Regras da Anvisa permitem prescrição de medicamentos com canabidiol | Boqnews
Arte: Bruno Yego
2 de abril de 2016

Regras da Anvisa permitem prescrição de medicamentos com canabidiol

O uso medicinal da maconha aparece ao longo da história da humanidade, com registros que datam 2700 anos AC, com o imperador da China Sheng Nung que já utilizava a planta para combater diferentes males. Já os primeiros estudos com humanos e animais aconteceu no século 9 por um médico irlandês.
A redescoberta do uso medicinal ocorreu em 1964 quando foi isolada a estrutura tetraidrocanabil. A primeira das 80 já descobertas até a atualidade. A cada década surgem novidades e maneiras de utilizar as substâncias extraídas da planta. No País – onde o cultivo da planta é proibido – para quem deseja buscar a substância como forma de tratamento o processo é burocrático e caro. No último dia 21, por determinação judicial, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu novas regras para a prescrição médica e a importação de remédios formulados com canabidiol e tetrahidrocannabinol (veja quadro ao lado).

Para Edson Dalur, coordenador do curso de Farmácia da Unisanta, a mudança é válida e importante. Ela não cura, como enfatiza Dalur, mas ajuda a minimizar dores e casos de epilepsia – estudos já comprovam a eficiência na redução das crises de convulsão. “Em relação a outros países estamos atrasados”, diz. “O Brasil, porém, tem estudos da Unifesp da década de 60 que já comprovam os benefícios da utilização da planta. Por outro lado, é importante que se desenvolvam estudos ainda mais aprofundados com as substâncias”, ressalta.

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No País, o debate cresceu há dois anos – em 2014 – quando casos de crianças com epilepsia e outras doenças tratáveis com canabidiol surgiram pela reivindicação dos pais em conseguir a substância.

Na época, o documentário Ilegal registrava a luta de mães pela regulamentação da maconha medicinal. O filme mostra o quão lenta e burocrática é a sociedade brasileira e o difícil processo da liberação da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Nas redes sociais, mães, pais e pessoas com alguma das doenças que podem ter sintomas minimizados procuram se ajudar, mostrando quais os caminhos a trilhar para conseguir de maneira mais rápida os medicamentos.

Gabriela
Em 2015, Gabriela Menezes – professora da Unifesp – resolveu tentar um novo tratamento com o uso da canabidiol para o filho de 20 anos que tem autismo e epilepsia refratária. Há anos buscando alternativas para os problemas do jovem, Gabi – como é conhecida – diz que no começo a busca era para o tratamento do autismo, pois a epilepsia que causa até quatro crises de convulsões por dia era – para ela – uma guerra perdida. Professora de neurociência, Gabi diz que a parte maternal – neste caso – falou mais alto e por ver comprovações dos benefícios do medicamento resolveu testar. Foram quase três meses dando doses do medicamento, de junho a agosto de 2015. “Só que sentimos uma mudança no comportamento, o que nos deixou apreensivos e resolvemos parar. Como ele está estável novamente, estamos pensando em retornar os medicamentos”, conta.

A professora contou com ajuda de uma rede na internet de mães e pais que lutam pela liberação da substância no País. Mesmo com esta ajuda, Gabi demorou um mês para receber os medicamentos após ter dado entrada no pedido e realizado a compra. “Já sabia quais eram todos os passos, mas mesmo assim – por ser algo importado – demora. A parte burocrática, se não tivermos o apoio correto e a boa vontade das pessoas, pode demorar ainda mais”, conta. Algo que também é um impedimento é o alto valor. “Na época, pagamos cerca de R$2 mil para três capsulas, que durou os três meses… Mas depois, como a dose aumenta, daria para apenas um mês”, conta.

Como professora de Neurociência, Gabriela acredita que – mesmo nos países onde o acesso é livre – ainda é preciso avançar em estudos para saber – por exemplo – quais são os efeitos colaterais. “É uma molécula que precisa ser ainda mais estudada. Estamos bem atrasados”.

Rita
Mãe de Nalú, de 3 anos, Rita Oliveira já pensou em conseguir o canabidiol de forma ilegal para aliviar as crises convulsivas da criança, portadora das Síndromes de Down e de West. “Ela tinha mais de 40 convulsões por dia. Pareciam espasmos, pois duravam poucos segundos. A cada crise, por causa da Síndrome de West, uma parte do cérebro era acometida”, lembra Rita. “Por conta disso, seu desenvolvimento foi afetado. Hoje, a Nalú tem o comportamento de um bebê de nove meses”.

Em meio a tantas crises e internações até mesmo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Rita conta que pensou em obter o canabidiol de forma ilegal. “Eu estava desesperada, entrei em grupos que indicam alguns profissionais que tem a substância”, conta. “Mas graças a Deus, desde o Dia das Mães do ano passado, ela não teve mais qualquer crise. Acredito que aconteceu um milagre!”, diz, agradecida.

Nara Assunção, Da Redação
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