Eleições 2020

Partidos estudam nomes para concorrer à Prefeitura de Santos

Faltando 90 dias para as eleições municipais, partidos se movimentam para finalizar coligações e candidatos aos cargos. Pelo menos, 17 nomes surgem com pré-candidatos.

14 de agosto de 2020 - 18:15

Felipe Rey

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Faltando exatos três meses para as eleições municipais que vão acontecer nos dias 15 e 29 de novembro, respectivamente, nos bastidores, os partidos continuam realizando reuniões para discutir o futuro político santista.
Este ano, já estão sendo ventilados até 17 nomes à Prefeitura, um recorde neste século.

Desde 2004, por exemplo, nove candidatos concorreram ao cargo do Executivo santista.

A eleição de 1984, que elegeu Oswaldo Justo, do PMDB ao cargo de prefeito, contou com a participação de 11 postulantes ao pleito santista, sendo considerada a eleição com mais nomes em disputa.

No entanto, ao mesmo tempo que os nomes aumentam, algumas legendas já estão com as chapas escolhidas e coligações pré-definidas, enquanto outras ainda seguem se reunindo.

As convenções partidárias que podem ocorrer de 31 de agosto a 16 de setembro, servirão para definir os futuros candidatos dos partidos, tanto à Prefeitura quanto à Câmara Municipal.

 

No páreo

Diferente da eleição passada quando saiu como vice em uma coligação com o PCdoB, o PT terá Douglas Martins como pré-candidato ao Executivo.

Martins tem experiência no Executivo, onde foi secretário-adjunto de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, durante o governo Lula, além de sua atuação na defesa dos trabalhadores.

Porém, o partido continua procurando nomes para o cargo de vice. Hoje, existem conversas com o PCdoB e também com o PSOL.

No entanto, o PSOL irá com chapa própria, conforme afirmou o pré-candidato Guilherme Prado.

“Nossa direção municipal aprovou a chapa Guilherme Prado e Eneida Koury para as eleições. Com certeza, seremos nós que vamos representar o PSOL nessas eleições em Santos”.

Antes mesmo de ser decidida a chapa, as conversas entre os dois partidos – PT e PSOL – não foram adiante.

Mas uma união entre eles também não fora descartada totalmente.

Na eleição passada, Carina Vitral (PCdoB) saiu como candidata à prefeita, enquanto o professor Reinaldo Martins foi o vice. Prado, salienta, porém, que não houve discussões sobre uma possível junção das chapas dos partidos. E explica que “a unidade de ação na esquerda é importante, mas nem sempre isso é possível concretizar na disputa eleitoral”.

 

Faltando três meses para as eleições, vários postulantes já se apresentam como pré-candidatos comandar a Prefeitura a partir do próximo ano. Foto: Nando Santos

Indefinido

Partido da base de apoio e aliado ao PSDB, o PSB ainda segue com planos indefinidos sobre o futuro do Executivo santista.

Ainda com a expectativa da confirmação ou não da deputada federal Rosana Valle como pré-candidata à Prefeitura, a legenda não tomou qualquer definição.

Segundo o vereador Benedito Furtado (PSB), o partido continua conversando com os demais, mas ainda está buscando um consenso com o Diretório Estadual, por meio do coordenador regional da campanha, o deputado estadual Caio França e com o presidente estadual do partido, o ex-prefeito de São Vicente e ex-governador de São Paulo, Márcio França.

“Sei que está muito atrasado, muito em cima, mas precisamos tomar uma decisão”, entende. Em relação aos vereadores, Furtado ressalta que a chapa já está definida. Com a desistência do deputado Kenny Mendes, o nome da parlamentar ganhou força.

Em nota, a deputada Rosana Valle comentou sobre a possibilidade de se candidatar. “Não estamos tratando deste tema. Fico lisonjeada com tanto interesse em meu nome. Acredito que seja resultado do trabalho realizado todos os dias. No momento, mantenho o foco no mandato, embora seja sempre uma honra ser prefeita de Santos. Tenho ainda um tempo para decidir até a convenção”.

 

Pedra no sapato

Enquanto o PSB ainda segue definindo a estratégia destas eleições, o Podemos, segundo o líder partidário, Leandro Chaddad, já decidiu quem irá apoiar: o ex-secretário de governo de Santos, Rogério Santos, um dos pré-candidatos do PSDB.

Porém, segundo Chaddad, um ‘empecilho’ com a alta cúpula do partido tucano está emperrando as tratativas finais de apoio. Ele não entrou em detalhes, mas relata que este fato pode ser um percalço neste momento.

As reuniões entre os partidos para acertar os detalhes do possível apoio acontecem esporadicamente. “Iremos decidir e anunciar o nome na convenção no dia 13 de setembro. Como líder partidário irei ouvir todos os candidatos a prefeito”, relata.

O atual vereador de Santos, Fabrício Cardoso (Podemos), tem o nome ventilado como possível candidato à Prefeitura, caso o acordo entre as legendas não ocorra. Entretanto, este ‘plano B’ não está sendo pensado neste momento, garantiu Chaddad, que espera esgotar todas as conversas com a cúpula do PSDB.

 

Apoio de alto escalão

Tendo como aliado o atual vice presidente da República, Hamilton Mourão, o empresário Marcelo Coelho (PRTB) já confirmou sua participação no pleito municipal, tendo como vice prefeita a Sargento PM reformada Lídia Nascimento, do mesmo partido.

A expectativa é que o partido sirva de base para filiação de candidatos apoiadores ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a medida que o Aliança pelo Brasil, partido em criação, não participará das eleições municipais de outubro.

“De acordo com o proposto pelo partido, optamos por uma formação pura, pois hoje o PRTB é o único partido de direita na cidade. A presença do general Mourão no Governo Federal como vice-presidente da República faz do PRTB o único aliado fiel ao presidente e por isso essa escolha de não ter um vice de outro partido”, garantiu.

Devido a uma estratégia de campanha feita pela agremiação, não houve divulgação de quem integrará a base de apoio ao PRTB, mas Coelho garantiu que serão partidos ligados ao presidente.

O PSL, ex partido de Bolsonaro, não está entre eles, devido a uma parte de sua diretoria regional não apoiar mais o atual Governo Federal.

 

Futuro eleito (a) espera definição nas urnas para se sentar à mesa, que hoje é do atual prefeito Paulo Alexandre Barbosa. Foto: Rafael Oliva-PMS-Divulgação

 

Sem verbas públicas

Pautado por políticas sem o uso de dinheiro público, o partido Novo também já definiu a chapa que irá concorrer à Prefeitura municipal. O empresário João Villela é o nome escolhido, tendo como vice o também empresário Raul Rosa.

A legenda não irá fazer coligações com outros partidos, a não ser que haja uma desistência da verba eleitoral de R$ 2 bilhões, divididas entre as agremiações para abastecer as campanhas de vereadores e prefeitos. Em âmbito nacional, o partido devolveu o montante de R$ 36,593 milhões do Fundo Partidário.

“A gente conversa com todo mundo, mas não podemos fazer composição. Poderíamos fazer segundo o estatuto do partido, mas como um dos princípios é não aceitar dinheiro público, por isso não conseguimos fazer conjunturas”, ressalta.

Questionado se a falta de coligações prejudicará a disputa, Villela salienta que não, pois acredita que a população quer algo diferente da política praticada na região nos dias atuais.

 

PTB e MDB

O empresário Bayard Umbuzeiro está duplamente animado. Além de comemorar os 46 anos da sua empresa (Transbrasa), ele vai colocar seu nome nas urnas nas eleições municipais de novembro pelo PTB.

Ideias para o desenvolvimento de Santos não lhe faltam. Umbuzeiro garante que vai entrar na disputa para apresentar novas perspectivas econômicas para Santos.

O MDB também vai lançar candidatura própria, com o nome do vereador Antonio Carlos Banha Joaquim.

O edil tem se colocado com uma das vozes mais críticas à Administração Municipal no Legislativo.

 

Sem respostas

Procurados pela reportagem, os pré candidatos à Prefeitura pelo PSDB, o vereador Augusto Duarte e o ex-secretário de governo da Prefeitura, Rogério Santos e também a presidente do partido Renata Bravo, não se posicionaram.

O presidente da Câmara Municipal, Rui de Rosis (PSL), nome ventilado a se candidatar ao cargo do Executivo, também não respondeu à Reportagem.

Outros partidos também deverão lançar candidatos como o PDT, com o médico Marco Aurélio Soares; o jornalista Moysés Fernandes pelo PV; Thanah Correa, pelo Cidadania. O DEM também ensaia o nome do deputado Paulo Correia Jr. E o PSD vai lançar o ex-presidente do Tribunal de Justiça, Ivan Sartori, além do provedor da Santa Casa, Ariovaldo Feliciano, pelo Republicanos.

Outro nome é o delegado Romano (DC). Além de Luiz Fernando Lobão, pelo PTC.

Outros nomes, porém, podem entrar na disputa como o do ex-deputado federal Vicente Cascione (PROS).

Quem também entrará é o presidente do PCdoB, Thiago Andrade.

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