Sobre decreto

Igrejas católicas da região permanecerão fechadas, informa Diocese

A despeito do decreto presidencial, o bispo diocesano de Santos, Dom Tarcisio Scaramussa, manteve a decisão de manter fechadas as igrejas católicas da região.

26 de março de 2020 - 12:54

Da Redação

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O presidente Jair Bolsonaro definiu outras atividades e serviços essenciais que devem funcionar durante a emergência de saúde pública decorrente do novo coronavírus, mesmo com a adoção de medidas de isolamento e de quarentena pelas autoridades.

Entre eles, estão as unidades lotéricas e as atividades religiosas de qualquer natureza.

No entanto, a Diocese de Santos informa que manterá todas as igrejas católicas da região fechadas.

 

Serviços essenciais

Decreto nº 10.292/2020 com a ampliação da lista foi publicado hoje (26) no Diário Oficial da União.

A primeira lista foi definida pelo Decreto nº 10.282/2020, na semana passada.

Pelo texto são serviços e atividades essenciais aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população.

Além de lotéricas e igrejas, o governo incluiu nessa categoria a fiscalização do trabalho, atividades de pesquisa relacionadas com a pandemia de covid-19 e as atividades jurídicas exercidas pelas advocacias públicas, relacionadas à prestação regular e tempestiva dos serviços públicos.

O Brasil já registrou 57 mortes e 2.433 casos da doença provocada pelo novo coronavírus.

Em publicação no Twitter, Bolsonaro destacou que, no Brasil, existem 12.956 casas lotéricas e 2.463 se encontram fechadas por decretos estaduais ou municipais.

“Para que possam funcionar em sua plenitude, atualizei, nessa data, o Decreto 10.282”, escreveu.

 

 

Bispo diocesano Dom Tarciso Scaramussa informou que as igrejas católicas da região permanecerão fechadas, a despeito do decreto presidencial. Foto: Divulgação

Circular

Em nota, o bispo Dom Tarcísio Scaramussa reafirma a posição da Diocese de Santos, divulgada há uma semana, conforme circular.

Confira na íntegra:

 

Aos sacerdotes, diáconos, agentes de pastoral e demais fieis da Diocese de Santos

“Há 5 dias enviei uma circular com orientações a respeito de como nossa Igreja deve se posicionar neste momento de grande risco de vida devido ao novo coronavírus.

Uma das orientações era justamente no sentido de seguir em tudo as determinações do Ministério da Saúde e autoridades dos municípios.

Pois bem, as autoridades dos Municípios da Baixada Santista determinaram nesta quinta-feira (19/03) novas medidas, entre as quais o fechamento das igrejas.

Trata-se de uma medida extrema, mas que julgam necessária, juntamente com as outras medidas tomadas, para conter o avanço da epidemia.

Da parte da Igreja, acatamos as decisões, dispostos a colaborar no sentido de preservar a vida de tantas pessoas.

Sendo assim, a partir desta sexta-feira (20/03), as igrejas fecharão suas portas. Como pastores, deveremos descobrir formas de assistir espiritualmente o nosso povo nesta situação dramática.

Este cuidado e assistência se torna ainda mais necessário porque é um momento de grande solidão e dificuldade, e sentir a presença, a força e a graça de Deus é a maior ajuda que necessitamos.

Nos próximos dias vamos estabelecer iniciativas para ir ao encontro desta necessidade, construindo formas de apoio, de orientação, de ajuda espiritual, de partilha com os irmãos e irmãs da comunidade.

Os padres celebrarão todos os dias a Eucaristia para o povo, uma vez que não a poderão fazer com a presença dos fiéis.

Se possível, esta celebração seja transmitida pela internet para que o povo possa acompanhar a missa de sua Paróquia, e interagir  também enviando intenções, notícias das famílias, ouvindo com atenção a Palavra de Deus, fazendo a comunhão espiritual.

Mas é recomendado também acompanhar as celebrações através dos meios de comunicação, em especial das TVs e Rádios católicas.

Confira o link com a lista de igrejas 

Ao mesmo tempo, procurem intensificar as orações pessoais e a leitura da Palavra de Deus.

Enquanto isto, estaremos também dialogando com as autoridades dos Municípios, para sugerir alternativas viáveis para proporcionar ao povo a necessária assistência espiritual.

Tudo isto me faz recordar uma passagem do Evangelho de São João, com estas palavras de Jesus, ditas na última ceia com seus discípulos:

“Eis que vem a hora, e ela já veio, em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho. Mas
não estou só, porque o Pai está comigo. Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 32-33).

Vamos intensificar as comunicações com novos comunicados e mensagens, e assim vamos viver este tempo de deserto e de tanta penitência, preparando-nos para a Páscoa do Senhor.

É hora de vivenciarmos o que nos propõe a Campanha da Fraternidade:

“Viu, sentiu compaixão, cuidou dele”. A hora exige tantos cuidados, vamos realizar tudo o que for necessário e que brotar do nosso coração compassivo.

Interceda por nós Nossa Senhora do Rosário, padroeira de nossa Diocese, e o Senhor conforte e abençoe a todos”

Dom Tarcísio Scaramussa

Bispo Diocesano de Santos