Em 6 meses, 9 incêndios atingiram 210 moradias em favelas da Baixada Santista | Boqnews
Em seis meses, seis incêndios ocorreram na Vila Gilda, três apenas neste ano. Foto: Carlos Nogueira/PMS-Divulgação-Arquivo

Triste balanço

04 DE FEVEREIRO DE 2026

Siga-nos no Google Notícias!

Em 6 meses, 9 incêndios atingiram 210 moradias em favelas da Baixada Santista

Nesta semana, dois novos incêndios na Vila Gilda ocorreram atingindo dezenas de famílias. Por sorte, sem feridos. Número é uma estimativa com base em dados do Corpo de Bombeiros.

Por: Fernando De Maria

array(1) {
  ["tipo"]=>
  int(27)
}

Com 315 mil pessoas residindo em favelas e sub-habitações na Baixada Santista, segundo dados do IBGE, a região é uma das mais vulneráveis na ocorrência de incêndios em comunidades.

Apenas nos últimos seis meses, foram mais de 210 barracos consumidos pelas chamas no Dique da Vila Gilda, em Santos (cerca de 184) e outras 28 na vizinha Cubatão, tanto na Vila Esperança como na Vila dos Pescadores.

Nestas tragédias pessoais, uma mulher morreu no incêndio de agosto do ano passado, o mais violento, que superou 100 moradias atingidas.

Portanto, neste período, pelo menos nove incêndios ocorreram nestes seis meses apenas em comunidades, conforme balanço efetuado pela Reportagem junto ao Grupamento do Corpo de Bombeiros.

Seis em Santos e três em Cubatão.

Portanto, nesta quarta (4), por volta das 17 horas, mais um incêndio ocorreu na Vila Gilda, agora bairro, em Santos, no litoral paulista.

Trata-se da maior favela de palafitas do País.

Conforme o 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros, as chamas consumiram hoje entre 7 a 8 moradias.

Por sorte, não houve feridos.

Relatos de populares chegaram a apontar que duas crianças teriam morrido em razão das chamas.

Porém, as mesmas conseguiram fugir das labaredas e vizinhos as abrigaram para alívio da mãe que chegava do serviço.

Ao todo,  27 bombeiros e dois enfermeiros atuaram no combate às chamas.

O incêndio de hoje ocorreu no Caminho da Capela, 89.

Deve-se destacar que no dia anterior (3), as chamas consumiram entre 5 a 7 barracos em uma área de 300 m2 no Caminho São Sebastião, por volta das 18 horas.

Também sem vítimas.

Incêndio atingiu pelo menos 8 moradias e mobilizou 27 bombeiros e dois enfermeiros. Foi o 9º na região nos últimos seis meses. Foto: Reprodução Redes Sociais

Anúncio

Coincidência ou não,  o incêndio desta quarta  ocorreu no mesmo dia que o Governo do Estado anunciou investimentos em habitação.

E incluiu Santos no Programa Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis.

A adesão à iniciativa estadual prevê a implantação de parque linear na Vila Gilda, com áreas de lazer e equipamentos públicos.

Além disso, prevê o governo paulista, haverá a regularização fundiária e melhorias habitacionais integradas a projetos como o Parque das Palafitas e o Parque dos Mangues.

O anúncio ocorreu em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na Capital, com a presença do governador Tarcísio de Freitas, e do secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco.

Além de prefeitos e autoridades de diversas regiões de São Paulo.

O de Santos, Rogério Santos, e o presidente da Cohab, Maurício Prado, participaram do ato.

Em Santos, 46.262 pessoas vivem em favelas, como no Dique da Vila Gilda, onde residem pouco mais de 7 mil pessoas. Foto: Arquivo/PMS

Números da realidade

A despeito de Santos ter um dos maiores PIBs – Produto Interno Bruto, a cidade tem, conforme dados do IBGE, 11% (cerca de 46 mil pessoas) vivendo em favelas e submoradias, como os cortiços.

No caso do Dique da Vila Gilda, conforme o IBGE, é possível explicar os motivos dos recorrentes incêndios.

Dados do Censo de 202 apontam que 7.353 pessoas residem na comunidade, com uma densidade demográfica de 26.790,2 habitantes por km2.

Índice superior aos bairros da orla na cidade mais vertical do Brasil.

Para se ter ideia, a Pompeia, que tem a maior a maior concentração entre os bairros da orla, chega a 25 mil moradores/km2.

Ao todo, são 3.616 domicílios cadastrados no Dique da Vila Gilda, cuja faixa etária média dos moradores é de 29 anos – bem distante da realidade santista, onde 1 em cada 4 moradores tem mais de 65 anos.

Direitos?

Alguns dados oficiais ajudam a entender o cenário no bairro: nem todos os moradores têm acesso à água (84%).

Os demais a utilizam nas proximidades (15,87%) e outros 0,19% vivem sem água.

Além disso, 22?% das vias não passam veículos, resultando em labirintos para atuação dos bombeiros no combate às chamas.

Boa parte das moradias são de madeira, facilitando a velocidade da combustão.

Apenas 62% tem acesso à iluminação pública no entorno – sendo que 17% dos entrevistados disseram que ela inexiste no entorno onde moram.

Além disso, 73% disseram que não existem árvores no entorno onde residem e outros 76% precisam andar muito para chegar a um ponto de ônibus ou van.

Apenas 1/3 das moradias têm calçadas ou passeio.

Além disso, apenas 30% moram em local com bueiro ou boca de lobo.

Parque Palafitas: projeto piloto com 60 unidades será ampliado. Foto: Carla Oliveira/Arquivo

Expectativa

Com a adesão ao programa, o prefeito Rogério Santos aposta na mudança deste cenário.

“Estes convênios são fundamentais para a política de habitação e de adaptação urbana da nossa Cidade. Essa parceria nos permite avançar com um objetivo claro, proporcionar o acesso à moradia digna e mais qualidade de vida para a nossa população, uma das prioridades da nossa gestão”.

De acordo com o presidente da Cohab Santista, Maurício Prado, os investimentos integram urbanização, regularização fundiária e qualificação de moradias já existentes.

Isso amplia a oferta de espaços públicos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população.

“A partir da adesão, começamos agora a anunciar e executar essas novas intervenções, garantindo mais dignidade às famílias atendidas”.

Sucessivos casos

Confira, de forma resumida, os nove incêndios ocorridos nos últimos seis meses em comunidades da região, conforme dados do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros.

Dia 1 de agosto 2025 – 7h32 – Caminho São Sebastião, 287 – Rádio Clube

100 moradias atingidas – 331 pessoas afetadas

1 vítima fatal.

46 bombeiros atuaram no combate às chamas

Dia 2 de agosto 2025 – 11h56 – Caminho São Sebastião, 960 – Rádio Clube

5 viaturas – 10 bombeiros

2 moradias atingidas

Dia 28 de agosto – 13h40 – Caminho São Sebastião

15 viaturas, 47 bombeiros – 50 a 60 moradias atingidas.

Três vítimas: um homem foi atingido por um pedaço de telhado de madeira que caiu sobre a cabeça. Foi levado na ocasião ao hospital.

Duas mulheres atendidas na UPA da Zona Noroeste por inalação de fumaça.

E continua…

Dia 9 de setembro – 14h20 – Vila dos Pescadores – Cubatão

7 viaturas – 18 bombeiros e 2 enfermeiros.

12 moradias atingidas, totalizando 400 m2 de área. Sem vítimas

Dia 25 de outubro – 14h39 – Vila dos Pescadores – Cubatão

8 viaturas – 21 bombeiros – 2 vítimas leves (queimaduras) – 5 casas afetadas

Dia 25 de dezembro (Natal) – 10h19 – Vila Esperança – Cubatão

6 viaturas – 18 bombeiros – 11 moradias – cerca de 100 m2 de área atingida.

4 vítimas socorridas com queimaduras, inalação de fumaça e crise nervosa.

… em 2026

O ano nem bem começou e já registrou três incêndios em comunidades, todas no Dique da Vila Gilda.

Dia 27 de janeiro – Caminho São José, 60 – 

10 viaturas – 30 bombeiros – 6 a 7 moradias afetadas, totalizando 300 m2 de área. Sem vítimas

Dia 3 de fevereiro – Caminho São Sebastião – 18h08

14 bombeiros – 5 a 7 barracos, totalizando 300 m2 de área. Sem vítimas.

Dia 4 de fevereiro – Caminho da Capela  – 17h07

10 viaturas, com 27 bombeiros e 2 enfermeiras. Chamas atingiram 8 moradias. Sem vítimas.

 

Confira as notícias do Boqnews no Google News e fique bem informado.

Notícias relacionadas

ENFOQUE JORNAL E EDITORA © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

desenvolvido por:
Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.