Vandalismo em patrimônios municipais traz prejuízo de R$ 1,2 milhão | Boqnews
Vandalismo em patrimônios municipais traz prejuízo de R$ 1,2 milhão
Foto: Thalles Galvão
21 de agosto de 2015

Vandalismo em patrimônios municipais traz prejuízo de R$ 1,2 milhão

Basta dar uma voltinha em qualquer ponto da Cidade que é fácil perceber a quantidade de problemas de vandalismo, seja em áreas públicas ou privadas. No primeiro grupo, o volume é bem maior. Contentores de lixo, lixeiras, bancos e monumentos não escapam ilesos dos vândalos.

O problema é que essa brincadeira custa cerca de R$ 1,2 milhão anuais aos cofres públicos de Santos. Ou seja, R$ 100 mil mensais destinados a reposições e reparos. O valor é bem próximo do investimento para construir a policlínica do Morro Santa Maria (R$ 1,4 milhão), por exemplo.

Nem escolas são poupadas. Há pouco tempo, a UME Lourdes Ortiz, na Aparecida, teve que ter o seu muro repintado três vezes em uma semana por problemas de pichação. Quem não teve a mesma sorte foi a sede da própria Secretaria Municipal de Educação, no Centro Histórico, que se encontra com a fachada pichada.

O secretário de Serviços Públicos da Prefeitura de Santos (Seserp), Carlos Alberto Russo, diz que infelizmente é difícil controlar essas infrações. “Temos uma gama enorme de vandalismo e furtos. Só no Sambódromo, tivemos nos últimos dois meses quatro ocorrências de furto de cabos elétricos. Isso sem contar a subtração nas torres de iluminação da faixa de areia, peças de sanitários públicos, destruição de botoeiras dos chuveirinhos”, relata. Em fevereiro passado, um homem foi flagrado pela Polícia Militar furtando materiais de construção da UBS Chico de Paula.

Monumentos
Santos está repleta de estátuas e bustos. São 121 ao todo, sendo 36 na orla. Mesmo uma homenagem a personagens e situações que fazem parte da história da Cidade não provocam um lapso de bom senso aos infratores. Já virou rotina a pichação ou quebra de monumentos.

Entre alguns casos memoráveis estão a ‘decapitação’ da estátua de João Otávio dos Santos, localizada no jardim da praia, em frente ao Instituto Dona Escolástica Rosa; a desconfiguração do surfista, instalado no Posto 2, em março do ano passado que custou R$ 25 mil aos cofres públicos; o Corretor do Café danificado cinco vezes em quatro anos; a pichação do Monumento da artista Tomie Ohtake e do Padre Bartolomeu de Gusmão, na Praça Rui Barbosa. A Secretaria de Cultura (Secult) investe anualmente R$ 80 mil só nos serviços de limpeza e manutenção dos monumentos.

Trânsito
Além dos habituais problemas com o funcionamento, o programa de bicicletas públicas, o Bike Santos, também sofre com depredações. Espelhos e assentos são os alvos principais. O contrato de R$ 1 milhão e 50 mil do sistema Bike Santos já prevê os custos relativos à operação, manutenção e reposição de peças.

Portanto, o custo é da empresa que administra o serviço, a Samba Transportes Sustentáveis, que em nota, disse que “episódios de furto e vandalismo acontecem com todos os sistemas de bike sharing no mundo e são pontuais. De qualquer forma, esse é um tema que tem motivado atuação conjunta com autoridades locais, já que na prática essa é uma questão de segurança pública”. Por dia, cerca de 30 bicicletas são recolhidas para manutenção e repostas com as novas, cerca de 10% do total.

As placas de trânsito também são alvos dos infratores. A Companhia de Engenharia de Trânsito (CET) informa que no ano passado 285 placas precisaram ser repostas, e os gastos foram da ordem de R$ 49 mil, considerando material e mão de obra.

Comportamento
O sociólogo e professor da Universidade Católica de Santos (Unisantos), Claudio José dos Santos, entende que são vários os fatores que motivam as depredações. Dentre eles, um sentimento de rancor. “O indivíduo se sente revoltado, deixado de lado. Não recebe um determinado serviço público e resolve se vingar lesando o patrimônio municipal. Ele é fruto da sua origem e do meio em onde vive”, explica.

O professor lembra também que existe uma satisfação por parte dos transgressores em cometer um delito sabendo que existe impunidade. “Há o prazer de fazer algo sabendo que não vai ser impedido ou punido. A pessoa se sente heroi de uma uma coisa que não pode contar para ninguém e que não pode ser vista fazendo”. Para Claudio, a falta de senso de coletividade e cidadania advém de problemas na base educacional.

Carlos Alberto Russo, secretário de Serviços Públicos, reconhece que a tarefa de reposição e reparos dessa natureza é frustrante. “É o País que nós temos! Infelizmente, o cidadão faz o vandalismo na sua cara e não se consegue fazer nada. Temos problemas de sanção e legislação. É a cultura, educação… Destruição de lixeira… O que cara ganha fazendo isso? Por qual razão alguém destroi um banco de madeira da praia e jogue os detritos na faixa de areia?”.

Todavia, o secretário reconheceu um ponto positivo em meio às depredações: a maior participação da população. Segundo Russo, o volume de denúncias aumentou significativamente.

Os infratores podem ser denunciados pelo telefone 0800-177-766 ou na Ouvidoria Pública: 0800 112056. Quem for pego praticando ato de vandalismo será encaminhado ao Distrito Policial e responderá por dano ao bem público. A pena de vandalismo varia entre 3 meses e 1 ano de detenção e multa.

Da Redação
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