O atendimento a pessoas com suspeitas de dengue nas unidades de saúde de Bertioga está diminuindo sensivelmente, principalmente com a chegada do inverno. No entanto, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, está intensificando as ações e agindo com muito mais rigor no combate ao Aedes aegypti (mosquito transmissor do vírus), tendo em vista que em 2014 a dengue poderá chegar com maior intensidade, por conta da presença de novo sorotipo.
Quem já teve dengue causada por um tipo específico de vírus não vai ser infectado novamente pelo mesmo tipo de microorganismo. Para que a pessoa contraia a doença mais de uma vez é necessário que haja infecção por outra variação do sorotipo
Existem quatro tipos do vírus da dengue e todos eles, uma vez no organismo humano, causam os mesmos sintomas: febre alta, dor de cabeça e atrás dos olhos, dores nas costas e articulações, cansaço extremo, náuseas, perda do apetite, além de manchas avermelhadas pelo corpo.
De acordo com o secretário de Saúde de Bertioga, o processo reprodutivo do mosquito transmissor da doença acelera com o calor e, por conta disso, existe nesse período do ano uma oferta maior do mosquito e, ainda, de um novo sorotipo.
“Estamos trabalhando em sistema ‘tolerância zero’ contra a dengue. A palavra de ordem é prevenção. Nossa meta é eliminar de vez os criadouros e evitar uma epidemia com maior proporção em 2014”, alerta o secretário.
Pensando nisso, a secretaria, sob a coordenação da Diretoria de Vigilância à Saúde iniciou, por meio da Coordenadoria de Vetores e Dengue, o recadastramento dos quarteirões e imóveis e verificação de bloqueios, para detectar sobre a situação do Aedes aegypti nos bairros, principalmente onde houve maior positividade de casos.
Outra medida preventiva, que está sendo estudada pela Secretaria de Saúde, é a realização da Operação Cata-Treco, toda a semana, junto com a nebulização (fumacê). Atualmente o serviço é realizado a cada 15 dias, sempre aos sábados, nos bairros.
Antônio Sérgio de Jesus, coordenador de Vetores e Dengue, informa que de janeiro até o momento já foram realizadas sete operações cata-treco, com o recolhimento de 36 caminhões, de 12 m³ cada. “Só no Jardim Vicente de Carvalho II foram 18 caminhões com material que poderiam se transformar em criadouro do mosquito”, conta.
O coordenador também informa que as equipes já estão se mobilizando nas visitas casa a casa, que é um trabalho de rotina, mas que está sendo intensificado. Nesse trabalho, os agentes pesquisam criadouros nas residências e orientam a população com a distribuição de material educativo e preventivo.
Ainda de acordo com Antônio Sérgio, a partir de junho será realizado um mutirão preconizado pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), que sorteará 1200 imóveis, entre Caiubura e Boracéia, a serem visitados pelos agentes. O mutirão acontece a cada seis meses.
Entre janeiro e fevereiro deste ano, o mutirão atendeu 2.974 imóveis. Desse total, 1462 estavam abertos; 1502 fechados; 59 desocupados e 05 recusaram a vistoria. Segundo Antônio Sérgio, o Município atingiu a meta preconizada pela Sucen, que é de 1.200 imóveis abertos, referentes a duas áreas censitárias de 600 imóveis abertos cada.
Também foram preparadas equipes de trabalho para atuar no controle de vetores, na verificação de denúncias, como caixas d’água e piscinas abertas em casas fechadas, e controle de pontos estratégicos e imóveis especiais, como borracharias, ferros-velhos, entre outros. Todas essas ações já estão sendo intensificadas desde o início deste ano.
No último dia 02, a Secretaria de Saúde declarou epidemia, com 188 casos positivos de dengue. O número limite para que a Cidade entrasse em epidemia era de 150 casos mais um. De janeiro até o momento, o Município registra 190 casos positivos de pessoas infectadas pela dengue.
Segundo dados fornecidos pelo Plano Regional de Intensificação das Ações do Controle do Aedes aegypti, em 2012 foram registrados oficialmente 14 casos na Cidade, número significativamente inferior ao obtido em 2011, com 46 registros; e em 2010, foram 783 pessoas infectadas.
O secretário de Saúde adverte que o fundamental em todo esse trabalho é a colaboração da população, que precisa estar atenta a terrenos e piscinas abandonados, obras, ferros-velhos, borracharias, entre outros imóveis, que são os principais focos de proliferação do mosquito.
Percebendo qualquer situação, o munícipe deve acionar o Disque Dengue pelo número 3317-12 49, de segunda-feira a domingo (plantões de final de semana), das 9 às 16 horas, que as equipes irão verificar e acionar o responsável.
O munícipe também pode encaminhar denúncias e fotos de possíveis criadouros (piscinas, caixas d’água, entre outros pontos), pelo email
[email protected].