Ações de bancos perdem e Bolsa tem terceira queda em quatro dias
Pressionado por ações de bancos, o principal índice da Bolsa brasileira fechou hoje em queda. O Ibovespa teve perda de 0,27%, para 53.907 pontos. Foi a terceira queda em quatro dias.
“A Bovespa subiu muito ontem (1,79%) por sinais de que o governo chinês vai continuar agindo para manter a economia aquecida, o que abriu espaço para uma ligeira correção hoje”, diz Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora.
O Ibovespa oscilou entre leves altas e baixas durante boa parte do dia, mas intensificou a perda na última hora de pregão após o presidente do PT, Rui Falcão, ter afirmado à Bloomberg que o governo poderá, num eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, discutir controle de capital mais rígido.
Os papéis preferenciais, sem direito a voto, de Itaú Unibanco e Bradesco tiveram quedas de 0,61% e 0,49%, respectivamente. Juntos, eles representam cerca de 17% do Ibovespa.
Também no vermelho, as ações preferenciais da Vale cederam 0,11%, estimuladas por dados mais fracos da economia chinesa apresentados pela manhã e após terem subido mais de 4% ontem, com expectativa por reforma no mercado de capital da China -o principal destino de suas exportações.
A oscilação do Ibovespa teve influência da ação preferencial da Petrobras, que chegou a subir quase 2% no dia, mas fechou em baixa de 0,39%.
Segundo analistas, os investidores já começam a aumentar o volume de negócios com esses papéis diante da proximidade do vencimento de opções sobre ações na próxima segunda-feira, o que justifica o sobe e desce.
As ações da Oi lideraram as maiores quedas do Ibovespa, com desvalorização de 4,25%. A Citi Corretora divulgou relatório recomendando a venda desses papéis, com preço-alvo de R$ 1,8 para o fim do ano -cerca de R$ 1 menor que o valor atual. A equipe de análise da Citi destacou os desafios da companhia após a fusão com a Portugal Telecom.
Ainda entre as perdas, a CPFL Energia cedeu 1,36% refletindo a queda de 57% de seu lucro líquido nos três primeiros meses de 2014, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Com o quarto maior peso no Ibovespa, de 5,8%, a Ambev encerrou o dia de hoje com baixa de 0,48% mesmo após o governo federal ter adiado por três meses o aumento de tributos sobre a cerveja e outras bebidas frias, como isotônicos e energéticos.
Já a ponta positiva do índice foi encabeçada pelas ações da produtora de celulose Suzano, com avanço de 3,87%. A companhia teve a avaliação elevada pelo JP Morgan de desempenho neutro para acima da média do mercado.
CÂMBIO
No câmbio, o dólar operou em queda durante boa parte do dia refletindo dados mais fracos da economia americana e a perspectiva de que o banco central alemão apoie um plano de afrouxamento monetário na zona do euro. A moeda, no entanto, reduziu a desvalorização no final do pregão diante das sinalizações dadas pelo presidente do PT.
Assim, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,41% sobre o real, para R$ 2,210 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, registrou ligeira baixa de 0,04%, para R$ 2,215.
O Banco Central continuou com suas intervenções diárias no mercado, através de um leilão de 4 mil contratos de swaps cambiais (operação que equivale à uma venda futura de dólares), por US$ 198,3 milhões.
A autoridade também promoveu um leilão para rolar mais 5 mil contratos de swaps que venceriam em 2 de junho, por US$ 247,6 milhões.