Daqui aproximadamente nove meses, os cerca de 325 mil eleitores de Santos irão às urnas para escolher o sucessor do atual prefeito, João Paulo Tavares Papa (PMDB), e que assumirá o Palácio José Bonifácio de 1° de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2016. Na visão dos analistas políticos Clara Versiani e Fernando Chagas, dos quatro nomes tidos como principais concorrentes ao pleito, um desponta com favoritismo para ao menos alcançar o segundo turno: o atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que figurou na liderança da primeira pesquisa Enfoque/Jornal Boqnews sobre as eleições deste ano, realizada em outubro de 2011.
Os especialistas também concordam sobre as escassas chances de vitória da ex-prefeita e deputada estadual Telma de Souza (PT), mas divergem quanto aos pré-candidatos com mais possibilidades de concorrer contra Paulo Alexandre no segundo turno. Enquanto Chagas acredita que o secretário municipal de Portos — e provável nome a ser apoiado por Papa nas eleições de outubro — Sérgio Aquino (PMDB) será o principal "rival" do tucano no pleito deste ano, Clara aposta que, "considerando o quadro político atual da Cidade", o ex-prefeito e deputado federal Beto Mansur (PP) tem mais condições de alcançar o segundo estágio das eleições.
Para Fernando Chagas, Paulo Alexandre terá um parceiro "de peso" durante a campanha eleitoral: o governo estadual. "O PSDB nunca apostou tanto em uma candidatura em Santos. É a primeira vez que a legenda tem um candidato competitivo por aqui, e o partido vai usar todos os recursos possíveis para elegê-lo", analisa, tendo em vista a expressiva votação do tucano na Cidade nas eleições para a Assembleia Legislativa em 2010 — em Santos, Paulo Alexandre obteve 59.997 sufrágios, mais do que os 41.063 obtidos pela segunda candidata mais votada em Santos, Telma de Souza, e do que os 32.855 votos conquistados por Beto Mansur no Município na disputa pela Câmara Federal
Clara, por sua vez, considera que a força do pessedebista está na característica cada vez mais conservadora do eleitorado santista, provocada em razão do tipo de desenvolvimento que a Cidade teve nos últimos anos. "Santos hoje tem um modelo de crescimento que propiciou o surgimento uma comunidade cada vez mais conservadora. Esse cenário fortalece legendas mais conservadoras, como vem sendo reiterado aqui na Cidade nas últimas eleições", avalia.
Esse cenário "conservador" é, na visão de Clara Versiani, justamente um fator que enfraquece a candidatura de Telma — além da perda de espaço do próprio PT. "Ela (Telma) é um nome com expressão, mas a vejo hoje como uma força em declínio. O discurso dela ainda é voltado para uma Santos que não existe mais. O PT de Santos tem observado uma redução de sua participação na Cidade. Dos 17 vereadores, apenas três são da legenda, muito pouco para um partido que já elegeu dois prefeitos — um deles a própria Telma — e que vem, por sua vez, em constante crescimento no Brasil", reflete, em referência aois dois mandatos petistas na Cidade, entre 1989 e 1996.
Curiosamente, tal interpretação vem em no momento em que Telma é a vice-líder da pesquisa Enfoque/Jornal Boqnews — na ocasião, a petista aparecia com 15,6% das intenções de voto na pesquisa estimulada. De acordo com Fernando Chagas, contudo, a tendência é de que a ex-prefeita apresente queda. "Ela não tem apoio da cúpula do PT, principalmente no Governo Federal, que tem mais interesse em uma aliança com o PMDB. Se você não tem apoio da cúpula de seu próprio partido, nem de sua base municipal, fica difícil. Por mais votos e tradição que ela tenha, será difícil manter-se em um cenário competitivo. Pela primeira vez, a Telma terá dificuldades de chegar ao segundo turno", sentencia.
Choque
O "choque" entre os analistas se dá na hora de apontar o teórico concorrente de Paulo Alexandre em um provável segundo turno. Para Clara, o nome de Beto Mansur ainda tem grande força política em Santos, além de ter a favor o fato de já ter sido prefeito por dois mandatos. "Ele tem um currículo vitorioso na região e em 2004, fez com que seu vice (Papa) fosse eleito. Além disso, vejo que é bem mais fácil a alta aprovação do Governo Papa ser transmitida ao Beto do que a alguém da equipe do Papa. Muitos que trabalharam no governo Beto ou exerciam cargos de confiança seguiram em seus postos nos mandatos do atual prefeito", considera.
Ainda na visão da cientista política, Sérgio Aquino é uma escolha de Papa mais para não assumir uma posição pró-Beto (que o ajudou a se eleger em 2004 e de quem foi vice-prefeito) ou pró-Paulo Alexandre (a quem apoiou na última eleição para a Assembleia e que era cotado para ser justamente o candidato do prefeito) do que por uma aposta de vitória. "Aquino me parece uma escolha mais café-com-leite, talvez pensando em uma composição para segundo turno. Ou seja, seria lançado um nome para que, em um eventual segundo turno, se pudesse discutir uma aliança com Paulo Alexandre ou Beto Mansur", reflete.
Por sua vez, Chagas avalia que com o desenrolar do processo eleitoral, Sérgio Aquino poderá capitalizar com a aprovação de Papa e se firmar pelo menos como o segundo nome mais forte do pleito. "Um prefeito que tem uma aprovação entre 70% e 80% tem todas as condições de tornar seu candidato competitivo, mesmo que ele inicie a eleição lá atrás. Para isso, ele dependerá nem tanto da imagem personificada do Papa, mas da administração do atual prefeito", considera. Na primeira pesquisa Enfoque/Jornal Boqnews, ainda não constava o nome de Aquino, mas a condição "candidato do Governo Papa" despontava com 9,3% das intenções de voto na pesquisa estimulada, atrás apenas de Paulo Alexandre e Telma.
Já quanto a Beto Mansur — que também recebeu 9,3% na pesquisa Enfoque/Jornal Boqnews de outubro —, o especialista avalia que o deputado federal terá dificuldades por não contar com apoio de nenhuma das máquinas. "No município, Beto não terá o apoio do Papa, que seria importante. No Estado, haverá campanha forte para o Paulo Alexandre. E na máquina federal, se o governo do PT não vai dar um apoio feroz para a Telma, também não dará forças aos adversários dela. Além disso, o Beto terá seu eleitorado dividido em outros candidatos competitivos, como o Paulo Alexandre e o Sérgio Aquino", conclui.
Especialistas analisam cenário para sucessão de Papa na Prefeitura
Daqui aproximadamente nove meses, os cerca de 325 mil eleitores de Santos irão às urnas para escolher o sucessor do atual prefeito, João Paulo Tavares Papa (PMDB), e que assumirá o Palácio José Bonifácio de 1° de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2016. Na visão dos analistas políticos Clara Versiani e Fernando Chagas, dos quatro nomes tidos como principais concorrentes ao pleito, um desponta com favoritismo para ao menos alcançar o segundo turno: o atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que figurou na liderança da primeira pesquisa Enfoque/Jornal Boqnews sobre as eleições deste ano, realizada em outubro de 2011.
Os especialistas também concordam sobre as escassas chances de vitória da ex-prefeita e deputada estadual Telma de Souza (PT), mas divergem quanto aos pré-candidatos com mais possibilidades de concorrer contra Paulo Alexandre no segundo turno. Enquanto Chagas acredita que o secretário municipal de Portos — e provável nome a ser apoiado por Papa nas eleições de outubro — Sérgio Aquino (PMDB) será o principal “rival” do tucano no pleito deste ano, Clara aposta que, “considerando o quadro político atual da Cidade”, o ex-prefeito e deputado federal Beto Mansur (PP) tem mais condições de alcançar o segundo estágio das eleições.
Para Fernando Chagas, Paulo Alexandre terá um parceiro “de peso” durante a campanha eleitoral: o governo estadual. “O PSDB nunca apostou tanto em uma candidatura em Santos. É a primeira vez que a legenda tem um candidato competitivo por aqui, e o partido vai usar todos os recursos possíveis para elegê-lo”, analisa, tendo em vista a expressiva votação do tucano na Cidade nas eleições para a Assembleia Legislativa em 2010 — em Santos, Paulo Alexandre obteve 59.997 sufrágios, mais do que os 41.063 obtidos pela segunda candidata mais votada em Santos, Telma de Souza, e do que os 32.855 votos conquistados por Beto Mansur no Município na disputa pela Câmara Federal
Clara, por sua vez, considera que a força do pessedebista está na característica cada vez mais conservadora do eleitorado santista, provocada em razão do tipo de desenvolvimento que a Cidade teve nos últimos anos. “Santos hoje tem um modelo de crescimento que propiciou o surgimento uma comunidade cada vez mais conservadora. Esse cenário fortalece legendas mais conservadoras, como vem sendo reiterado aqui na Cidade nas últimas eleições”, avalia.
Esse cenário “conservador” é, na visão de Clara Versiani, justamente um fator que enfraquece a candidatura de Telma — além da perda de espaço do próprio PT. “Ela (Telma) é um nome com expressão, mas a vejo hoje como uma força em declínio. O discurso dela ainda é voltado para uma Santos que não existe mais. O PT de Santos tem observado uma redução de sua participação na Cidade. Dos 17 vereadores, apenas três são da legenda, muito pouco para um partido que já elegeu dois prefeitos — um deles a própria Telma — e que vem, por sua vez, em constante crescimento no Brasil”, reflete, em referência aois dois mandatos petistas na Cidade, entre 1989 e 1996.
Curiosamente, tal interpretação vem em no momento em que Telma é a vice-líder da pesquisa Enfoque/Jornal Boqnews — na ocasião, a petista aparecia com 15,6% das intenções de voto na pesquisa estimulada. De acordo com Fernando Chagas, contudo, a tendência é de que a ex-prefeita apresente queda. “Ela não tem apoio da cúpula do PT, principalmente no Governo Federal, que tem mais interesse em uma aliança com o PMDB. Se você não tem apoio da cúpula de seu próprio partido, nem de sua base municipal, fica difícil. Por mais votos e tradição que ela tenha, será difícil manter-se em um cenário competitivo. Pela primeira vez, a Telma terá dificuldades de chegar ao segundo turno”, sentencia.
Choque
O “choque” entre os analistas se dá na hora de apontar o teórico concorrente de Paulo Alexandre em um provável segundo turno. Para Clara, o nome de Beto Mansur ainda tem grande força política em Santos, além de ter a favor o fato de já ter sido prefeito por dois mandatos. “Ele tem um currículo vitorioso na região e em 2004, fez com que seu vice (Papa) fosse eleito. Além disso, vejo que é bem mais fácil a alta aprovação do Governo Papa ser transmitida ao Beto do que a alguém da equipe do Papa. Muitos que trabalharam no governo Beto ou exerciam cargos de confiança seguiram em seus postos nos mandatos do atual prefeito”, considera.
Ainda na visão da cientista política, Sérgio Aquino é uma escolha de Papa mais para não assumir uma posição pró-Beto (que o ajudou a se eleger em 2004 e de quem foi vice-prefeito) ou pró-Paulo Alexandre (a quem apoiou na última eleição para a Assembleia e que era cotado para ser justamente o candidato do prefeito) do que por uma aposta de vitória. “Aquino me parece uma escolha mais café-com-leite, talvez pensando em uma composição para segundo turno. Ou seja, seria lançado um nome para que, em um eventual segundo turno, se pudesse discutir uma aliança com Paulo Alexandre ou Beto Mansur”, reflete.
Por sua vez, Chagas avalia que com o desenrolar do processo eleitoral, Sérgio Aquino poderá capitalizar com a aprovação de Papa e se firmar pelo menos como o segundo nome mais forte do pleito. “Um prefeito que tem uma aprovação entre 70% e 80% tem todas as condições de tornar seu candidato competitivo, mesmo que ele inicie a eleição lá atrás. Para isso, ele dependerá nem tanto da imagem personificada do Papa, mas da administração do atual prefeito”, considera. Na primeira pesquisa Enfoque/Jornal Boqnews, ainda não constava o nome de Aquino, mas a condição “candidato do Governo Papa” despontava com 9,3% das intenções de voto na pesquisa estimulada, atrás apenas de Paulo Alexandre e Telma.
Já quanto a Beto Mansur — que também recebeu 9,3% na pesquisa Enfoque/Jornal Boqnews de outubro —, o especialista avalia que o deputado federal terá dificuldades por não contar com apoio de nenhuma das máquinas. “No município, Beto não terá o apoio do Papa, que seria importante. No Estado, haverá campanha forte para o Paulo Alexandre. E na máquina federal, se o governo do PT não vai dar um apoio feroz para a Telma, também não dará forças aos adversários dela. Além disso, o Beto terá seu eleitorado dividido em outros candidatos competitivos, como o Paulo Alexandre e o Sérgio Aquino”, conclui.