População sofre com quebra de aparelho de Hemodinâmica no Hospital Guilherme Álvaro
Quebrado há meses, o aparelho de hidrodinâmica do Hospital Guilherme Álvaro usado pelos usuários do SUS da Baixada Santista e Vale do Ribeira têm trazido sérios transtornos à população.
A situação tem pressionado o sistema de atendimento hospitalar, pois com a falta do equipamento, o único disponível para atendimento a pacientes SUS da região, a rotatividade de vagas na rede hospitalar tem sido prejudicada.
O Estado, por sua vez, assegura que um novo aparelho será instalado até o final deste ano.
O equipamento serve para fazer exames cardíacos, cerebrais e arteriais, como cateterismo cardíaco, angioplastia, e casos semelhantes.
Prefeitos reclamam da situação e dos transtornos trazidos à rede hospitalar em suas cidades.
Suporte
“A gente perdeu o suporte do Guilherme Álvaro, que fazia bem nas áreas de cardiologia e oncologia”, lamentou o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, durante participação no Jornal Enfoque.
Conforme ele, pacientes com problemas coronários acabam aguardando por semanas internados para fazer o exame de cateterismo, ocupando leitos e dificultando a rotatividade no sistema Cross – Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo
“Um paciente internado consome gastos de R$ 2 mil por dia”, explica.
“Todo dia chega alguém que com suspeita de infarto. E como ele não fez exame de cateterismo, o que vai acontecer?”, indaga.
“Ou ele vai ter um exame e vai identificar que ele está com as veias obstruídas e nessa hora do exame acaba desobstruindo”, acrescenta.
“Ou identifica-se que há necessidade de instalar um, dois ou mais stents. E se ele tiver um problema mais sério, terá que ir para um centro de referência muito maior”.
E aí, segundo ele, entra o Hospital Guilherme Álvaro, referência regional SUS.
Segundo Mourão, para atender entre 10% a 12% das pessoas que encontram o quadro mais grave decorrentes da doença.
Déficit histórico de leitos
Com a falta do equipamento, Mourão pediu aos profissionais da prefeitura que busquem contatos com hospitais particulares.
Assim, o objetivo é obter vagas para atendimento aos pacientes do município até a solução definitiva do problema.
Afinal, chama atenção o volume de pacientes internados no Hospital Irmã Dulce que aguardam definições para intervenções cirúrgicas diversas.
Como resultado, isso dificulta a rotatividade de vagas e aprofunda a falta de leitos na região.
Aliás, número estimado em 1.700, com base na relação população x leitos públicos, conforme determina a Organização Mundial de Saúde (OMS).
“A gente identificou só no nosso hospital (Irmã Dulce) 47 pacientes com mais de 180 dias internados”, destacou.
Confira a entrevista completa ao Jornal Enfoque
São Vicente
Situação semelhante também apontada pelo prefeito da cidade vizinha, São Vicente, Kayo Amado.
Ele também participou e falou sobre o assunto no Jornal Enfoque.
“Somente nesta semana, pelo menos duas famílias entraram em contato pelas minhas redes sociais falando sobre este problema”, destacou.
“Não dá para esperar até o final do ano para algo tão urgente”.
“A gente fica recebendo as pessoas, fazendo gestão, mas no fim das contas é um funil apertado para passar muita gente que precisa”, enfatiza.
Segundo ele, a secretária de Saúde do município, Michelle Santos, tem cobrado ações do Estado para criar alternativas para atendimento dos pacientes que aguardam atendimento mais complexo na área cardíaca.
E assim, preencher a lacuna pela falta do aparelho de Hemodinâmica, como a formalização de parceria urgente com hospitais privados e filantrópicos para garantir leitos até a solução definitiva do problema no Hospital Guilherme Álvaro.
Confira a entrevista concedida ao Jornal Enfoque.
1/3 das mortes
Assim, o fato foi também comentado pelo vereador e médico Marcos Caseiro, que atende no hospital.
Ele gravou vídeo no último dia 14 de agosto em suas redes sociais denunciando a situação.
“1/3 das mortes na região são decorrentes de eventos cardiorrespiratórios e o principal deles são as doenças coronarianas. E o único hospital público que atende toda a região está com o aparelho de hemodinâmica quebrado há mais de dois meses”, denunciou à época.
“Como médico há 37 anos, considero preocupante que um serviço tão importante permaneça indisponível por tanto tempo”, acrescentou.
Confira o vídeo:
https://www.instagram.com/reel/DcCBrk7zSiu/?igsi=aXFtcHdjM3dieWxo
Santos
Apesar dos pacientes de Santos não serem atendidos por este equipamento no Hospital Guilherme Álvaro em razão de contratação do serviço municipal com hospitais filantrópicos da Cidade, a Secretaria de Saúde de Santos reconhece que a quebra do aparelho tem trazido transtornos gerais.
“A Secretaria de Saúde de Santos informa que, por conta deste problema envolvendo o aparelho de hemodinâmica do HGA, houve aumento na demanda do Município para este tipo de atendimento e o tempo de agendamento para procedimentos de hemodinâmica na parte cardiológica tem levado aproximadamente 20 dias”, destacou, em nota.
Hospital Guilherme Álvaro
Também em nota, a Secretaria de Saúde do Estado assegura que a aquisição de um novo equipamento.
“O Hospital Guilherme Álvaro informa que adquiriu um novo aparelho de Hemodinâmica, mais moderno e com maior capacidade de atendimento”.
“Neste momento, o hospital realiza todas as adequações necessárias na estrutura física e nos sistemas de biossegurança para a instalação do novo equipamento que tem previsão de entrega até o final do segundo semestre deste ano”.
Durante esse período, todos os pacientes em tratamento que necessitam do exame recebem atendimento normalmente, por meio de encaminhamento para hospitais de referência, garantindo a continuidade da assistência”, assegurou em nota.
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