Na temporada de verão já é esperado que os preços sofram reajustes, principalmente em estabelecimentos na região da orla, os mais procurados pelos santistas e turistas. Este ano, porém, com a aproximação do Carnaval e a expectativa para a Copa do Mundo os preços se superaram.
A água de coco, por exemplo, antes comercializada por R$3 chega a R$ 5 na maioria dos quiosques da orla. E o mais inusitado, em um dos deles, o preço ainda aparece como sendo uma Super Promoção.
Ao ser indagada, a comerciante ainda disse que o preço era esse mesmo e perguntou à equipe do Boqnews: - O problema é por ter apenas R$ 4? Ou seja, se o cliente tivesse este valor, faria negócio. As cidades da região seguem a mesma tendência. Em Bertioga, por exemplo, o valor do coco mais barato também sai por R$5.
E não é apenas com o coco que moradores e turistas se sentem lesados. A cerveja é um dos itens que mais tem diferença de valores de um lugar para outro. Nos quiosques do CPE, em frente à Igreja do Embaré, por exemplo, o valor da lata de 350 ml varia de R$ 4 a R$ 5.
Em uma barraca da praia, o vendedor ainda disse que o preço dependia muito do dia e das pessoas que estavam frequentando. Quer dizer, jeito de turista, preço mais alto. Outro item são as porções. Na praia, comer batata frita, por exemplo, sai em torno de R$25. Em alguns cardápios, o valor chega a R$30.
Para o antropólogo e professor universitário, Darrel Champlin, os preços são um abuso. "Em uma pizzaria na Ponta da Praia, por exemplo, o valor da cerveja era R$30. E o lugar ainda tinha um péssimo atendimento, sem ar-condicionado. Nada justificaria tal valor. Desde então decidi não compactuar mais com os oportunistas e me rendi ao cooler. Agora me reúno com os amigos e cada um leva a sua cerveja", ressalta.
Para Darrel, diferente do que muitos analisam como sendo algo de pobre, todo este movimento que surgiu no Rio de Janeiro nada mais é que uma resposta justa aos abusos praticados pelos comerciantes. "É um protesto legítimo, pois o lazer também é algo essencial na vida das pessoas", diz.
"Eu não me importo de pagar caro por uma comida de qualidade, em restaurantes onde o atendimento é diferenciado e os ingredientes também. O que não é aceitável é pagar muito caro por algo de pouca qualidade", acrescenta.
Sindicato
Em nota, o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (SinHoRes) expressa que é contra qualquer tipo de abuso praticado por comerciantes, mas enfatiza que a esmagadora maioria dos empresários da região não adere a essa prática, e muitas vezes absorve reajustes de fornecedores e de operadoras de cartões ao longo do ano para não precisar aumentar os preços no cardápio.
De acordo com o SinHoRes, vários fatores incidem sobre o preços final das mercadorias comercializadas em bares e restaurantes até chegar à mesa do cliente.
“Não podemos comparar o preço de um produto, como a cerveja, por exemplo, comprada em um supermercado e em um restaurante. Nesse último, o empresário tem os gastos com aluguel, impostos, energia elétrica para gelar o produto e climatizar o ambiente, mão de obra para servir as mesas, além de ser refém das operadoras de cartão de crédito, que cobram taxas abusivas, de até 5% por compra efetuada. Com o aumento cada vez maior do custo em razão dos impostos ao empresário, o lucro dos bares e restaurantes está cada ano menor”, explica o presidente da entidade, Salvador Gonçalves Lopes.
Vai tomar no cooler!
Em terras cariocas, amigos se reuniram e formaram o movimento Isoporzinho, que ganhou destaque na mídia nacional. No momento em que o publicitário santista Antonio Luiz Nilo leu sobre o movimento achou a proposta interessante e decidiu fazer algo aqui também. Foi assim que surgiu o Vai Tomar no Cooler. O nome - como ele mesmo define - é mais criativo e ousado, capaz de despertar a atenção de um público bem maior. A brincadeira ganhou adeptos instantaneamente. Na sexta-feira (7), a página no Facebook - criada na segunda (3) - já tinha 3.411 curtidas (até às 19 horas). Já foram registradas mais de 41 mil visualizações.
"Não esperávamos um sucesso tão grande, uma adesão tão rápida. Com a chegada do verão, a cidade se transformou em um mercado de consumo de rua sem regras". Ele cita restaurantes de beira de praia, bares da orla e especialmente os quiosques de praia que aumentaram os seus preços.
"Chegam a cobrar R$ 32 numa porção de mandioca, R$ 72 na de isca de peixe e R$ 8 numa lata de cerveja. Não posso generalizar. Existem casas que mantiveram os seus preços que, apesar de caros para o consumidor em geral, justificam os altos impostos que elas são obrigadas a pagar, bem como a estrutura necessária para atender bem aos clientes", explica
"A proposta é protestar contra os preços abusivos das bebidas (e, por extensão, comidas) em quiosques, bares e restaurantes, especialmente em épocas como o verão ou em grandes eventos como a Copa do Mundo, Olimpíadas, shows", ressalta Antonio, que se impressionou com a força do movimento. No primeiro encontro na orla, mais de cem pessoas compareceram com seu cooler.
O 2º Vai Tomar no Cooler já está saindo do papel, dessa vez com novidades e um nível de organização ainda maior. A data deve ser decidida pelos internautas que seguem a
fanpage. Deve acontecer ainda em fevereiro ou no início de março.
Na temporada de verão já é esperado que os preços sofram reajustes, principalmente em estabelecimentos na região da orla, os mais procurados pelos santistas e turistas. Este ano, porém, com a aproximação do Carnaval e a expectativa para a Copa do Mundo os preços se superaram.
A água de coco, por exemplo, antes comercializada por R$3 chega a R$ 5 na maioria dos quiosques da orla. E o mais inusitado, em um dos deles, o preço ainda aparece como sendo uma Super Promoção.
Ao ser indagada, a comerciante ainda disse que o preço era esse mesmo e perguntou à equipe do Boqnews: – O problema é por ter apenas R$ 4? Ou seja, se o cliente tivesse este valor, faria negócio. As cidades da região seguem a mesma tendência. Em Bertioga, por exemplo, o valor do coco mais barato também sai por R$5.
E não é apenas com o coco que moradores e turistas se sentem lesados. A cerveja é um dos itens que mais tem diferença de valores de um lugar para outro. Nos quiosques do CPE, em frente à Igreja do Embaré, por exemplo, o valor da lata de 350 ml varia de R$ 4 a R$ 5.
Em uma barraca da praia, o vendedor ainda disse que o preço dependia muito do dia e das pessoas que estavam frequentando. Quer dizer, jeito de turista, preço mais alto. Outro item são as porções. Na praia, comer batata frita, por exemplo, sai em torno de R$25. Em alguns cardápios, o valor chega a R$30.
Para o antropólogo e professor universitário, Darrel Champlin, os preços são um abuso. “Em uma pizzaria na Ponta da Praia, por exemplo, o valor da cerveja era R$30. E o lugar ainda tinha um péssimo atendimento, sem ar-condicionado. Nada justificaria tal valor. Desde então decidi não compactuar mais com os oportunistas e me rendi ao cooler. Agora me reúno com os amigos e cada um leva a sua cerveja”, ressalta.
Para Darrel, diferente do que muitos analisam como sendo algo de pobre, todo este movimento que surgiu no Rio de Janeiro nada mais é que uma resposta justa aos abusos praticados pelos comerciantes. “É um protesto legítimo, pois o lazer também é algo essencial na vida das pessoas”, diz.
“Eu não me importo de pagar caro por uma comida de qualidade, em restaurantes onde o atendimento é diferenciado e os ingredientes também. O que não é aceitável é pagar muito caro por algo de pouca qualidade”, acrescenta.
Sindicato
Em nota, o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (SinHoRes) expressa que é contra qualquer tipo de abuso praticado por comerciantes, mas enfatiza que a esmagadora maioria dos empresários da região não adere a essa prática, e muitas vezes absorve reajustes de fornecedores e de operadoras de cartões ao longo do ano para não precisar aumentar os preços no cardápio.
De acordo com o SinHoRes, vários fatores incidem sobre o preços final das mercadorias comercializadas em bares e restaurantes até chegar à mesa do cliente.
“Não podemos comparar o preço de um produto, como a cerveja, por exemplo, comprada em um supermercado e em um restaurante. Nesse último, o empresário tem os gastos com aluguel, impostos, energia elétrica para gelar o produto e climatizar o ambiente, mão de obra para servir as mesas, além de ser refém das operadoras de cartão de crédito, que cobram taxas abusivas, de até 5% por compra efetuada. Com o aumento cada vez maior do custo em razão dos impostos ao empresário, o lucro dos bares e restaurantes está cada ano menor”, explica o presidente da entidade, Salvador Gonçalves Lopes.
Vai tomar no cooler!
Em terras cariocas, amigos se reuniram e formaram o movimento Isoporzinho, que ganhou destaque na mídia nacional. No momento em que o publicitário santista Antonio Luiz Nilo leu sobre o movimento achou a proposta interessante e decidiu fazer algo aqui também. Foi assim que surgiu o Vai Tomar no Cooler. O nome – como ele mesmo define – é mais criativo e ousado, capaz de despertar a atenção de um público bem maior. A brincadeira ganhou adeptos instantaneamente. Na sexta-feira (7), a página no Facebook – criada na segunda (3) – já tinha 3.411 curtidas (até às 19 horas). Já foram registradas mais de 41 mil visualizações.
“Não esperávamos um sucesso tão grande, uma adesão tão rápida. Com a chegada do verão, a cidade se transformou em um mercado de consumo de rua sem regras”. Ele cita restaurantes de beira de praia, bares da orla e especialmente os quiosques de praia que aumentaram os seus preços.
“Chegam a cobrar R$ 32 numa porção de mandioca, R$ 72 na de isca de peixe e R$ 8 numa lata de cerveja. Não posso generalizar. Existem casas que mantiveram os seus preços que, apesar de caros para o consumidor em geral, justificam os altos impostos que elas são obrigadas a pagar, bem como a estrutura necessária para atender bem aos clientes”, explica
“A proposta é protestar contra os preços abusivos das bebidas (e, por extensão, comidas) em quiosques, bares e restaurantes, especialmente em épocas como o verão ou em grandes eventos como a Copa do Mundo, Olimpíadas, shows”, ressalta Antonio, que se impressionou com a força do movimento. No primeiro encontro na orla, mais de cem pessoas compareceram com seu cooler.
O 2º Vai Tomar no Cooler já está saindo do papel, dessa vez com novidades e um nível de organização ainda maior. A data deve ser decidida pelos internautas que seguem a
fanpage. Deve acontecer ainda em fevereiro ou no início de março.