Inverno deste ano será mais intenso que o de 2017 | Boqnews
Inverno deste ano será mais intenso que o de 2017
Foto: Rom Santa Rosa
22 de junho de 2018

Inverno deste ano será mais intenso que o de 2017

Nesta quinta-feira (21), começou o inverno. Diferente do ano passado, cuja temperatura média foi de 20,4ºC, o frio em Santos e região neste ano tende a ser mais intenso, semelhante ao registrado em 2013, quando foram registradas as temperaturas mais baixas dos últimos anos.

As informações são do climatologista, Rodolfo Bonafim. Ele ressalta, porém, que este cenário baseia-se em previsões. O profissional explica que principalmente pessoas sensíveis ao frio terão a sensação de um inverno mais intenso.

A causa dessa diferença é justamente por conta da umidade. ‘’Nos últimos dias, as temperaturas não ficaram tão baixas quanto parecem. O mínimo alcançado foi 16,8º, mas a sensação térmica foi bem diferente por conta da alta taxa de umidade”, explicou Bonafim.

O climatologista considerou os recentes dias gelados como um “frio opressor”, pois o nível de umidade tem alcançado uma taxa muito além do normal, o que tem ocasionado certo desconforto para algumas pessoas.

O percentual ideal para o ser humano é de 70% e essa taxa se mantém durante o dia, mas nas madrugadas chegam a 95%. “Durante o inverno do ano passado, a quantidade de dias frios foi bem abaixo da média. E antes de ingressar na estação já passamos por dias intensos”, comparou o especialista.

Orla

Rodolfo Bonafim diz que na orla da praia a sensação térmica abaixa ainda mais. Ele falou que durante os dias mais frios, o vento proveniente do mar sopra e traz sensação térmica ainda mais baixa, influenciando os sentidos, pois o vento diminui a sensação térmica. “Em um dia que fez 18ºC na praia, ao somar com o vento de 35 km/h, a sensação chega a 11ºC”, relatou.

O meteorologista acredita que no início do inverno haverá uma quantidade considerável de dias com neblinas e um aumento na quantidade de ressacas. Em 2016, as ressacas ocasionarm o alagamento de ruas mesmo distante da praia, prejuízos a prédios localizados na orla e estragos nas muretas da Ponta da Praia, além do Deck do Pescador. Além de inundações em bairros da Zona Noroeste.

A previsão deste inverno é de mais dias nublados, mas as chuvas se manterão dentro da média. ‘’Junho já choveu bastante. Julho e agosto são os meses menos chuvosos na Baixada. Para a primeira semana do inverno, as temperaturas serão mais baixas e as noites seguirão mais frias, com queda de temperaturas.
“Acredito que a temperatura máxima irá variar entre os 24º a 27º. Para mínima, entre 16º a 18º”.

As previsões são feitas a partir de dados coletados, onde os computadores simuladores fazem uma soma e estipulam a climatização. De acordo com o modelo computacional, o tempo vai ficar equilibrado.

Ressaca

De acordo com o Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Unisanta, tanto em Santos, como em toda a costa Sul e Sudeste do País, ressacas acontecem durante todo o ano.

A frequência maior delas se concentra entre os meses de abril a setembro pelo fato de dessa época do ano ter maior frequência e intensidade de frentes frias. Por enquanto, não há qualquer alerta sobre possíveis ressacas. O NPH realiza as previsões com curto período, variando de 3 a 7 dias de antecedência dos eventos.

O núcleo explica que as ressacas sempre aconteceram e continuarão acontecendo. No entanto, há dois anos ela foi de maior intensidade. O que trouxe estragos significativos, especialmente a moradores da Ponta da Praia, bairro mais afetado.

Nas ruas

Com a entrada da estação mais fria do ano, os que mais sofrem nesse cenário são aqueles não possuem um teto. Ser um morador de rua é uma questão de sobrevivência contínua e não são apenas as dificuldades com alimentação ou de um espaço para dormir que eles sofrem. As madrugadas frias se tornam um problema constante para aqueles que pouco têm.

Joaquim (nome fictício) é morador de rua, que se abriga no toldo da fachada de um restaurante enquanto fechado no Embaré. Ele disse estar nessa condição há um mês e conta as dificuldades de estar na rua.

Suportar o frio nos últimos dias têm sido o maior problema. Ele tem se protegido apenas com a sua manta e a roupa do corpo. Joaquim conta ter sido beneficiado por campanhas de doação de agasalhos e que no período do almoço se dirige ao Centro Espírita Ismênia de Jesus em busca de alimentação para suportar o dia.

Ele explica que algumas pessoas se sensibilizam com a sua situação. A única queixa que ele tem é a respeito do proprietário do estabelecimento onde ele costuma passar as noites. ‘’É difícil, pois aqui é um lugar onde servem comida e nunca me ofereceram um alimento’’, reclamou.

Ele conta que resolveu enfrentar as ruas por problemas pessoais e familiares. Ele, um senhor com mais de 50 anos, morava junto com sua tia no Humaitá, em São Vicente. Ele abandonou o local onde residia por conta das agressões sofridas. Além disso, o alcoolismo e uso de substância ilícita contribuíram para esta reviravolta em sua vida. Joaquim acredita em possíveis mudanças, mas sabe que isso não ocorrerá tão rapidamente. “Vivo um dia de cada vez”.

Abrigo de temporada

Esse ano, a Prefeitura de Santos abriu o quinto abrigo para moradores de rua. O último foi inaugurado na sexta-feira (15), à Rua General Câmara, 245/249, no Centro. Atualmente, dois grupos trabalham no período da manhã, o mesmo número à tarde e um durante a noite. Eles abordam pessoas em situação de rua, como Joaquim, e as encaminham para a rede socioassistencial do Município.

Joaquim mencionou ainda não ter tido a oportunidade de se encontrar com os grupos que realizam abordagem. Ao total, somando as cinco unidades, são 242 vagas disponibilizadas para os moradores de rua. Na unidade recém-aberta são 40 vagas. Os acolhidos também recebem um kit de higiene, banho, vestuário e jantar.

Da Redação
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