Fantasias compradas? Glitter, purpurina e adereços separados? Todos com samba na ponta do pé? Então abram alas, que já é carnaval em Santos!
A cidade comemora a data uma semana antes da data oficial desde 2016, quando foi homenageada pela escola de samba do Rio de Janeiro, Grande Rio.
E falando em desfile de escola de samba, a terra fundada por Braz Cubas tem endereço fixo para a passagem dos carros alegóricos desde 2006, a Avenida Afonso Schmidt.
Passarela do Samba
Os primeiros registros do Carnaval em Santos são século XIX.
A partir de 1939, com o centenário da elevação de Santos à condição de cidade, surgem os primeiros blocos e, posteriormente, as escolas de samba.
O primeiro desfile não oficial ocorreu em 1947, já o primeiro desfile oficial foi realizado em 1956.
A partir de meados do século XX, os desfiles passaram a adotar o formato tradicional, com alegorias, alas e passistas.
Nos primórdios, os desfiles aconteceram nas ruas General Câmara, João Pessoa e Rangel Pestana.
Entre as décadas de 1970 e 1980, passaram para as avenidas Conselheiro Nébias e Ana Costa.
No fim dos anos 1980 até o início dos anos 2000, o Carnaval foi transferido para a orla da praia, com desfiles nas avenidas Bartolomeu de Gusmão (entre os canais 5 e 6), Vicente de Carvalho e Presidente Wilson (entre o canal 1 e a divisa).
Em 1995, a Passarela do Samba passou a se chamar Dráuzio da Cruz, em homenagem ao sambista.
Assim, você pode conferir mais detalhes na nossa coluna do ano passado.
Em 1998, os desfiles ocorreram na Avenida Perimetral, por determinação do Ministério Público, que proibiu eventos na orla.
Em 2000, mediante liminar da Prefeitura, ocorreu o último desfile na praia, após a não realização do Carnaval em 1999.
Entre 2001 e 2005, o Carnaval com escolas de samba deixou de ocorer e há 20 anos foi inaugurado o Sambódromo de Santos, na Avenida Afonso Schmidt, no bairro Areia Branca, local que abriga os desfiles até os dias atuais.

Avenida Afonso Schmidt onde funciona a Passarela do Samba Dráuzio da Cruz. Foto: Ronaldo Tarallo Jr/Colaborador
Quem foi Afonso Schmidt?
Afonso Schmidt foi escritor, jornalista e poeta, considerado um dos grandes nomes das letras brasileiras.
Nasceu em 29 de junho de 1890, em Cubatão, então distrito da cidade de Santos.
Era filho de João Afonso Schmidt e Odília Brunckenn Schmidt, descendente de um mercenário alemão que servira no período imperial, governado por Dom Pedro I.
Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, passando a viver no bairro do Brás.
Foi ali, por volta de 1904, que teve seu primeiro contato marcante com as letras, quando ganhou de um colega uma pequena impressora.
Durante as férias em Cubatão, tentou produzir um pequeno periódico, experiência que despertou definitivamente seu interesse pelo jornalismo.
Zig-zag profissional
Com menos de 16 anos, já colaborava com jornais do interior paulista e, junto com Oduvaldo Viana, fundou o semanário Zig-Zag.
Prestou prova para a Faculdade de Direito de São Paulo, mas não concluiu o curso.
Trabalhou ainda como puxador de trena nas obras da Estrada de Ferro Santos–Jundiaí.
Em 1907, com poucos recursos e muita ousadia, viajou para a Europa, passando por Lisboa e depois Paris, onde conseguiu emprego em uma editora de dicionários francês-português.
Assim, apesar das dificuldades financeiras, permaneceu cerca de um ano no continente europeu antes de retornar ao Brasil.
De volta a Santos, decidiu dedicar-se integralmente ao jornalismo.
Fundou o jornal Vésper e publicou, em 1911, seu primeiro livro de poesias, Janelas Abertas.
Em 1913, retornou à Europa, estabelecendo-se em Milão, onde trabalhou como correspondente em língua portuguesa.
Com o início da Primeira Guerra Mundial, regressou ao Brasil.
Carreira de Jornalista
A partir de então, consolidou sua carreira jornalística e literária.
Trabalhou em importantes veículos como A Tribuna, Diário de Santos, Folha da Noite e O Estado de S. Paulo, jornal no qual publicou em formato de folhetim romances como Zanzalá, A Marcha e A Sombra de Júlio Frank.
Em 1920, atuou no Rio de Janeiro como diretor do jornal A Voz do Povo, ligado ao movimento operário.
Semana de Arte Moderna
Embora não tenha participado da Semana de Arte Moderna de 1922, integrou um grupo que já rompia com o academicismo, ao lado de Monteiro Lobato, seu amigo pessoal.
Ao longo da vida, escreveu mais de quarenta livros, transitando pela poesia, romance, crônica histórica e fantasia.
Assim, foi pioneiro da ficção científica no Brasil com Zanzalá e, como poeta parnasiano, destacou-se por denunciar desigualdades e injustiças sociais.
Vida Militante
Foi sócio fundador do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, membro e presidente da Academia Paulista de Letras, além de integrante do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e patrono de diversas instituições culturais.
Militante ativo, participou de periódicos libertários como A Plebe e A Lanterna, realizou campanhas contra o fascismo e o clericalismo.
Assim, ele chegou a ser preso diversas vezes por expressar suas convicções políticas.
Homenagens e morte
Afonso Schmidt faleceu em 3 de abril de 1964, na cidade de São Paulo, aos 73 anos.
Entre os reconhecimentos, recebeu em 1950 prêmio da revista O Cruzeiro pela obra Menino Felipe e, em 1963, o troféu Juca Pato, concedido pela União Brasileira de Escritores, como Intelectual do Ano.
Portanto, em sua homenagem, o Dia do Escritor Paulista é celebrado em seu aniversário.
Aliás, em Cubatão, seu nome batiza a Semana Afonso Schmidt, a Banda Sinfônica Afonso Schmidt, o Coral Zanzalá, além de ruas, praças, escolas, bibliotecas e monumentos em diversas
A Avenida
Com cerca de 1.260 metros, localizada na Zona Noroeste, corta os bairros Areia Branca e Jardim Castelo.
A então Avenida 702 recebeu o atual nome em 26 de fevereiro de 1965, após o então Prefeito Fernando Ridel, sancionar a lei 3.083.
Na Baixada Santista, apenas Cubatão, cidade natal de Schmidt, e Praia Grande também homenageiam o jornalista.
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