Cinco das 9 cidades da Baixada têm 27 tipos de agrotóxicos na água, diz pesquisa | Boqnews
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Abastecimento

17 DE ABRIL DE 2019

Cinco das 9 cidades da Baixada têm 27 tipos de agrotóxicos na água, diz pesquisa

Cinco das nove cidades da Baixada Santista registraram a presença de agrotóxicos nas águas que abastecem as torneiras dos moradores. Sabesp esclarece que qualidade da água é confiável.

Por: Fernando De Maria

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A água consumida pelos moradores da Baixada Santista conta com a presença dos mais variados tipos de agrotóxicos, revela pesquisa.

Existem casos onde foram registrados volumes acima do limite considerado seguro na União Europeia. Em outros, não.

Por sua vez, a Sabesp nega problemas no qualidade da água ofertada para consumo e garante que a mesma passa por rigorosos testes de qualidade.

Desta forma, os dados fazem parte de um amplo estudo que levou em consideração informações do Ministério da Saúde.

Portanto, eles foram obtidos e tratados em reportagem conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye.

As informações integram o Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua).

Ou seja, ele reúne os resultados de testes feitos por empresas de abastecimento.

Assim, a reportagem original completa pode ser acessada neste link.

 

Água saída das torneiras traz muito além do líquido. Na maior parte das cidades da Baixada Santista, também existem 27 tipos de agrotóxicos, alguns com volumes maiores que os recomendados pelas autoridades de saúde da União Europeia. Foto: Divulgação

Baixada Santista

Assim, com base no estudo divulgado, o Boqnews.com separou a situação das nove cidades da Baixada Santista.

Desta forma, se deparou com um cenário, no mínimo, preocupante.

Afinal, em cinco das nove cidades (55,5%), foram encontrados 27 agrotóxicos presentes nas águas que abastecem as torneiras dos moradores da Baixada Santista.

Desta maneira, elas se juntam a outros 1.391 municípios que detectaram  27 pesticidas presentes na água que são obrigados por lei a testar.

Em algumas cidades, a quantidade encontrada está abaixo dos parâmetros europeu e brasileiro.

Em outras, não.

Por sua vez, na Baixada Santista, o volume total de agrotóxicos encontrados – em menor ou maior escala – ocorre em cidades como Santos, Guarujá, Bertioga, Cubatão e Peruíbe.

Assim, nestas localidades, os 27 pesticidas testados estão presentes, conforme o levantamento.

 

Santos

Em Santos, dos 27 agrotóxicos encontrados na água potável, 11 são associados a doenças crônicas, como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

É o caso do Alaclor (quatro detecções em quatro testes).

Portanto, trata-se de um herbicida classificado pela União Europeia como uma substância com evidências para causar distúrbios endócrinos, que afetam o sistema hormonal.

Desta forma, entre os sintomas típicos: náuseas, vômitos e enjoos.

Em casos mais graves, a pessoa pode até entrar em coma.

Além disso, seu uso é proibido na União Europeia.

Outro agrotóxico presente na água que abastece os santistas, segundo o levantamento, é o Atrazina.

Não bastasse, ele está presente na lista da Pesticide Action Network (PAN) e classificado como altamente perigoso.

Além disso, ele provoca distúrbios endócrinos, afetando o sistema hormonal.

Seu uso também está proibido na União Europeia.

Por sua vez, outros 16 tipos de agrotóxicos encontrados têm efeitos menos nocivos, mas não menos preocupantes.

São os casos do Aldrin, Endrin e Clorpirifós, por exemplo.

Assim, no caso de Santos, todas quantidades encontradas de agrotóxicos estão abaixo dos limites europeus e brasileiros.

 

Guarujá, a pior situação

No entanto, a situação mais crítica ocorre em Guarujá.

Dos 27 pesticidas encontrados na água, 11 tem elevado impacto à saúde humana.

Assim, há o risco de desencadear câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos presentes em substâncias químicas como Diuron, Permetrina e Carbendazim.

Por sua vez, outros 16 têm menor poder agressivo à saúde, como Molinato e Endrin, mas não menos preocupante.

Além disso, chama a atenção, que 9 dos 27 agrotóxicos encontrados na água consumida pela população do município estão acima do limite considerado seguro pela União Europeia, como Aldicarbe, Glifosato e Terbufós.

 

Outras cidades

Assim, a situação também é semelhante em Cubatão e Peruíbe.

Em ambas as cidades, dos 27 agrotóxicos encontrados, 11 são relacionados às doenças crônicas.

No entanto, em Cubatão, um deles (o Glifosato) foi encontrado acima dos limites europeus.

Em Bertioga, dos 27 tipos encontrados, todos estão abaixo dos limites europeus.

Por sua vez, em Peruíbe, foram quatro tipos de componentes químicos acima da média preconizada pela União Europeia.

Além disso, o estudo também identificou a presença de 25 tipos de agrotóxicos em Itanhaém.

Já em Praia Grande foram 23.

E 14 em Mongaguá.

No entanto, apesar de ter um número menor de pesticidas encontrados em Itanhaém em relação a outras cidades, de forma proporcional, a cidade se destaca.

Afinal,  8 dos 25 tipos encontrados na água estão acima dos limites impostos pela União Europeia.

Portanto, é o caso do Parationa Metílica, considerado extremamente tóxico, proibido tanto no Brasil como na Europa, mas presente em 85% das detecções de água realizadas no País.

Já em Praia Grande, dos 23 tipos localizados, 4 estão acima dos padrões da União Europeia; e em Mongaguá, um tipo de agrotóxico.

 

São Vicente, a menos atingida

A ‘melhor’ situação – se é que pode-se considerar desta forma –  encontra-se em São Vicente, onde foram encontrados três tipos de agrotóxicos.

Já dois são associados a doenças crônicas, como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos (Carbendazim e Glifosato), além do Tebuconazol, de menor poder agressivo.

Além disso, todas abaixo dos limites brasileiros e europeu.

Assim, para acompanhar ou conhecer detalhes sobre a qualidade da água ofertada no seu município, acesse este link.

 

Sabesp

 

Em nota, a Sabesp esclarece que “a água que fornece à população não está contaminada e que a qualidade da água fornecida pela empresa obedece aos parâmetros definidos pelo Ministério da Saúde (Anexo XX da Portaria de Consolidação 5/2017).

“Para se ter ideia, a própria pesquisa mostra que nenhuma substância foi encontrada na água distribuída nos municípios de Cubatão, Guarujá e Peruíbe em quantidade acima do que é permitido pela legislação brasileira.

E em Santos nenhum agrotóxico foi detectado seja acima dos limites brasileiros ou europeus.

A legislação também estabelece a frequência do monitoramento que deve ser realizado no controle de qualidade da água produzida e distribuída.

Para isso, são realizados 90 tipos de testes e mais de 90 mil análises mensais que aferem turbidez, cor, cloro, coliformes totais, metais, agrotóxicos, dentre outros.

Este trabalho é realizado em 16 laboratórios de controle sanitário.

Os Relatórios de Qualidade da água são enviados mensalmente ao Ministério da Saúde e também são disponibilizados às Vigilâncias Sanitárias dos municípios operados.

 

Divulgação 

Os clientes podem conhecer os resultados na própria conta de água ou pelo site da companhia em www.sabesp.com.br (opção ÁGUA – QUALIDADE DA ÁGUA TRATADA).

A Sabesp ainda conta com uma equipe de degustadores: especialistas formados por químicos, biólogos e técnicos responsáveis para análise de variáveis no sabor, aroma e densidade do líquido.

Os resultados são encaminhados para as ETAs a fim de nortear o tratamento da água e eventuais ajustes preventivos ou corretivos”, finaliza a nota da empresa.

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