Eleições

A influência da mídia nas eleições nos últimos anos

Tempo de televisão no horário eleitoral e estratégias nas redes sociais podem ser fatores preponderantes na hora do voto

28 de agosto de 2020 - 18:23

João Pedro Bezerra

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Para vencer as eleições, um candidato precisa de visibilidade na busca por votos. Dessa forma, as mídias (rádio e TV, em especial) e agora as mídias sociais podem servir como trampolim na campanha dos políticos.

A influência da televisão sempre esteve presente no cenário eleitoral brasileiro. Vale lembrar que em 1989 o apresentador e dono do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), Silvio Santos, ensaiou uma candidatura;  frustrada – à presidente da República pelo antigo PMB. Ele aparecia bem nas pesquisas até que sua candidatura fosse impugnada, pois o partido não realizou o número mínimo de convenções partidárias.

Neste período de 35 anos da redemocratização no Brasil, a televisão deu espaço ao horário eleitoral e muitos candidatos começaram a fazer coligações com o maior número de partidos possíveis para garantir tempo eleitoral tanto na TV, como no rádio.

Últimos Anos

Contudo, não são apenas os candidatos que já estão há um bom tempo na política que souberam usar a televisão. Nas últimas eleições, muitas personalidades do Jornalismo e entretenimento conseguiram se eleger, como o empresário e jornalista João Doria, eleito prefeito em 2016 e governador paulista dois anos depois.

Em parâmetros regionais é possível citar o caso da jornalista Audrey Kleys,vereadora de Santos pelo Progressistas, e também da deputada federal Rosana Valle (PSB). Outra saída das telinhas que entrou na política é a jornalista Solange Freitas, pré-candidata à prefeitura vicentina pelo PSDB. Todas trabalharam durante anos na TV Tribuna, afiliada da Globo.

Rui de Rosis, comentarista esportivo e vereador de Santos, é outro exemplo de como a televisão abre as portas para quem quer entrar na política.

Em São Paulo, segundo o instituto Paraná Pesquisas, o jornalista e deputado federal Celso Russomano está à frente nas intenções de votos, com 20,5%, Russomano ganhou destaque na mídia, após ter um quadro sobre direitos do consumidor na TV Record. Nos últimos meses, os compartilhamentos nas redes sociais com vídeos antigos chamaram a atenção principalmente do público mais jovem. Além disso, é importante lembrar que nomes como dos apresentadores José Luiz Datena e Luciano Huck sempre são especulados nas eleições.

De acordo com o cientista político Fernando Chagas, o candidato precisa, sobretudo, ser popular, independente da sua profissão.

“É um direito fundamental de qualquer cidadão brasileiro concorrer legitimamente numa eleição, inclusive os jornalistas. Não resta a menor dúvida de que um candidato conhecido da maioria da população leva vantagem numa disputa eleitoral, porém o fato do profissional aparecer rotineiramente na televisão não garante necessariamente a eleição do postulante midiático. Não basta ser conhecido para ser eleito, o candidato precisa preencher diversos requisitos, como qualidades pessoais, estrutura de campanha, recursos financeiros e, principalmente, base eleitoral, além de ser um bom comunicador” ressaltou. O cientista político ainda frisou que a televisão continua sendo um importante instrumento de convencimento para o eleitor, porque é o meio de comunicação mais acessível para a população buscar informação de qualidade e credibilidade, mesmo nos momentos quando a TV sofre forte concorrência das plataformas digitais.

Mídias Sociais

Não é só a televisão que pode ser determinante nas eleições. Com o avanço da tecnologia, as mídias sociais se tornaram uma peça-chave para os candidatos. Ser influente neste meio e divulgar os trabalhos nestas plataformas se tornaram fatores preponderantes para o meio político.

Quem conseguiu elaborar uma boa estratégia de comunicação nas redes sociais se deu bem nas últimas eleições.

Jovens, como o deputado federal Kim Kataguiri (DEM) e o estadual Arthur do Val (Patriota) conseguiram a eleição graças ao engajamento das campanhas nas redes sociais, por meio de vídeos e conteúdos no Youtube que agradaram o eleitorado da direita liberal.

Na região, o ex-vereador e deputado estadual Kenny Mendes foi quem melhor soube aproveitar a tecnologia. Ao longo do primeiro semestre, ele esteve à frente nas pesquisas para prefeito de Santos, mas, para surpresa de muitos, desistiu da candidatura.

De acordo com o jornalista e publicitário, Wanderley Camargo, que trabalha em campanhas eleitorais desde 1996, as ações de estratégias políticas nas mídias sociais devem ser centralizadas dentro de uma coordenação de comunicação.

Segundo ele, a primeira campanha que teve destaque na internet foi a de Barack Obama em 2008, que acabou sendo eleito presidente dos Estados Unidos.

Wanderley cita que os trabalhos nas mídias sociais podem influenciar na hora do voto, principalmente por conta da pandemia.

“As táticas de marketings tradicionais ficaram para trás. O candidato não poderá abraçar as pessoas na rua. Dessa forma a internet se tornou vital nas estratégias dos políticos, que devem buscar engajamento nas propostas com causas que tenham mobilizações”.

O publicitário ainda cita que as mídias sociais podem ser prejudiciais, caso o candidato não saiba usá-la da maneira correta “Não pode usar o perfil apenas para aparecer, ou não ter propostas e criar milhares de posts. Tudo precisa ser elaborado” destacou.

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