Santos terá manifestações contra o governo neste domingo (15)
O domingo (15) será marcado por manifestações em diferentes cidades do País. A principal bandeira levantada será pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em eventos organizados utilizando a rede social Facebook, mais de 100 mil pessoas estão confirmadas para os atos em São Paulo. Na região, o evento programado para Santos terá concentração no Posto 2, na Pompéia, às 14 horas. O encerramento será às 18 horas, na Praça Independência, no Gonzaga.
De acordo com o professor da USP e especialista em crise política e impeachment, Brasílio João Sallum, as manifestações são legítimas e acontecem por uma sucessão de fatores, tendo em vista principalmente as denúncias envolvendo a Petrobras.
Segundo Salllum, é praticamente impossível que as manifestações resultem realmente em impeachment da presidente, entretanto possuem importância influenciando todo o cenário político atual.
“As manifestações darão força para a atuação política oposicionista. Quem era de oposição se fortalece e quem estava sem posição opta por se aliar aos contrários ao governo”, explica. Para Sallum, a crise ecnômica e política está muito forte e o eleitorado (principalmente composto por pessoas que possuem acima de dois salários minímos) está insatisfeito com o tipo de estratégia presidencial desde que assumiu o novo mandato.
Além disso, Sallum acredita que dentro do próprio governo as atitudes da presidente influenciaram negativamente neste cenário. “A presidente assumiu posturas que fizeram com que no próprio governo perdesse aliados, como a questão do plebiscito para a reforma política. A aliança dentro do próprio partido, optando por um grupo minoritário, da democracia socialista, também contribui com este cenário”, acredita.
Declaração
No último dia 9, a presidente Dilma Rousseff considerou naturais de um país democrático os protestos contra ela e o governo ocorridos no último domingo (8), mas disse que não há razões para que o conteúdo dessas manifestações sejam pedidos de impeachment.
“Aqui [no Brasil] as pessoas podem se manifestar. Eu sou de uma época em que se a gente se manifestasse, acabava na cadeia, podia ser torturado ou morto. Chegamos à democracia e temos que conviver com a manifestação. O que nós não podemos aceitar é a violência”, declarou em entrevista coletiva
“Acho que há que caracterizar as razões para impeachment, e não o terceiro turno das eleições. O que não é possível no Brasil é a gente também não aceitar a regra do jogo democrático”, destacou.