A campanha Março Lilás reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de colo do útero. Apesar dos avanços na vacinação, muitas brasileiras ainda desconhecem a relação entre o HPV e a doença.
Uma pesquisa realizada pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, em parceria com o Instituto Locomotiva e apoio da farmacêutica ESD, revelou que 6 em cada 10 mulheres não sabem que o HPV pode causar câncer de colo do útero. Além disso, 4 em cada 10 não sabem como prevenir o vírus.
O estudo ouviu 831 brasileiras, entre 18 e 45 anos, das classes A, B, C e D, em todas as regiões do país.
De acordo com dados divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde, apenas em 2022 cerca de 78 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer de colo do útero nas Américas, e 40 mil morreram em decorrência da doença.
Sintomas e importância do diagnóstico precoce
Na maioria dos casos, o HPV em mulheres é assintomático. Mesmo assim, alguns sinais podem indicar a presença do vírus.
Entre eles estão verrugas genitais na vulva, vagina, colo do útero ou ânus, além de sintomas como coceira, ardor ou sangramento. Alterações também podem ser identificadas por meio do exame de Papanicolau, fundamental para o diagnóstico precoce.
A ginecologista Dra. Fernanda Nassar destaca que o acompanhamento médico regular é essencial para a saúde feminina.
“A realização periódica de consultas e exames é indispensável para identificar alterações ainda no início. Isso aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz. Outro ponto essencial é a vacinação contra o HPV, vírus responsável por cerca de 99% dos casos de câncer de colo do útero”, explica.
Vacinação contra o HPV no Brasil
No Brasil, existem dois tipos de vacina contra o HPV. A quadrivalente, disponível na rede pública de saúde, e a nonavalente, oferecida na rede privada. Ambas protegem contra o câncer de colo do útero e outros tumores associados ao vírus.
Segundo a especialista, a imunização não deve ser vista apenas como uma medida preventiva para adolescentes.
“A vacinação contra o HPV também pode trazer benefícios para mulheres adultas. A imunização ajuda a proteger contra os tipos mais agressivos do vírus. Por isso, orientamos que as pacientes conversem com seus ginecologistas para avaliar a indicação da vacina, que continua sendo uma ferramenta fundamental na prevenção do câncer de colo do útero e de outros tumores associados ao HPV”, conclui.