Tragédia não é empecilho para futuro aeroporto, dizem especialistas
Na última quarta-feira (13), a tragédia que abalou o bairro do Boqueirão, em Santos, com a queda da aeronave que transportava o candidato à presidência pelo PSB Eduardo Campos e outras seis pessoas, entre equipe e pilotos, abre a discussão se a região da Baixada Santista é realmente uma rota segura para o trânsito de aeronaves em razão das características geográficas e elevado índice de pluviosidade.
O tema ganha relevância, uma vez que está em estudo – pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) – o projeto do aeroporto Civil Metropolitano de Guarujá, a ser instalado na área da Base Aérea de Santos, e que implicará na ampliação do número de viagens e também na capacidade dos modelos.
Neste acidente, porém, especialistas de análise de riscos como Moacyr Duarte – em entrevistas a redes nacionais de televisão – acreditam mais em uma falha catastrófica da aeronave por algum motivo, até pelo suposto ângulo de queda, do que propriamente por motivos geográficos ou de clima.
O mesmo acredita o professor de Direito Ambiental da Unaerp e membro do Instituto de Segurança Socioambiental (ISSA), localizado em Guarujá, João Leonardo Mele. “Precisamos esperar pela conclusão das análises, que pode demorar. Mas acredito que a questão da localização geográfica não terá muita influência”, ressalta.
De acordo com Mele, estudos estão sendo realizados para implantação do novo aeroporto, que tem importância para o desenvolvimento regional. “Com certeza, por conta do acidente em si, outros fatores serão considerados na hora da liberação e das regras do local”, explica.
Já em relação a localização do o aeroporto, ele lembra que grande parte destes espaços mesmo construídos longe de centros urbanos – tanto no Brasil como em outros países – as cidades acabaram se aproximando deles por conta do desenvolvimento. E outros já foram construídos dentro das cidades, o que faz com que a região não seja uma exceção ou se torne perigosa para os munícipes.
“Além disso, por estar próximo ao complexo de serras (Serrra do Mar), ter uma extensa área vegetal e um grande espelho d´água, as opções para fugir da cidade são grandes. Temos complicadores também com a região portuária e petroquímica”, acredita.
Para ele, a questão geográfica da região, com dias de bastante neblina, também não pode ser um fator preocupante para a população. “Não é um entrave para se construir o aeroporto por não trazer impedimentos, tendo como base – por exemplo – que com aeronaves cada vez mais modernas, ter visibilidade da área se torna indiferente. O Aeroporto de Guarulhos, por exemplo, apresenta incidência maior de neblina e nem por isso acidentes acontecem”, ressalta.
Secretaria de Aviação Civil
De acordo com nota do SAC, o Aeroporto de Guarujá faz parte do Programa de Investimento em Logística: Aeroportos, da Secretaria de Aviação Civil. Ele ainda está em fase de Estudo de Viabilidade Técnica, que avalia se existe algum entrave legal ou ambiental para o andamento da obra. Nas próximas etapas, o estudo será detalhado. Só então pode ser lançada a licitação para contratar a empresa de engenharia que será responsável pela obra. Na atual fase, ainda não é possível detalhar a nova estrutura
