Câmara de Santos vive momentos agitados para escolha da futura Mesa Diretora | Boqnews
Imagem da fachada da Câmara de Santos Foto: Nando Santos Sede da Câmara de Santos

Política

21 DE OUTUBRO DE 2022

Câmara de Santos vive momentos agitados para escolha da futura Mesa Diretora

Duas chapas disputam os votos dos vereadores, mas um voto ainda é um incógnita. Votação ocorrerá no dia 1º de novembro

Por: Fernando De Maria

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Enquanto a população brasileira está de olho das eleições presidenciais e para o governo do Estado no próximo dia 30, os vereadores da Câmara de Santos têm outro compromisso político 48 horas depois.

Afinal, está marcado para o dia 1º de novembro – portanto, dois dias após as eleições presidencias – a definição da nova Mesa Diretora da Câmara.

E após muito tempo de relativa tranquilidade para escolha do presidente e dos demais quatro componentes da mesa, a situação mudou radicalmente desta vez, com polarização nas escolhas – a exemplo das eleições nacionais.

Ou seja, a base aliada do prefeito Rogério Santos (PSDB), composta por 18 dos 21 vereadores, literalmente rachou, conforme apurado pelo Boqnews.

Os dois grupos garantem que têm, atualmente, 12 e 9 vereadores, respectivamente, a seu favor.

No entanto, os números divulgados não fecham.

Afinal, uma das vereadoras (Débora Camilo) já anunciou que não votará em qualquer dos candidatos.

Portanto, serão 20 votos em disputa, o que poderia provocar um inédito empate (10 para cada lado).

O critério de desempate seria a idade.

A futura mesa diretora terá papel fundamental nas eleições municipais de 2024, que tendem a seguir tendência de polarização com as eleições deste ano.

Cacá Teixeira é um dos candidatos à presidência da Câmara. Foto: Felipy Brandão

 

Ademir Pestana encabeça a outra chapa. Foto: Jornal Enfoque – Manhã de Notícias

Nomes

A única certeza é que os dois indicados à presidência serão do PSDB, o mesmo partido do prefeito.

No ‘grupo dos 12’, o nome indicado é o do vereador Cacá Teixeira (nascido em 1955).

Em seu terceiro mandato, ele nunca ocupou um cargo na Mesa Diretora.

Cacá também foi vice-prefeito na gestão do ex-prefeito João Paulo Tavares Papa e secretário de Gestão (2017-2020) no governo do ex-prefeito Paulo Alexandre Barbosa.

Além disso, é o atual vice-provedor da Santa Casa.

Outro tucano ocupa a chapa ‘do grupo dos 9’, encabeçada por Ademir Pestana (PSDB), nascido em 1952.

Vereador em quinto mandato, ele chegou a ser 2º vice-presidente do Legislativo no seu primeiro mandato (biênio 2003/2004).

Preside a Sociedade Portuguesa de Beneficência.

Nesta ‘briga de bastidores’ entre os edis, ocorre uma verdadeira salada partidária.

Afinal, o PSDB rachou (Cacá Teixeira está em um grupo e os demais vereadores da legenda, Ademir Pestana e Augusto Duarte, em outro).

Os vereadores do PT estão no ‘grupo dos 12’.

Já os edis da chamada Bancada da Bala, por serem ligados às polícias civil e militar (Fábio Duarte – Podemos, Sérgio Santana – PL e Adriano Piemonte – União) estão no  grupo dos 9, junto com o vereador Benedito Furtado (PSB), o decano da Câmara, entre outros.

Uma a menos

O Boqnews ouviu vereadores dos dois blocos e apurou que o consenso é praticamente impossível na atualidade.

E assim, tudo ruma para um embate nas urnas no próximo dia 1º.

Até lá, a busca por votos ou tentativa de alguém mudar de lado será intensa.

O prazo para inscrições das chapas é de 72 horas – com base em dias úteis.

Como na sexta-feira (28), dia do servidor municipal e de São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis, será feriado aos servidores, o prazo de inscrição se encerra na próxima quarta (26).

Ao que tudo indica, porém, nem São Judas deve unir os grupos.

A única certeza é que apenas 20 votos estarão em disputa – contrariando a soma dos grupos dos 9 e dos 12, por exemplo, que chega a 21.

Afinal, por orientação do PSOL, a vereadora Débora Camilo já anunciou que não votará em qualquer das duas chapas.

Em nota, ela respondeu que “não há uma diferença política programática em nenhum dos grupos que se articulam para esta disputa. Ambos são encabeçados pela base do prefeito Rogério Santos, o que impossibilita que a Câmara tenha uma atuação independente. Desta forma, não apoiarei nenhuma das chapas que estão sendo apresentadas para a disputa da Mesa Diretora”, adiantou.

Portanto, estão em disputa 20 dos 21 votos.

No entanto, os números apresentados pelos dois grupos chegam a 21.

Não batem, portanto.

Um voto está literalmente no ar…

Histórias de traições

Não bastasse, o histórico do Legislativo santista é recheado de traições e até ‘sequestro’ de vereador no Réveillon (na ocasião, a eleição ocorria no primeiro dia do ano, após a posse do prefeito), como ocorrido em 1996.

Na ocasião, um grupo majoritário havia definido o nome de José Lascane, já falecido.

Porém, na tarde de 31 de dezembro, integrantes do grupo que perderia a eleição pediu um encontro com o vereador Marivaldo Aggio (1997 a 2000), falecido em 2017.

Na ocasião, foi-lhe oferecida a presidência da Câmara.

Mas Aggio deveria mudar de lado.

O encontro ocorreu em um escritório de advocacia no Centro de Santos, onde o parlamentar foi convencido a dormir na noite de Réveillon, na companhia de outros edis que o ‘vigiavam’.

Na hora da eleição da Mesa diretora, Aggio chegou escoltado pelos seus pares, que o isolaram e impediram que ele conversasse com antigos aliados.

Resultado: sua chapa venceu, ele foi presidente e nunca mais voltou ao Legislativo.

No biênio 2000/2001, a história de traição se repetiu.

Um grupo apostava no nome de vereador Adelino Rodrigues, mas foi surpreendido de último hora com a eleição de José Antonio Marques de Almeida, o Jama.

Portanto, histórico de traições na Câmara de Santos não são novidades.

Dessa forma, até o dia da eleição muitas surpresas poderão ocorrer.

A conferir.

 

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