Transporte

Difícil rotina para quem usa o transporte público em tempos de pandemia

Lotação, tempo de espera e falta de higienização são algumas das reclamações dos usuários

17 de maio de 2020 - 18:00

João Pedro Bezerra

Da Redação

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Uma das maiores preocupações em relação ao coronavírus é a transmissão da doença no transporte público.

E com o aumento do fluxo de passageiros – com queda na taxa de isolamento -, os riscos crescem de forma proporcional.

Assim, estão se tornando comuns cenas de ônibus lotados nas linhas municipais de Santos e também no transporte metropolitano.

As regras para os ônibus transportarem passageiros apenas sentados – e com os vidros abertos – se tornam mais difíceis, pois com o aumento do fluxo de passageiros sem o devido aumento da frota, a tendência de lotação é inevitável.

Isolamento social

Em Santos, onde as medidas restritivas seguem mantidas, a situação tem virado rotina.

De acordo com a munícipe N.C (ela preferiu não se identificar), a linha 07 estava com super lotação na manhã de quinta-feira (07) durante o percurso do canal 1 próximo ao Orquidário até a Avenida Conselheiro Nébias, no Boqueirão.

Já a aposentada Hellen Costa, que precisou usar o transporte coletivo, também relatou os mesmos problemas, ressaltando que o distanciamento mínimo não está sendo cumprido no interior dos ônibus.

O tempo de espera é outro problema.

Valdete de Jesus, que embarca nas linhas 19 e 156 na praia na altura do canal 5, reclama que os veículos demoram mais de 40 minutos na maioria das vezes.

Dessa forma, ela acaba optando pelo ônibus intermunicipal descendo na altura do canal 1 e seguindo a pé até sua residência.

Na Zona Noroeste, a situação é ainda mais complicada.

A diarista Karina Abraão Carvalho Cruz usa a linha 152 para trabalhar no Campo Grande e o tempo mínimo de espera é de 30 minutos durante a semana e no sábado quase 1 hora em linhas como a 156, onde trabalha no Embaré.

Cobrança

O vereador Antônio Carlos Banha (MDB) cobrou providências da Viação Piracicabana, concessionária responsável pelo transporte para acabar com a superlotação nos ônibus, a sujeira e também o longo tempo de espera das linhas.

“Em tempo de pandemia é impensável que os ônibus de Santos, serviço essencial, sejam um meio de alta transmissão do novo coronavírus. Estamos recebendo diversas reclamações de munícipes nos relatando que os veículos estão sujos, superlotados e sobre a demora nos pontos de embarque e desembarque”, ressaltou.

Em março, a equipe de reportagem do Boqnews mostrou a vulnerabilidade dos veículos que não estavam sendo devidamente higienizados e não tinham álcool em gel, nem mesmo para os motoristas.

Após dois meses, o cenário teve poucas mudanças, enquanto a circulação e o contágio do vírus chega a números alarmantes na região, a segunda em número de casos no estado – atrás apenas da Capital/Grande ABC.

Questionada sobre os problemas, a Viação Piracicabana afirmou está seguindo as recomendações do Ministério da Saúde e demais órgãos competentes, ampliando a higienização nos ônibus entre as viagens, no Terminal Valongo.

As medidas também são intensificadas em todas as áreas de contato dos motoristas (câmbio, volante, caixa de dinheiro).

Em nota, a Prefeitura de Santos explicou que a média mensal de usuários até início de março era de 130 mil embarques/dia, e atualmente é de cerca de 38 mil passageiros/dia (redução de 71%).

Além disso, explicou que a frota do transporte coletivo municipal é dimensionada de acordo com a demanda e, neste momento, respeitando as orientações definidas pelo Comitê Metropolitano de Contingenciamento da Covid-19, para que não haja aglomerações.

A CET-Santos monitora diariamente a operação do transporte coletivo.

EMTU

As linhas de transporte metropolitano da EMTU na Baixada Santista estão em situação parecida.

Nas redes sociais, não faltam registros feitos por usuários com fotos de ônibus lotados em São Vicente e Praia Grande.

Questionada sobre o problema, a EMTU, que cuida do transporte metropolitano, emitiu a seguinte nota “Nas últimas semanas o transporte metropolitano apresentou, em média, uma queda de 73% no número de passageiros transportados. Na região Metropolitana da Baixada Santista, no entanto, a quantidade de pessoas por faixa horária nos ônibus tem apresentado acentuada oscilação, o que dificulta o trabalho de adequação da frota”. Ou seja, sem perspectivas de mudanças.

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