Em jogo da seleção, Lais Souza mostrará projeto que estuda cura da paralisia
A ex-ginasta Lais Souza, que ficou tetraplégica após sofrer acidente no início do ano, será convidada especial antes da partida da noite de sexta-feira (5) entre Brasil e Colômbia, no Sun Life Stadium, em Miami.
Ela entrará em campo ao lado de Mark Buoniconti, que sofreu um acidente quando jogava futebol americano universitário, nos anos 80, e também ficou tetraplégico.
Eles apresentarão ao público (são esperados mais de 70 mil pessoas para o jogo) o Miami Project, fundação que faz estudos para a cura da paralisia e onde Lais está em tratamento neste momento -e que, claro, depende também de doações. Um dos doadores é o piloto brasileiro Helio Castroneves.
Lais, 25, se acidentou no dia 27 de janeiro, quando se preparava para competir nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, que foram disputados em Sochi, na Rússia.
Ela já havia participado das Olimpíadas de 2004 e 2008 na ginástica artística e em Sochi competiria no esqui aéreo.
Em um treinamento, Lais se chocou contra uma árvore, lesionou a coluna e ficou paralisada do ombro para baixo.
Lais é uma das pacientes especiais do Miami Project, criado pelo pai de Buoniconti, Nick, e o médico Barth A. Green e que conta com mais de 300 cientistas procurando métodos para a cura da paralisia e para a melhora da qualidade de vida de acidentados.
Ela foi, por exemplo, a primeira pessoa nos EUA autorizada a receber tratamento com células tronco, já recebeu duas injeções, e será aplicada uma terceira no final deste mês. É um dos tratamentos que os médicos que acompanham a brasileira pretendem realizar com a ex-ginasta.
“O tratamento com a célula tronco diminui a inflamação e recupera algumas das células que estão machucadas. O outro tratamento são as células de Schwann, que são células nervosas que retiramos da perna do paciente, injetamos na coluna e tentar recuperar a lesão na medula para o estímulo voltar a passar. Este ainda precisa de aprovação”, explicou o médico Antonio Marttos, que acompanha a brasileira em Miami.
Lais já sente semanalmente gratas surpresas, como ela mesmo disse. “A sensibilidade tem aumentado. Esta agora é a minha Olimpíada, continuo sendo uma atleta e agora minha prova é conseguir evoluir o máximo que puder”, disse Lais Souza.
Marttos disse que o objetivo é que ela consiga recuperar o movimento dos braços, mas que isso pode demorar alguns anos.
Lais sofreu o acidente em Salt Lake City, cidade norte-americana onde treinava para os Jogos de Inverno, mas ficou internada o tempo todo em Miami, onde estão os principais centros médicos do mundo para recuperação de paralisia. Ela recebeu alta em junho, mas já havia iniciado o tratamento.
O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) está pagando a permanência dela e de familiares nos EUA e o tratamento. Não foram revelados valores. Após receber a terceira injeção de célula tronco, ela deverá retornar ao Brasil.
“Estou com muita saudade. Não sei nem o que pensar quando puder rever as pessoas no meu país”, disse a brasileira.
Lais recebeu uma camisa da seleção brasileira assinada pelos jogadores que estão em Miami para participar do amistoso desta sexta-feira (5) contra a Colômbia.
O presidente foi entregue pelo coordenador de seleções da CBF, Gilmar Rinaldi -a camisa ficará com Lais e não será usada para leilão para arrecadar fundos para o Miami Project.
“Adoro futebol. São atletas também”, disse Lais.