Dia das Mães

Mães relatam como é a aproximação com os filhos durante quarentena

Em um período repleto de incertezas, mães relatam experiências curiosas vivenciadas durante pandemia

10 de maio de 2020 - 11:25

Felipe Rey

Compartilhe

Devido a pandemia do novo coronavírus, a quarentena imposta trouxe novas experiências aos habitantes. Muitos, afinal, não possuíam qualquer familiaridade com trabalhos home office ou estudos a distância.

No entanto, a convivência tende a ser o maior desafio para muitas famílias. Separados por causa de horários distintos, inúmeras pessoas precisaram se adequar ao ambiente com muita gente ao mesmo tempo.

Esse é o caso da atriz e bancária Fabiana Carrilho, mãe de quatros filhos: Marcos Junior Carrilho, 22 anos, Eduardo Carrilho, 20 anos, Fernando Carrilho, 17 anos e Luíza Carrilho, 12 anos.

Por sempre trabalhar fora de casa, a maior convivência era durante o período de licença-maternidade, porém, a relação, na visão dela, é diferente quando é um recém-nascido.

“Primeira vez que estamos juntos num ritmo desacelerado. O motivo é muito triste, mas o resultado aqui em casa tem sido formidável”, afirma.

Estando em um ritmo mais tranquilo de convivência, ela pontua que as conversas não precisam mais ser corridas quanto antes, o que transforma a vivência mais harmoniosa.

Outro fator fundamental para o ambiente é o tamanho do apartamento onde vivem, que se transforma em facilitador quando alguém quer ficar mais isolado.

Porém, ela brinca que pelo estilo de vida mais caseiro que a família carrega, as mudanças de hábitos por razões da pandemia não influenciaram tanto na casa.

“Antes da quarentena, achei que conflitos mal resolvidos poderiam surgir no decorrer dos dias pela intensa convivência que surgiu. Mas até agora nada”, salienta.

A mudança no estilo de vida pós pandemia também terá mudanças e também impactará no modo de tratamento dos seres humanos.

A bancária, contudo, afirma que pretende tirar aprendizados importantes neste período, principalmente por estar mais presente na vida dos filhos. Na visão dela, infelizmente, quando as rotinas voltarem, será difícil manter o ritmo.

“A minha maior tristeza é perceber que só numa calamidade desse nível meus filhos puderam conhecer essa mãe menos sobrecarregada”, ressalta.

 

Fabiana e filhos aproveitam para passar mais tempo juntos durante quarentena. Foto: Acervo pessoal

Proximidade

Assim, como Fabiana, a professora Camila Baraldi também relata uma maior aproximação com a filha Naoe Baraldi, de 10 anos.

Os tempos difíceis da pandemia serviram exclusivamente para para maior conexão entre mãe e filha, principalmente em um período de mudanças de Naoe, contou a professora.

“Em dias normais, minha rotina de trabalho não permite estar presente com essa qualidade de convivência. São poucos minutos entre os períodos de aula”.

Os sacrifícios feitos para tentar passar mais tempo com a filha nem sempre são suficientes, devido à necessidade econômica.

Mas nada que a impeça, porém, de criar e educar a filha como deve, mesmo não estando o tempo todo próximo a ela.

Neste momento, entra em cena a criatividade dentro de casa. Evitando cair numa rotina, a tecnologia aliada à vivência física se tornou fundamental, ressalta Camila.

Mas adverte que não pode se descuidar muito, pois “os jogos, vídeos, e a internet são muito atrativos e se bobear, a criança passa o dia todo pendurada no celular”.

Não apenas jogos e vídeos são formas de sair da rotina e se conectar ainda mais com a filha.

A busca pelo novo atrai a professora, que procura novas táticas de contato, principalmente no período de isolamento.

A cozinha se tornou uma grande aliada na aproximação de ambas.

“Tenho aproveitado o tempo para pequenas reformas, novas receitas, aprender técnicas e, durante essas atividades conversamos muito sobre tudo, principalmente sobre a importância de estar em sintonia com o mundo e ter empatia”.

Ela disserta que se depender dela, ambas estarão cada mais conectadas e com muita saúde e discernimento para o restante da vida.

 

Camila opta em se aproximar com a filha utilizando tarefas domésticas. Foto: Acervo pessoal

Momento das atividades

Os desafios de se viver a quarentena variam e para a família Assunção não é diferente.

A jornalista e professora universitária Nara Assunção é mãe da pequena Luna, de 5 anos, e os desafios durante este período, segundo ela, são reais.

Devido a imposição da quarentena, reinventar-se é o grande diferencial durante o período.

Nara conta que por mais nova que a filha seja, ela está antenada a tudo o que vêm acontecendo com pandemia.

“A gente explica tudo o que está ocorrendo para ela não ficar numa bolha sem saber nada”, afirma.

Mesmo nesse período conturbado, um aliado importante dentro de casa, segundo ela, é a mescla de atividades, que incluem jogos, educação e cuidados. Porém, sem esquecer do período que necessita fazer o home office.

No entanto, a jornalista ressalta que não fora um grande problema se adaptar ao período que passa, pois o comparou com os antigos finais de semanas, onde ficavam mais próximos da filha.

“A convivência social que tínhamos, procuramos fazer de outra forma. Por exemplo, nas contações de história que íamos, agora estamos vendo por lives. Também fazemos peças teatrais em casa mesmo ou até mesmo dançamos”, exemplifica.

Essas atividades, segundo Nara, são fundamentais para que não caiam numa rotina do dia-a-dia.

Além disso, espera que após esse período, todos saiam modificados.

Nara, por sua vez, utiliza meios culturais como dança e teatro, para manter aproximação com a filha Luna. Foto: Acervo pessoal

 

Dificuldades

Lágrimas e cansaço. Diferente de outras mães que estão conseguindo se adaptar ao momento, a também professora e jornalista Paula Denari retrata as dificuldades atuais.

Para ela, se não estivesse trabalhando tanto, a convivência com a pequena Elis, de apenas 2 anos, seria mais prazerosa.

A brusca mudança de rotina também interferiu na criatividade de criação de novos métodos de ensino, aponta.

“As atividades da escola estão demandando muito do meu tempo, pois estou fazendo algo que eu nunca fiz, que é o ensino remoto”, complementa.

Uma outra dificuldade encontrada por Paula, segundo ela, é a rotina que perdura dentro de casa.

A mãe relata que por estar passando por um período difícil atualmente, ela acredita que a família tenha se acostumado com a situação atual, porém, ressalta a complicação pelo momento vivido.

Algumas vezes, após mais um dia cansativo de trabalho, Paula relata que chegou a chorar em certos momentos.

Porém, acreditando que as novas vivências serão diferentes ao final de pandemia.

 

Paula ainda tenta conciliar meios de dividir as atenções do trabalho com a filha de apenas dois anos. Foto: Acervo pessoal

LEIA TAMBÉM: