Grupo Acolhe Autismo Santos completa 10 anos | Boqnews
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01 DE ABRIL DE 2022

Grupo Acolhe Autismo Santos completa 10 anos

Neste sábado (2), é celebrado o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo

Por: Da Redação

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O Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo é comemorado neste sábado (2).

A data tem como objetivo informar a sociedade e reduzir o preconceito que envolve as pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).

Trata-se de um distúrbio do neurodesenvolvimento que gera um comportamento atípico.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo convivem com alguma forma do transtorno.

Assim, como em outras áreas, é fundamental que haja mobilização para discutir o tema do autismo, já que parte da população ainda não sabe o que é o transtorno e algumas vezes não percebem o comportamento diferente de uma criança.

E o número proporcional de crianças só tem crescido, atingindo um caso a cada 44 recém-nascidos atualmente. Além disso, a proporção de crianças autistas é quatro vezes maior entre meninos que meninas.

Grupo Acolhe Autismo

Há 10 anos, surgia um pequeno movimento em Santos, de cinco mães que resolveram se unir para comprar uma camisa azul e fazer uma ação com panfletos na Praça das Bandeiras (Gonzaga) no dia 2 de abril. Uma delas é Abigail Bueno.

Ela explica que antes não existiam ações em Santos e ela precisava ir para São Paulo.

Antes do ato, uma das mães postou a foto da camisa em uma rede social.

O post repercutiu e o movimento que seria realizado por um pequeno grupo ganhou uma grande proporção.

“A gente chegou na Praça das Bandeiras e havia muitas pessoas, inclusive a cobertura dos veículos de comunicação. Algumas mães estavam ansiosas para falar sobre a importância do ato e que não sabiam como lidar com um filho com autismo. Rapidamente, o pessoal resolveu fazer as camisetas e foi um ato muito lindo”, destacou.

O grupo de mães se fortaleceu e deu origem ao Grupo Acolhe Autismo Santos.

O objetivo do movimento é acolher, orientar e ajudar as pessoas com TEA, além dos familiares. Abigail Bueno explica que apoio é essencial para o desenvolvimento de alguém que tem o transtorno.

“Meu filho tem 33 anos, e quando ele ainda era criança, eu percebi algumas situações. Ele não comia e tinha dificuldade de socialização. Assim, eu procurei uma psicóloga, que falou sobre o autismo, mas o diagnóstico demorou. Na década de 90, este tema não era abordado como hoje”, explicou.

Abigail destacou que o filho Rui Júnior foi evoluindo com o passar dos anos.

“Em um período, eu sai do trabalho e me dediquei apenas a ele. Porém, nem todas as famílias têm essas condições. É algo complexo”, citou. Por fim, Abigail frisou que a sociedade ainda tem muito preconceito em relação aos autistas, sobretudo nos locais públicos, como transporte e supermercados, afinal as crianças têm diferentes comportamentos.

Contribuição

De acordo com a presidente do Grupo Acolhe Autismo Santos, Adriana Dias, a maior contribuição do movimento é justamente a conscientização sobre o TEA.

Adriana tem uma filha de 12 anos com o autismo destaca que conheceu o grupo pela então presidente Ana Lúcia Félix, que a ajudou no início. “A Ana foi uma pessoa muito especial para a vida das pessoas. Infelizmente, ela faleceu de Covid-19 no ano passado, mas deixou um grande legado e a luta deve continuar”, destacou Adriana. Com a morte de Ana Lúcia, Adriana assumiu a presidência do Grupo Acolhe Autismo.

Ela enfatiza que as políticas públicas voltadas ao tratamento de saúde adequado para as pessoas com TEA são fundamentais. Dessa forma, o movimento lutou por uma série de projetos, como a implantação da Clínica Escola do Autista, carteira de identificação, parcerias com clinicas privadas e palestras.

Adriana salienta que o desafio é grande, sobretudo no atendimento no Sistema Público de Saúde (SUS), onde as pessoas ainda encontram dificuldades para o tratamento. “Queremos mais clínicas escolas”, enfatizou.

Clínica

Clínica localizada no bairro do Marapé foi inaugurada em 2020/Foto: Divulgação

O Centro de Reabilitação e Estimulação do Neurodesenvolvimento (Cren), mais conhecido como Clínica-Escola do Autista de Santos, foi um projeto que teve a participação direta do Grupo Acolhe Autismo. A clínica foi inaugurada no segundo semestre de 2020, na antiga escola Braz Cubas, no Marapé.

Vale destacar que o equipamento é gerido pela Prefeitura de Santos e a organização social USC Saúde.De acordo com o Poder Municipal, para intervenções semanais com equipe multidisciplinar, já foram assistidos 240 pacientes de todas as idades.

Além disso, existem pacientes que frequentam a unidade no setor da Psiquiatria, Neuropediatria, Odontologia, Nutrição e Serviço Social, aguardando a liberação de vagas para início da avaliação multidisciplinar. No total, cerca de 40 profissionais trabalham na clínica.

Avanços

A criação da clínica foi algo pioneiro no Estado e deu uma nova direção no tratamento das pessoas com autismo na cidade.

A Prefeitura salientou que é possível observar a evolução dos pacientes, com objetivos terapêuticos atingidos com sucesso.

Tais evoluções podem ser observadas por dados quantitativos das intervenções realizadas, além, de principalmente, o feedback positivo de pais e cuidadores, em avanços referentes a manejos comportamentais, ampliação de repertório escolar, autonomia e independência.

Cuidados

Como já citado na reportagem, existe uma série de áreas que tem papel fundamental no apoio para as pessoas que tem autismo, uma delas é a nutrição.

A nutricionista e psicoterapeuta Mariana Tornincasa explica que existem estudos que estão mostrando uma melhora nos sintomas e na função cognitiva, quando é tirado o glúten das pessoas com TEA.

“As pessoas que tem autismo precisam ter uma alimentação mais leve, mais voltada para a parte cerebral. Além disso, precisamos favorecer a função intestinal dessas pessoas, pois é a absorção de nutrientes pelo intestino que vai melhorar essa situação”, explicou Mariana.

 

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