Vermelha ou laranja?

Em meio ao aumento de casos, Baixada Santista espera por mudança de fase

Em meio à expectativa de mudança de grau – de vermelha para laranja, Baixada Santista registra aumenta gradual de infectados, preocupando profissionais de saúde.

02 de junho de 2020 - 20:22

Fernando De Maria

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Estamos na zona vermelha ou laranja?

O mapa acima deixa claro como está a região, a despeito das prefeituras afirmarem o oposto.

A dúvida se justifica: enquanto o Governo do Estado assegura que a Baixada Santista permanece na zona mais crítica, a zona vermelha, dentro dos critérios de reabertura de atividades econômicas, prefeituras já anunciaram uma abertura gradual das atividades econômicas e defendem a zona laranja, possibilitando o funcionamento de algumas atividades econômicas, como concessionárias de veículos e imobiliárias.

Esta dúvida será esclarecida nesta quarta (3), às 12h30, durante entrevista coletiva do governador João Doria.

No entanto, números registrados nos últimos dias levam a crer que o cenário não é tão favorável neste momento.

 

Fase crítica

“Estamos em uma fase crítica”, atesta o infectologista Marcos Caseiro, um dos coordenadores da pesquisa Epicobs, que avalia o volume de pessoas infectadas na Baixada Santista.

Conforme o terceiro levantamento, divulgado nesta terça (2), com base na coleta de sangue de moradores, a região tem 3,86% da sua população com anticorpos do Covid-19.

Ou seja, entre 56,6 mil a 84 mil pessoas já tiveram, de forma sintomática ou não, contato com o vírus no organismo.

Números equivalem superiores, dependendo do cenário, a cidades dos tamanhos de Mongaguá, Bertioga e Peruíbe, por exemplo.

Conforme o estudo, a prevalência está em ascensão na Baixada Santista, com aumento de casos positivos nos últimos 15 dias, passando de 2,22% da população com covid-19 para 3,86% duas semanas depois.

As piores situações ocorrem em Guarujá e Cubatão, com 6,57% e 6,25%, respectivamente da população infectada pelo vírus.

“É totalmente inoportuna qualquer abertura de atividades neste momento”, enfatiza o profissional, salientando o crescimento da procura de pacientes na rede hospitalar, colocando em risco a possibilidade de colapso no sistema de saúde.

Confira a entrevista concedida pelo profissional ao Notícias do Dia, da Boqnews TV.

 

 

Câmara frigorífica

Não é à toa que o Hospital Ana Costa confirmou a instalação de um câmara frigorífica para eventual crescimento na demanda de corpos.

Em nota, o hospital “confirma a instalação de uma câmara frigorífica em suas dependências como solução preventiva e temporária de ampliação da capacidade normal de atendimento aos óbitos, diante da pandemia do coronavírus”.

“Ela está amparada em rigorosos protocolos de biossegurança hospitalar e busca dar resposta à delicada situação que o momento exige, sem abrir mão do respeito e da seriedade na condução destes casos”.

O assunto ganhou tanta relevância que foi objeto de assunto abordado pela vereadora Telma de Souza (PT) durante sessão na noite de segunda (1) na Câmara de Santos.

Há expectativa do comércio para a retomada de atividades econômicas. Porém, números de casos preocupam

Enquanto isso…

Enquanto isso, algumas cidades dão como certa a mudança de faixa e já planejam a abertura até de shopping center.

São Vicente, por exemplo, anunciou a reabertura do comércio vicentino desde segunda (1).

Ou seja, a medida é prevista em Lei Municipal, de autoria do prefeito de São Vicente, Pedro Gouvêa, e aprovada pela Câmara, na noite da última quinta-feira (28).

Dessa forma, esta etapa prevê a abertura do comércio com regras mais rígidas, exceto para serviços de lazer, esporte e entretenimento.

Assim, fica mantida a restrição para bares e restaurantes, sendo proibido o consumo no local, e a realização de eventos de qualquer natureza, sejam públicos ou privados.

No entanto, já na próxima segunda (8), fica estabelecida a reabertura de shopping, centros comerciais, galerias populares ou camelódromos e academias.

A terceira etapa começa a valer a partir de 20 de junho, caso os dados coletados sobre a doença apresentem índices estabilizados ou em queda.

Fica estabelecida também a retomada do consumo em bares, restaurantes e praças de alimentação.

Estes, porém, deverão respeitar o limite de 30% de sua capacidade para atendimento aos clientes.

 

Guarujá

Já em Guarujá, que ampliou a oferta de atividades econômicas, teve que voltar atrás.

Assim, conforme decisão do desembargador Carlos Bueno, os seguintes estabelecimentos não se enquadram no decreto municipal e terão que fechar:

– lojas de conserto de sapatos
–  de embalagens
–  de suprimentos de escritório e papelarias
– de tecido e aviamentos,
– lojas de cosméticos
– lava-rápidos
– lojas de compra e venda de automóveis
– lan houses
– serralherias e marcenarias
– adegas
– salões de beleza, barbearias
– imobiliárias
– ateliês de costura
– associações e seguradoras

No entanto, são fortes as chances da Justiça seguir os passos do ocorrido em Guarujá e estabelecer o fechamento de atividades econômicas, especialmente se não ocorrer a mudança de zona, tão pleiteada pelos prefeitos.

Zona vermelha mantida

Já o governo do Estado manteve, até esta terça (2), a Baixada Santista na zona vermelha.

Portanto, a dúvida será esclarecida somente nesta quarta, quando os dados serão apresentados durante coletiva de imprensa, realizada no Palácio dos Bandeirantes, às 12h30.