projeto parado há 11 anos. Proposta básica em finalização, com obras de 3 quilômetros, com construção de ponte estaiada e investimentos de R$ 800 milhões.
Assim, será o fim do fluxo de caminhões nos 600 metros da Rua do Adubo.

Outras obras
- Parque Valongo – Entrega final da terceira etapa em abril/26 (foto acima/APS)
Área linear de 30 mil m2, onde estavam os armazéns 1 ao 4. Integração com o futuro terminal de passageiros.
- VTMIS – Objetivo de aumentar a segurança e eficiência no controle de embarcações, com previsão de aumento em 10% na capacidade de movimentação de cargas.
Projeto parado há 15 anos.
Assim, licitação marcada para 22 de setembro, para funcionamento a partir do primeiro semestre de 2026.

- Leilão STS-10 – Projeto tem previsão de licitação em dezembro, mas pode sofrer mudanças caso existam questionamentos jurídicos, algo comum em licitações públicas.
Futura empresa vencedora será responsável pela construção da estrutura do futuro terminal de passageiros, que deixará o Outeirinhos rumo ao Valongo.
Previsão é que 5 mil empregos sejam gerados de forma direta e indireta.
- Terminal STS 08 – Maior terminal de capacidade para graneis líquidos do Porto de Santos.
Leilão, que já resultou deserto em outra ocasião, voltará a ocorrer em novembro.
- Concessão da Usina de Itatinga – Atualmente, o local histórico gera 12 megawatts de energia. Meta é chegar a 29 megawatts.
Licitação prevista até o fim do ano, com contrato de 30 anos com a vencedora.
Proposta prevê três eixos a serem cumpridos pela futura responsável: repontecialização, com troca de dutos e 35 kms de linhas de energia.
Além de revitalização de 80 casas, estilo padrão inglês, com potencial turístico.
E ainda: investimentos em energia renovável, com tendência para uso do hidrogênio verde.
E ainda:
- Ampliação do cais da Ilha Barnabé: Projeto parado há 15 anos.
Plano de execução de obras para atendimento a navios que aguardam o descarregamento de combustível
- Pera ferroviária – Objetivo de redução do tempo de manobra dos trens na margem direita do Porto.
Assim, permitirá aumento em 20 milhões de toneladas na movimentação ferroviária.
Troca de área com a empresa Marimex, que irá para terreno portuário na entrada da Cidade, no Saboó.
“O diálogo e a transparência foram fundamentais neste caso”, salientou.
- Poligonal – Projeto de expansão dos 7,2 milhões de m2 para 20 milhões de m2 encontra-se no Ministério dos Portos e Aeroportos.
Expectativa é que o aval ocorra até o final deste mês.
“Será histórico”, destacou.
A proposta incluirá áreas em Santos, Guarujá, São Vicente, Cubatão para futura expansão portuária.
A definição poderá ser completa dentro da proposta apresentada pela Autoridade Portuária.
Ou por etapas em razão de limitações ambientais.
Concursos
- Concursos – Estudos iniciados para novos concursos.
“Se nós pretendemos implementar o Porto do futuro, precisamos estudar novos concursos públicos”, enfatizou.
- 5G e Gêmeo Digital – Conexão 5G remota para automação dos equipamentos do Porto de Santos. Já o Gêmeo Digital irá simular as ações do cotidiano em sistema computacional.
Ou seja, impactos e interferências práticas moduladas pelos computadores para antever o cenário futuro.
- Túnel Santos-Guarujá – Cinco mil empregos gerados. 80 mil pessoas beneficiadas. Ganhos logísticos para o Porto com redução de 72 mil toneladas de CO2/ano.
Porto de Santos atuará como articulador e interveniente da comunidade local, aprovando previamente e mitigando impactos regionais e operacionais.
Assim, ao lado da Antaq, a APS irá chancelar e acompanhar as etapas das obras
Dessa forma, após os 30 anos de concessão a partir da assinatura do contrato, obra voltará para a Autoridade Portuária.
- Escritório em São Paulo – Inauguração do escritório na Capital paulista. Previsão também de expansão para a Ásia.
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