Atraso em execução obras públicas e privadas se tornam frequentes
Em razão da expectativa de investimentos nas áreas de porto, petróleo e gás, a região da Baixada Santista passou a última década em voga quanto a investimentos no setor da construção civil. E mais que empreendimentos, novos projetos de infraestrutura e obras públicas também estão inclusas no cenário da região.
Obras essas relacionadas a vários outros segmentos, como os da saúde, educação, transporte, entre outros. Em Santos, por exemplo, a Prefeitura anunciou cinco novas construções do setor da saúde na Cidade na última semana. Serão edificadas policlínicas no Jardim Piratininga, Ponta da Praia, Areia Branca, Morro do São Bento e Vila Nova.
Por outro lado, nem tudo são flores quando o assunto é o cumprimento de prazos de conclusão das obras tanto públicas – da esfera municipal, estadual e federal – como particulares. Nesta Reportagem, são apresentados exemplos de obras em cidades como Santos, São Vicente e Cubatão, onde esse perfil se enquadra: prazos iniciais não cumpridos, construções com atividades paradas e, em outros casos, projetos sem execução – somente em fase de espera de convênios e/ou licenciamento.
Diante desse cenário, quais fatores explicam a demora ou a constante prorrogação de prazos das construções civis na região e no Brasil?
Contexto
Era época do Milagre Econômico nos anos 60, quando se corroborou forte crescimento econômico durante a Ditadura Militar. Nesse período em que a taxa de crescimento do PIB correspondia a 9% e saltou para quase 15% em cinco anos, por outro lado a mão-de-obra passou a ficar estagnada. O resultado foi a ausência de qualificação no setor, seja em projetos de execução públicos ou privados. “Não é que um funcionário de edificações de hoje, seja um pedreiro ou de qualquer outra função, não saiba fazer o seu trabalho”, aponta o engenheiro civil e especialista em segurança, Ricardo Alvarez. “Mas habilidades essenciais como a velocidade de produção acabam ficando de lado. Não tem cronograma estabelecido que possa ser cumprido com perfeição”.
Outros pontos citados por Alvarez também explicam a complexidade das obras, quando problemas jurídicos e de caráter político entram em questão. “A conjuntura atual de direitos trabalhistas, como a jornada de trabalho e segurança dos trabalhadores são importantes”.
Números
No momento, somente Santos tem um total de 103 obras municipais em andamento, sendo 17 nos Morros, 19 na Zona Noroeste, 48 na Zona da Orla e Intermediária, 7 na Área Continental e 12 no Centro. A relação detalhada pode ser acompanhada no Diário Oficial da Cidade.

