Foto: João Pedro Bezerra

Economia

23 DE JULHO DE 2021

Expo Retomada mostra que é possível realizar eventos seguros na pandemia

Evento aconteceu no Santos Convention Center

Por: Eduardo Russo
Da Redação

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Grandes debates marcaram o segundo dia da Expo Retomada, realizada no Santos Convention Center nesta quinta-feira (22).

Oportunidades para o setor de eventos, como as cidades podem ser hospitaleiras, iniciativas locais de Santos que deram certo e como a tecnologia pode ajudar o setor de eventos foram os temas abordados.

1° debate

No primeiro debate, o especialista em marketing e feiras de negócios Fernando Lummertz citou que a Expo Retomada provou que os eventos podem ser mais seguros do que uma ida ao supermercado ou a uma loja de material de construção, por exemplo.

O presidente da Associação Brasileira de Cenografia e Estandes Marcelo Soares citou que o grande desafio será convencer as pessoas de que os protocolos deverão ser vistos porque a pandemia ainda não tem data para acabar. “ Acredito que a maior dificuldade dos empresários é fazer com que os funcionários entendam que o vírus permanecerá, e que os protocolos são uma prática que precisa se tornar um hábito. Vejo que há problemas em comprar uma ideia. Antigamente, os funcionários não queriam usar os equipamentos de proteção individuais e as normas provocaram a redução dos acidentes”, ressaltou.

Já para o presidente da j& A João Neto, a Expo Retomada pode significar um novo momento na realização de feiras e eventos de negócios no país. “ O evento pode dar o parâmetro para medir se fornecedores e visitantes vão aderir aos protocolos. Atualmente há outras formas de comunicação com o público em geral, como as redes sociais. A partir de agora daremos uma ênfase maior na segurança, mas todo mundo aprendeu que a saúde vem antes do dinheiro e que os protocolos são chatos, mas eles ocorrem com segurança”, concluiu o empresário.

2° debate

No segundo debate estiveram presentes a jornalista Arminda Augusto, o presidente da Clia Brasil Marcos Ferraz, o diretor-executivo do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo Ricardo Molitzas, a diretora de operação do Concais Suely Martinez e a secretária de turismo de Santos Selley Storino.

Também estava presente o presidente do Sindicato dos Hoteis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira Heitor Gonzalez. As iniciativas adotadas pela cidade de Santos durante a pandemia e como o setor de hospitalidade pode contribuir na retomada foram o foco central dessa roda de conversa.

Marcos Ferraz apresentou o impacto econômico gerado por um cruzeirista na cidade.

De acordo com o dado da Fundação Getúlio Vargas (FGV), um cruzeirista gera um impacto de R$ 557,32 na cidade escala.  As pessoas que realizam cruzeiros em sua maioria, de acordo com Ferraz, fica aproximadamente sete dias no mar, são casados e têm ensino superior e preferem viajar para o Nordeste. Os paulistas compõem os brasileiros que mais realizam cruzeiros.

Para a retomada dos cruzeiros na próxima temporada, protocolos estão sendo discutidos com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) constantemente. Algumas temas já estão definidas, como shows com cadeiras distanciadas, piscinas com menos locais disponíveis no deck, adoção de um plano de contingência com telemedicina para monitorar os casos de covid-19 e contato com os hospitais na terra, além de mudanças na forma de se oferecer alimentação dentro dos cruzeiros.

Marcos Ferraz diz que os cruzeiros da temporada 2021\ 2022 não terão o sistema de self-service. Apesar da adoção destes novos protocolos, os custos da viagem não sofrerão alteração por enquanto.

Suely Martinez complementou a fala de Ferraz observando os eventuais impactos econômicos causados pela paralisação do porto e também lembrou de toda a cadeia que é girada quando os cruzeiros chegam em Santos. “ 35 mil passageiros deixaram de embarcar no ano passado. Na temporada que teve que ser encurtada, tínhamos a previsão de embarque de 311 mil passageiros e a perda acaba sendo muito grande. Sem os cruzeiros, não são deixados na cidade R$ 17 milhões, que equivalem ao salário dos funcionários e dos fornecedores, por exemplo. E R$ 9 milhões não foram arrecadados de impostos na temporada passada. Só para se ter ideia, em um dia de cruzeiro, todos os taxistas que estão dentro do terminal realizam viagens e há a movimentação de vários ônibus, além das linhas regulamentadas. Apesar de termos de cumprir o contrato com o governo federal sem a realização dos cruzeiros, teremos uma nova fachada do Concais que será um orgulho para os santistas”, pontua.

Já o diretor-executivo do Sopesp lembrou quais foram os obstáculos enfrentados pelo Porto na pandemia e a luta para que a categoria fosse incluída na lista de vacinação prioritária. O trabalho de vacinação da classe contou com o apoio do Sopesp, Secretaria da Saúde e as Associações Nacionais. Ricardo Molitzas lembrou que a sociedade precisará a aprender a conviver com o vírus, e que a economia precisa ser retomada o quanto antes até mesmo para ajudar o setor portuário.

E com todas as restrições impostas para se viajar ao mundo por causa da pandemia, o presidente do Sindicato dos Hoteis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira Heitor Gonzalez acredita que Santos e região podem ser beneficiados diretamente com isso, mas há um grande problema a ser enfrentado: “ De cada dez empresas do ramo que sobreviveram, sete estão endividadas das mais variadas formas. Tínhamos no começo da pandemia protocolos mais preparados e pensados do que o próprio governo, mas pouco foram usados. A economia da Baixada Santista é extremamente turística. Vejo um quadro negro, porém como há essa dificuldade para viajar para o exterior, a Baixada Santista pode ser beneficiada de uma forma muito maior do que imaginamos”, opinou.

3° debate

O último debate do dia contou com a participação do Secretário de Planejamento e Inovação de Santos Fábio Ferraz, o diretor da Gl Events Daniel Galante, o presidente da SP Turis Luiz Álvaro Aguiar de Menezes, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas Eduardo Sanovicz, o presidente do Parque Tecnológico de Santos Rogério Vilani, o gerente geral de setor público da Amazon Web Service no Brasil Paulo Cunha e o vereador de São Paulo, Rodrigo Goulart.

Fábio Ferraz e Rogério Vilani falaram ao público presente na plenária sobre as vantagens que Santos tem para a realização de grandes eventos e também sobre o Parque Tecnológico de Santos. A cidade polo da Baixada Santista conta com uma fibra de 400 quilômetros e é considerada a sétima cidade inteligente do Brasil. Além disso, Fábio Ferraz lembrou do trabalho realizado no Centro de Controle Operacional da cidade e disse que tudo é realizado com o intuito de racionalizar recursos públicos.

Para Rogério Vilani, o grande objetivo do Parque Tecnológico de Santos é atrair as empresas de tecnologia para a região. Quando a pandemia estiver parcialmente controlada, Vilani destaca que haverá um espaço no local considerado o “Poupatempo do microempreendedor”. Ele analisou o Parque Tecnológico como um ambiente de ecossistema onde pode haver a integração de vários setores da sociedade, como as startups, empresas de tecnologia, investidores, universidades, instituições de apoio e o mercado. Algumas áreas podem ser aprofundadas dentro do Parque Tecnológico, como a educação, o turismo, o conceito de cidades inteligentes, a tecnologia da informação e a logística e mobilidade, de acordo com Vilani.

O presidente da SPTURIS lembrou que as cidades devem tratar os moradores como turistas, já que eles serão os primeiros a divulgarem os locais para novas pessoas. “ A boa cidade para o turista é a boa cidade para o morador. Precisamos tratar o morador como se ele fosse um turista. Em um primeiro momento, o morador como turista pode movimentar a economia da cidade. E a São Paulo turismo atua em um dos setores mais afetados pela pandemia: o turismo, além da promoção dos eventos. Realizamos grandes eventos na cidade de São Paulo, como a virada cultural, a virada esportiva e o carnaval”, disse Luiz.

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