Pescadores de locais atingidos pelo incêndio vivem incertezas | Boqnews
Foto: Ecofaxina
17 de abril de 2015

Pescadores de locais atingidos pelo incêndio vivem incertezas

Dias após o início do fogo, toneladas de peixes mortos apareceram em rios que cercam a região

Dias após o início do fogo, toneladas de peixes mortos apareceram em rios que cercam a região

Foram necessárias quase 200 horas para apagar o incêndio que atingiu tanques da empresa Ultracargo, no Distrito Industrial da Alemoa. No entanto, os prejuízos ainda serão sentidos por ainda mais tempo, sobretudo os ambientais. Especialistas apontam uma média de cinco anos para que a natureza volte à situação original.

Dias após o início do fogo, toneladas de peixes mortos apareceram em rios que cercam a região. De acordo com análises preliminares da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a mortandade ocorreu por conta da redução do oxigênio e aumento de temperatura na água.

Mesmo os diques de contenç

ão ao redor dos tanques foram insuficientes para represar os bilhões de litros d’água utilizados para debelar às chamas. Com isso, a contaminação provocada pelo vazamento de combustíveis e do produto químico utilizado no combate ao fogo chegou aos mananciais e estuários.

O zoólogo, especialista em manguezais e estuários e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Campus São Vicente, Marcelo Pinheiro, explica que a média de cinco anos de impacto decorre do estresse ambiental que já atinge o entorno do complexo industrial de Cubatão e do Porto de Santos.“O incidente da Alemoa potencializou os poluentes dessas áreas”, salienta.

Segundo Pinheiro, naturalmente os sedimentos depositados no fundo de mananciais já possuem metais pesados concentrados. O aumento da acidez da água, ocasionado pelos peixes mortos reagem com esses componentes, piorando ainda mais o cenário. Outra preocupação está na cadeia alimentar desses ecossistemas. “Ela fica comprometida em razão das espécies que se alimentam da vegetação e de animais contaminados”, alerta.

Ausência de pescados

Depois do incêndio, os peixes desapareceram de alguns locais onde antes eram abundantes. “Isso porque quando um animal recebe um estímulo negativo, ele tende a ir para outro lugar, subir o rio”, esclarece Pinheiro.

Essa situação prejudica ainda mais os pescadores de comunidades ribeirinhas dependentes do pescado como fonte de renda. Só em Cubatão, estima-se que 200 famílias tenham sido afetadas diretamente. Para minimizar esse problema, a Prefeitura tem realizado ações com um Posto de Atendimento Itinerante (PAT) à Avenida Beira-Mar, s/nº, no Portinho da Vila dos Pescadores. O objetivo é promover a regularização dos documentos, especialmente a atualização do Registro Geral de Pesca (RGP), para que possam buscar o ressarcimento dos prejuízos que sofreram com o incêndio.

A líder comunitária e presidente da Associação de Pescadores José Tobias Barros, Marly Vicente, disse que os trabalhadores estão unidos e se ajudando para poder superar o problema.“Estamos nos organizando com a Prefeitura e orientando todos os pescadores. Por enquanto, a pesca está completamente parada porque não sabemos os níveis de contaminação”, relata.

Em contrapartida, outros locais atingidos seguem sem um acompanhamento próximo dos órgãos responsáveis. É o caso da Ilha Diana.“Ninguém nos procurou. Nem o ministro de pesca e sequer alguém designado pela Prefeitura de Santos. Estamos todos preocupados”, afirma o presidente da Associação de Melhoramentos da Ilha Diana, Alexandre Lima.

Em nota, a Administração Municipal diz que a Cetesb é quem está analisando a água, mortandade dos peixes e orientando a população. A entidade por sua vez disse que atua nas questões ambientais e que essa questão deve ser discutida com a Prefeitura de Santos.

Pesquisas

Para que os pescadores voltem às suas atividades é preciso ficar provado que de fato não há mais contaminação. “Os estudos têm como objetivo dimensionar o impacto ambiental. Embasar com dados e não se limitar ao aspecto visual”, diz o biólogo integrante do Laboratório de Ecotoxicologia da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Fernando Cortez.

O Instituto Ecofaxina acompanha de perto as pesquisas. Foram eles quem coletaram as amostras de água e peixes em sete pontos do estuário para que fossem utilizados nos estudos. “O instituto defende a preservação dos ecossistemas marinhos. Trabalhamos com ações voluntárias e campanhas ambientais”, diz o diretor da entidade William Rodriguez Schepis.

Além da Unisanta, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) também estão engajadas e participam de outras vertentes de estudo, como as análises químicas, e bioacumulação de compostos tóxicos em peixes e outros organismos aquáticos. Os dados obtidos serão divulgados assim que todos os levantamentos possam ser concluídos. Isso deve ocorrer nas próximas semanas.

Da Redação
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