Ciclovias em Santos estão com diversos problemas | Boqnews
Foto: João Pedro Bezerra
19 de outubro de 2020

Ciclovias em Santos estão com diversos problemas

Os ciclistas estão enfrentando dificuldades nas ciclovias de Santos, com exceção da orla da praia, sempre reformada. Já as demais faixas exclusivas para as bicicletas têm algum problema de manutenção, como ondulações em razão das raízes das árvores, buracos, falta de sinalização, ausência de vegetação ou mato alto.

A equipe de reportagem do Boqnews percorreu as principais ciclovias da Cidade ao longo da semana. Uma das situações mais complicadas é a da Avenida Afonso Pena, na qual sofre com os buracos, rachaduras e ondulações. Uma das explicações decorre da expansão das raízes das árvores que estão ao lado da faixa. Os solavancos e riscos são frequentes.

Elevação e rachaduras levam perigo na Afonso Pena/ Foto: João Pedro Bezerra

A situação fica mais complicada no período noturno, onde muitos não enxergam os buracos. Para complicar, a iluminação é sofrível em vários pontos.

O ambulante Antônio de Paula ressalta que devido à falta de manutenção já viu muitas quedas na avenida por conta das elevações e buracos.

Nos canais 5 e 6, a condição da ciclovia é melhor, porém alguns trechos também apresentam problemas de buracos e rachaduras. Já no canal 4, o cenário é mais crítico e os percalços são maiores como o mato alto e a falta de iluminação que é um perigo, principalmente pela faixa para os ciclistas serem quase coladas nas árvores. Mas isso não se limita a esta ciclovia.

Além dos buracos e da falta de sinalização, canal 4 conta com o mato alto/ Foto: João Pedro Bezerra

Na última quarta-feira (14), uma mulher caiu dentro do canal 4, na altura da Pedro Lessa, segundo as pessoas que estavam no momento. O motivo da queda foi por conta de um buraco. A ciclista tentou desviar e acabou perdendo a direção. Em uma página nas redes sociais, diversas pessoas comentaram sobre os problemas no local. De acordo com a publicação, a mulher teve um dente quebrado devido ao impacto da queda.

A Av. Mário Covas, utilizada principalmente pelas pessoas que trabalham no Porto, também apresenta falta de manutenção e problemas de sinalização. Nem mesmo a nova ciclovia da Ponta da Praia escapa das adversidades. O maior ponto de embate é a sinalização confusa, com a mudança na entrada de veículos da balsa, isso alterou a faixa de pedestres atingindo também a ciclovia, que se transformou em um local perigoso e de discussões entre ciclistas e motoristas.

De acordo com o jardineiro João Rodrigues, que utiliza o sistema de travessia de balsas para ciclistas, o trecho traz perigo e medo aos usuários “É muito arriscado atravessar. O tempo de espera do semáforo é grande. Assim, alguns carros e motos passam em alta velocidade e ainda ficam no meio da ciclovia” destacou.

Saída dos ciclistas na travessia de balsas tem causado confusão na Ponta da Praia/ Foto: João Pedro Bezerra

Outras vias

Outras ciclovias nas vias internas da Cidade enfrentam problemas parecidos. Na Avenida Francisco Glicério, existem rachaduras espalhadas pela via, além do estreitamento provocado pelo VLT. Muitos ciclistas se queixam do curto espaço na altura do canal 3, onde os gradis que deixam a pista praticamente sem largura para duas bicicletas.

Uma ciclista que não quis se identificar contou que já caiu no trecho por conta deste estreitamento.

Vale destacar que alguns acidentes na Francisco Glicério são provocados pelos próprios ciclistas. Muitos têm pressa, enquanto outros não, assim na tentativa de ultrapassagem eles acabam utilizando a pista oposta, colidindo com os que estão na direção correta.

Pista estreita faz com que os ciclistas utilizem a contra mão na Francisco Glicério/ Foto: João Pedro Bezerra

Na Avenida Ana Costa, em frente ao batalhão da Polícia Militar, um acidente de trânsito derrubou quase seis metros de barra de proteção que, apesar da promessa da Prefeitura em ser reposto até a semana passada, não ocorreu. Outro problema é a falta de drenagem do local, pois quando chove a via fica intransitável com poças de água por todo o lado. O mesmo acontece na Rangel Pestana.

Na ciclovia da Rangel Pestana, rachaduras na pista são comuns. Foto: Ronaldo Taralo Jr./Colaborador

Na Avenida Senador Pinheiro Machado, no canal 1, a situação é mais complexa. A falta de manutenção e sinalização faz com que os ciclistas utilizem a calçada na altura da Av. Moura Ribeiro, no Marapé.

Além disso, a baixa iluminação pode ser um risco para os pedestres que atravessam a ciclovia, mas não enxergam as bicicletas.

 

Prefeitura

Questionada sobre os problemas nas ciclovias, a Prefeitura de Santos destacou que faz a manutenção de todos os locais regularmente.

Em nota, o poder municipal também informou que o projeto para reurbanização da ciclovia Afonso Pena está na fase de captação de recursos e na da orla da praia, a reurbanização permitiu “dar mais segurança e conforto aos usuários”.

Outro fator apontado pela Prefeitura são as ciclovias em implantação no município. Ao todo, são seis dentro do projeto da nova entrada de Santos: Av. Nossa Senhora de Fátima: 2° etapa – 1,7 km, Av. Beira-Rio – 1,3 km, R. Dr. Zelnor Paiva de Magalhães – 563 m. R. Júlia Ferreira de Carvalho – 910 m, Ponte Rio São Jorge – 450 m e divisa com Cubatão – 5 km.

Malha de Ciclovias

Atualmente, Santos conta com 58,3 quilômetros de ciclovia, um bom número, em termos comparativos seria quase a mesma distância entre o município e Diadema, distante pouco mais de 60 quilômetros.

Ao todo, são 27 pistas em uso, sendo a da orla, a maior com 4,9 quilômetros, seguida da Afonso Pena que tem 4,5 km e a da Pinheiro Machado (Canal 1) com 3,5km. Nos últimos 7 anos, foram investidos R$ 24,4 milhões em ciclovia na Cidade.

De acordo com a estimativa da Companhia de Engenharia de Trágeo ( CET ), Santos tem mais de 35 mil viagens de bicicletas por dia.

Da Redação
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