Trabalho

Crise elimina quase 40 mil empregos na Baixada Santista

Ao contrário do resto do País, Baixada registra perda de empregos. Desde o início da crise, o déficit é de quase 40 mil vagas

09 de dezembro de 2019 - 17:00

Fernando De Maria

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Enquanto o Brasil registra – ainda que lentamente – o aumento no número de empregos formais, a Baixada Santista está na contramão. Tendo já perdido, desde 2014, primeiro ano do governo Dilma Rousseff, quando os sintomas iniciais da crise econômica se avolumaram, quase 40 mil postos de trabalho.

Segundo o IBGE, houve uma ligeira redução no total de empregos abertos no País na comparação entre os dois últimos trimestres.

Entre maio a julho, a taxa de desemprego era de 11,8%. Entre agosto e outubro, 11,6%.

Por sua vez, a região já registra – até outubro – déficit de 580 postos, segundo informações do Cadastro Geral de Empregos – Caged, do Ministério do Trabalho. Diferente de outras localidades, como Barueri, com saldo positivo de 5.253 vagas, Araraquara, 1.619 ou Bebedouro, com 2.403.

Desde 2014, a Baixada Santista já perdeu exatos 39.622 postos de trabalho formais. Se este montante representasse uma cidade, ela ocuparia a 172ª posição entre os 645 municípios paulistas.

Por municípios

Em termos proporcionais, Cubatão foi o município que mais perdeu vagas desde 2014. Foram 12.499 empregos fechados – uma redução de 43% na comparação com o atual quadro. Ou seja, cerca de uma a cada duas vagas desapareceu do mercado.

Em números absolutos, Santos foi o município regional que mais perdeu postos de trabalho. Isso em razão do fechamento de vagas no comércio, serviços e porto. Foram 17.782 vagas, o equivalente a 10% do total de empregos formais existentes no Município (178.341).

Na comparação entre os períodos (2014 a outubro/19), apenas Bertioga, Mongaguá e Peruíbe registraram acréscimo no volume de vagas.

 

 

trabalho Baixada Santista na contramão

Arte: Mala

Sinais

2016 foi o pior ano com pico na taxa de desemprego. Foram 19.520 vagas fechadas, ligeiramente superior que 2015, com 15.301 postos de trabalho encerrados, número 10 vezes maior que no ano anterior (1.569).

Ao longo deste período apenas no ano passado, o volume de admissões superou o de demissões. Foram exatas 3.500 vagas abertas, situação bem diferente em relação a 2019.

Até o momento, o déficit é de 580 empregos. Os maiores cortes ocorrem em Guarujá, com 792, e Bertioga, com 631 postos fechados.

Entretanto, a situação só não é pior, pois Praia Grande (alta de 638 vagas); Cubatão (+ 362); e Mongaguá (+ 126) apresentam abertura de vagas. Dessa forma, amenizando os impactos negativos.

Consequências

Fechamento de postos de trabalho da Usiminas, em Cubatão, com a demissão direta e indireta (fornecedores) de milhares de trabalhadores e encerramento das atividades da Libra Terminais em Santos são alguns dos fatores que contribuem para o cenário preocupante.

“Esses fatos causaram impactos negativos significativos na demanda do comércio, ocasionando demissões no setor”, explica o professor do curso de Economia da Unisantos, Elimar Rodrigues Alexandre.

Além disso, ele acrescenta que em função da crise, há uma queda na demanda por turismo. Reduzindo, assim, a mão de obra neste segmento. Por sua vez, a área da construção civil está contratando mais do que demitindo.

“Não vejo como medidas paliativas possam melhorar a situação do emprego formal, como a liberação de parte do FGTS, por se tratar de algo pontual”, ressalta.

Além disso, segundo ele, a reforma da Previdência não tem relação com a geração de empregos. “Resta-nos esperar 2020 para verificar se existirão medidas desse governo para incentivar o investimento, pois só isso gerará novos empregos”, ressalta.

Inova

Em razão do atual cenário, integrantes da sociedade civil, com apoio de 25 instituições de ensino superior, estão à frente do projeto Inova. Este busca encontrar saídas para fortalecer a economia regional.

“O momento é da Baixada Santista se tornar uma região metropolitana de fato”, salienta o empresário André Ursini, CEO do complexo Andaraguá, a ser instalado em Praia Grande.

Entraves burocráticos, jurídicos e ambientais atravancam a economia regional. O próprio empreendimento, por exemplo, aguarda há 12 anos para começar a operar e gerar empregos. “A região precisa voltar a crescer com urgência”, enfatiza.

Em fevereiro, será divulgado um amplo levantamento elaborado pelas universidades, visando traçar novos rumos à região e apresentá-los às autoridades estaduais e federais.

Números iniciais mostram que o total de desempregados na região já supera 100 mil pessoas.

O projeto Inova se divide em seis segmentos: Turismo, Construção Civil, Logística, Química, Economia Criativa e Metal-Mecânica.

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