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28 DE JANEIRO DE 2026

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Padre Manuel da Nóbrega, a Praça esquecida

Padre fundador de São Paulo, que ajudou a fundar outras diversas capitais brasileiras, estava ignorado pela Prefeitura de Santos

Por: Ronaldo Tarallo Jr.
Da Redação

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Uma praça localizada atrás de uma Basílica que mais parece um caminho que ligam as Ruas Nascimento e Padre Visconti, essa é a Praça Manuel da Nóbrega.

Assim, não confunda o Padre que ajudou a fundar diversas capitais brasileiras com o senhor, dono do velho e querido banco, também famoso por uma praça.

Há mais de 15 anos, o local não contava com uma placa de identificação.

No entanto, após está coluna descobrir a existência da praça quando contou a história da Praça Santo Antônio do Embaré (http://boqnews.provisorio.ws/etc/as-vias-da-orla-parte-2-praca-santo-antonio-do-embare/), passou a cobrar insistentemente o município, a colocação da chapa do logradouro, sendo enfim atendido no final de 2025.

QUEM FOI PADRE MANUEL DA NÓBREGA?

Missionário jesuíta português, Manuel da Nóbrega nasceu em Entre-Douro-e-Minho (região atualmente composta pelos atuais distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto e parte dos distritos de Aveiro, Viseu e Vila Real em Portugal), em 18 de outubro de 1517.

Assim, estudou Humanidades e formou-se bacharel em Cânones pela Universidade de Coimbra em 14 de junho de 1541.

Apelidado de “Cavalheiro da Triste Fala” por ser quase gago, recebeu sua Ordenação em 21 de novembro de 1544, aos 27 anos, ingressando na Companhia de Jesus e tornando-se pregador.

Viajou por Portugal, Galiza e Espanha na pregação do Evangelho.

VINDA PARA O BRASIL

Dessa forma, em 1549, a convite do rei dom João III, embarcou na armada de Tomé de Sousa rumo ao Brasil.

Portanto, chegou na Bahia em 29 de março de 1549, acompanhado de jesuítas.

Eele eles: Leonardo Nunes, João de Azpilcueta Navarro, Antônio Pires e dos irmãos Vicente Rodrigues e Diogo Jácome.

Dessa forma, deu início ao trabalho de catequese dos indígenas, combatendo o canibalismo e a exploração dos nativos pelos colonos.

FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO E OUTRAS CAPITAIS

Em 1553, visitou pela primeira vez o planalto de Piratininga, acompanhado do padre Manuel de Paiva e do irmão Antônio Rodrigues.

Assim, com André Ramalho, filho de João Ramalho, percorreu a região em busca do local ideal para fundar uma casa e escola dos jesuítas.

Escolheu o topo da colina de Piratininga, entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, próximo à aldeia de Inhapambuçu, chefiada por Tibiriçá. Ali rezou a primeira missa em 29 de agosto de 1553.

Na última semana de janeiro de 1554, Nóbrega retornou ao local e em 25 de janeiro, dia da conversão de São Paulo.

Dessa forma, lá celebrou nova missa e decidiu mudar o nome do colégio e da casa dos jesuítas de “Piratininga” para “São Paulo”.

Tal ato foi executado por ele, José de Anchieta e mais 13 companheiros, dando origem à futura Vila de São Paulo.

Portanto, participou também da fundação das cidades de Salvador e do Rio de Janeiro.

LUTA CONTRA ESCRAVIDÃO

Em 1555, viajou para São Vicente, mas a embarcação naufragou, sendo salvo pelos indígenas.

Nesse mesmo ano, foi investido no cargo de provincial do Brasil (cargo semelhante ao de chefe de uma Ordem católica ou de Bispo).

Assim, tornando-se o primeiro líder da Companhia de Jesus na colônia.

Assim, durante os anos seguintes, percorreu grande parte do litoral brasileiro, de São Vicente a Pernambuco, e estimulou a conquista do interior, ultrapassando a Serra do Mar.

Em 1558, convenceu o governador-geral do Brasil a promulgar leis de proteção aos indígenas, impedindo sua escravização.

Também solicitou ao rei dom João III a criação da primeira diocese no Brasil, o que resultou no envio de dom Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do país

MORTE E LEGADO

Em 1563, uniu-se a José de Anchieta na pacificação dos Tamoios em Iperoig, enfraquecendo o apoio indígena aos franceses.

Por problemas de saúde, foi substituído no cargo de provincial pelo padre Luís da Grã.

Padre Manuel da Nóbrega morreu no Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1570, no dia em que completava 53 anos. Ao longo de 21 anos, prestou relevantes serviços ao Brasil.

Sua obra escrita, tem grande valor histórico e literário.

Em suas cartas, registrou aspectos iniciais da história do povo brasileiro sob a ótica da catequese, abordando os costumes da sociedade tupinambá e a tentativa de eliminar práticas como o canibalismo.

Seu “Diálogo sobre a conversão do gentio” é considerado o primeiro texto em prosa escrito no Brasil é visto por estudiosos como uma das principais obras literárias do século XVI no país.

A PRAÇA

Localizada no Embaré, atrás da Basílica que dá nome ao bairro, foi criada em homenagem à sua memória, em sessão da Câmara de 6 de outubro de 1925.

Inicialmente aprovada e oficializada como a Praça em frente da igreja, mas posteriormente, a lei nº 3.183, de 8 de outubro de 1965, trocou sua localização com a Praça de Santo Antônio do Embaré, então localizada atrás da paróquia.

Na Baixada Santista, apenas Cubatão e Guarujá não homenageiam o padre catequista em seus logradouros, no entanto a primeira é cortada pela rodovia que leva o nome do sacerdote e que liga diversas cidades da região.

 

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