Foto: Ag. Brasil

Salários

03 DE JANEIRO DE 2019

Valor da cesta básica bate recorde em Santos e já equivale a 41% do mínimo

Pesquisa mostra que o valor da cesta básica bateu recorde, ultrapassando R$ 400 – equivalente a 41% do salário mínimo nacional.

Por: Fernando De Maria

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Um trabalhador santista que recebe o atual salário mínimo precisa trabalhar cada vez mais para comprar uma cesta básica.

O reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 954 para R$ 998, equivale a 81,1 horas trabalhadas para a aquisição de uma cesta básica em supermercados de Santos.

Em novembro de 2017, o trabalhador que recebia o salário mínimo na ocasião gastava 69,8 horas para adquirir a mesma cesta básica.

Em novembro passado – data do último levantamento divulgado em dezembro último – o valor da cesta básica nos supermercados santistas chegou ao recorde de R$ 408,50.

Na comparação com o salário mínimo, equivale a 40,9%.

Ao todo, são 16 mercados pesquisados, espalhados por bairros, divididos em zonas da orla, intermediária, central e noroeste.

Os dados fazem parte da pesquisa realizada pelo Labores – Laboratório Econômico Social da Universidade Católica de Santos.

 

Cesta básica em Santos atingiu valor recorde, segundo pesquisa. Foto: Divulgação

Salário mínimo paulista

Para se ter ideia, em novembro de 2017, o valor da cesta básica equivalia a 30,7% do salário mínimo paulista (R$ 1.072,20).

Em novembro passado, chegou a 36,8% do salário mínimo paulista de 2018 (R$ 1.108,38).

Os novos valores para 2019 ainda não foram divulgados pelo governo paulista.

Já em relação ao novo salário mínimo nacional chega a 40,9% do montante recebido.

 

Professores e alunos realizam o estudo mensalmente e constatam a elevação do custo da cesta básica, que atinge principalmente moradores de áreas mais periféricas. Foto: Nando Santos

 

“As pessoas estão comprando menos comida”, enfatiza o coordenador do Labson – Laboratório de Soluções Organizacionais, professor João Alfredo Carvalho Rodrigues.

“É uma triste realidade que temos notado. E tem atingido especialmente as pessoas de menor poder aquisitivo”, salienta o coordenador dos cursos de Negócios da Unisantos, Elias Salim Haddad Filho.

Ou seja, justamente as pessoas que moram em áreas mais periféricas têm pago mais pelos alimentos que compõem a cesta básica.

A alta foi maior entre os supermercados da Zona Noroeste (24,6%) entre novembro/17 e novembro/18. (ver quadro abaixo)

 

Quantidade per capita

A quantidade da cesta básica se baseia no consumo mensal per capita por morador em uma mesma família.

Por exemplo – são 7,5 litros de leite ao mês – o equivalente a 250 ml diários.

No caso de famílias, com crianças, no entanto, este percentual é praticamente impossível de ser atingido.

Ou 100 gramas de arroz/dia e 150 gramas de feijão/dia.

 

Aumento real

Após três anos, o salário mínimo nacional teve aumento real (foi reajustado em 4,6%).

No entanto, originalmente a proposta era reajustar para R$ 1.006,00, mas a queda na inflação empurrou para um valor menor (R$ 998,00).

Como o ex-presidente Michel Temer resolveu não assinar o reajuste, coube ao novo presidente Jair Bolsonaro fazê-lo.

 

 

Valores médios da cesta básica por zona (R$)

Zona                 Valor médio (nov/18)                     Valor médio (nov/17)                  Variação

Central (*)                         –                                                             341,27                                          –

Intermediária             389,23                                                        332,67                                       + 17%

Noroeste                      406,87                                                       326,41                                        + 24,6%

Orla                               414,62                                                       347,05                                        + 19,5%

Fonte: Labores – Unisantos. Comparação entre novembro/17 e 18. O supermercado da Zona Central estava em reforma.

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