Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Santos

13 DE AGOSTO DE 2021

Após 7 anos da queda do avião de Eduardo Campos, famílias aguardam indenização

Apesar das dificuldades, academia Mahatma conseguiu se recuperar e hoje conta com uma estrutura moderna

Por: João Pedro Bezerra

13 de agosto de 2014, um dia chuvoso e frio em Santos.

O proprietário da academia Mahatma, Juarez Câmara, relembra que naquela manhã não haviam muitos alunos fazendo musculação, justamente por conta do tempo.

“Eu voltei para casa, porém depois de alguns minutos, escutei um forte barulho e senti um cheiro de querosene. Resolvi ligar para a academia e soube que tinha caído algo em um terreno ao lado. Felizmente, ninguém que estava no local se feriu”, conta Juarez.

Quando o proprietário da academia entrou em seu estabelecimento com a equipe do Corpo de Bombeiros viu o tamanho da destruição. A forte explosão foi causada por uma queda de avião.

“O cenário era devastador, uma das turbinas do avião foi parar próxima aos equipamentos da academia. Várias casas tiveram os telhados e as janelas atingidas”.

Logo em seguida, veio a informação que o avião que levava o candidato à presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, não tinha conseguido pousar na Base Aérea de Santos, localizada em Guarujá.

Era questão de tempo para a confirmação dos fatos.

As sete pessoas que estavam na aeronave morreram. Além de Eduardo Campos, mais quatro assessores, o piloto e o copiloto perderam a vida.

Por milagre, ninguém morreu em solo. Segundo moradores próximos ao local da tragédia, o avião caiu já pegando fogo.

O impacto da queda foi tão grande que os fragmentos se espalharam por toda parte.

Eduardo Campos foi governador do Estado de Pernambuco e era um dos principais nomes da política nacional.

Conforme a pesquisa Ibope, divulgada uma semana antes de sua morte, ele aparecia com 9% das intenções de voto para à presidência de República, estando em 3° lugar, atrás de Aécio Neves (PSDB) com 23%, e Dilma Roussef que estava com 38%.

Terreno onde o avião caiu/ Foto: João Pedro Bezerra

Consequências

Com a academia praticamente destruída, Juarez Câmara salienta que as primeiras semanas foram difíceis. “Após todo o processo de perícia, optamos pela paralisação do funcionamento.

Afinal, não colocaria qualquer pessoa em risco. Foi preciso fazer uma avaliação mais profunda para identificar o que poderia ser recuperado na parte da estrutura”.

Dessa forma, a academia ficou fechada por um período e Juarez teve que arcar com todos os custos.

“O almoço em restaurante foi cortado. Tivemos que economizar para sonhar com o retorno da academia”.

O proprietário da academia Mahatma contou com a ajuda de parceiros para se recuperar.

“O Stella Maris cedeu uma sala para a musculação e um colega da academia Fênix emprestou a piscina do local duas vezes na semana para a gente poder trabalhar com um grupo especial de alunos.”

Juarez Câmara, proprietário da academia Mahatma/ Foto: Divulgação

Recomeço

A reforma da academia Mahatma começou um ano depois do acidente.

“O processo de restruturação do local foi realizado de forma gradual e por etapas. Primeiro, tivemos que comprar os materiais e contratar o pedreiro. De início fizemos o banheiro e reformamos a sala de musculação”.

Juarez cita que os aparelhos de musculação que estavam na sala do Stella Maris foram levados para a Mahatma, além da aquisição de novos equipamentos.

Com a primeira etapa concluída, a academia foi reaberta em 2016, com a sala de musculação.

Nos anos seguintes, vieram a reforma das piscinas e da sala multifuncional, além da aquisição de mais equipamentos.

Academia conta com uma estrutura moderna/ Foto: João Pedro Bezerra

Pandemia e estrutura

Quando a situação começou a voltar à normalidade com um grande número de alunos veio a pandemia da Covid-19 no primeiro semestre de 2020.

Juarez frisou que o cenário não foi diferente, pois assim como na primeira vez, precisou fechar a academia.

Ele ressaltou que a volta com o horário limitado atrapalhou os alunos, pois se houvesse uma ampliação no funcionamento, as pessoas poderiam ir em turnos diferentes, diminuindo o risco de aglomeração.

Com a vacinação em massa, Juarez está confiante para o futuro “A pandemia da Covid-19 fez com grande parte da população ficasse em casa e tivesse outros problemas de saúde. É preciso se exercitar e creio que haja um aumento no número de alunos em breve”.

Além disso, o proprietário da academia ressaltou que nos últimos meses tem crescido o número de crianças pequenas nas aulas na piscina.

Juarez enfatiza que a academia está seguindo todos os protocolos de segurança contra o coronavírus com a higienização e limpeza.

Com a ampla reforma, a academia Mahatma tem uma ampla estrutura com a sala de musculação, um espaço multifuncional no piso superior, reservado para aulas de dança e pilates, três piscinas, além de uma nova sala com novos equipamentos que será entregue em breve.

Sete anos após o acidente, o proprietário destaca a felicidade em conseguir reerguer a academia, apesar das dificuldades.

Aulas na piscina tiveram crescimento/Foto: João Pedro Bezerra

Indenização

Juarez Câmara arcou com todas as despesas da reforma da academia e até hoje ele não recebeu a indenização dos responsáveis pelo avião Cessna 560XL, prefixo PR-AFA.

“Foram três processos de início. O primeiro era uma tutela antecipada, pois o PSB tinha que ter pago uma indenização, pois eu sou professor de Educação Física e perdi meu lugar de trabalho, porém o partido recorreu e perdemos o processo na segunda instância.

Os outros dois processos ainda estão em tramitação. Eles figuram como lucro cessante e danos morais e materiais, no qual o PSB e AF Andrade são réus”, salientou Juarez.

Questionado pela equipe de reportagem do Boqnews, o PSB citou que irá aguardar o andamento do processo na justiça.

Famílias

Diversas casas foram atingidas pelos destroços do avião. Com o impacto da queda, muitos prédios tiveram as janelas quebradas.

O prejuízo foi ainda maior nos imóveis que ficam atrás do terreno que tiveram o telhado quebrado e cômodos totalmente destruídos.

De acordo com uma moradora que não quis se identificar, nenhuma família foi indenizada pelos danos causados. A pessoa cita que não gosta de relembrar aquele dia, pois no começo foi difícil superar a tragédia.

Causas

Ainda não se sabe o que causou a queda do avião que saiu do Rio de Janeiro e tinha destino a Base Aérea de Santos, em Guarujá.

Chegando próximo ao local de pouso, o piloto precisou arremeter, ou seja, ele não conseguiu a aterrissagem na pista devido às más condições do tempo.

Nesta manobra, a aeronave perdeu a direção e caiu em um terreno entre as ruas Vahia de Abreu e Alexandre Herculano, no bairro do Boqueirão, em Santos.

Vale ressaltar que a tragédia poderia ter sido muito maior pelo fato da área onde o avião caiu é repleta de casas e prédios. Por milagre, a aeronave atingiu um terreno e apesar de algumas pessoas terem ferimentos leves, não houve vítimas fatais em solo.

Em 2018, a Polícia Federal apontou quatro possíveis causas para o acidente. Dentre as quais estão a colisão ou desvio de objeto, falha mecânica e a desorientação espacial.

No ano seguinte, o Ministério Público Federal arquivou o inquérito.

Neste intervalo, fake news foram espalhadas nas redes sociais sobre a causa do acidente. É importante que as pessoas não compartilhem essas informações em razão do poder de alcance das postagens.

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