Marcelo Odebrecht sabia de propina na Petrobras

O juiz do caso apontou um e-mail que demonstraria o conhecimento do presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, sobre superfaturamento em contrato de operação de sonda da Petrobras.
O juiz federal Sergio Moro citou, em mandado de prisão da 14ª fase da Operação Lava Jato, que há uma prova material de pagamento de propina “no qual consta expresso o nome da Odebrecht como responsável pela transação” e que as ações da empreiteira mostram que a corrupção na construtora não decorria de ações individuais, mas de “política da empresa”.
Ele apontou um e-mail que demonstraria o conhecimento do presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, sobre superfaturamento em contrato de operação de sonda da Petrobras.
A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (19) Marcelo Odebrecht e o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, além de outros mais dez executivos -um ainda não foi localizado.
Para Moro, a empresa não tomou medidas internas para erradicar a corrupção mesmo após a deflagração da Lava Jato. O magistrado disse que isso “é indicativo do envolvimento da cúpula diretiva e que os desvios não decorreram de ação individual, mas da política da empresa”.
Moro cita um suborno de US$ 300 mil para Pedro Barusco, feito em setembro de 2013, pago por uma empresa do Panamá chamada Constructora Internacional Del Sur, que o juiz liga à Odebrecht -a empreiteira sempre refutou que fosse a controladora dessa firma.
Ainda segundo o juiz, três delatores (Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Alberto Youssef) “relacionaram esses depósitos da Constructora Internacional del Sur à Odebrecht”.
Moro diz que a empresa foi fechada em agosto do ano passado, cinco meses após a Lava Jato ter sido deflagrada, “o que configura tentativa aparente de apagar os rastros que poderiam relacioná-la à empreiteira”.