Mantendo a praia limpa
A chegada do verão é sempre acompanhada pelo aumento de turistas e frequência nas praias. Passar um dia à beira mar ou um final de semana aproveitando as altas temperaturas torna-se o principal lazer. É durante a alta temporada que o desafio de manter as praias limpas também cresce.
Com o objetivo de reparar o descarte indevido de alimentos e objetos na areia algumas operações de limpeza são elaboradas até o mês de fevereiro. A Terracom, responsável pela limpeza na Cidade, aumenta a equipe responsável pelo trabalho nas areias e orla. A escala, que se inicia às 4 da manhã segue até 23 horas. “Para as areias contamos com dois tratores que removem todo o resíduo grosso e também com um aparelho chamado beach clean, que movimenta os primeiros centímetros da camada da areia”, explica o gerente ambiental da Terracom, Marcelo Pousada.
Segundo ele, a remoção dessa camada faz com que a proliferação de bactérias, como a micose por exemplo, diminua. “Essas bactérias se proliferam na primeira camada de areia, já que é mais úmida. Por isso removemos essa umidade”, acrescenta.
A areia da beira do mar recebe o trabalho de um trator durante todo o dia, que remove os resíduos trazidos pela correnteza. “São substâncias e objetos que vem com a movimentação da corrente”, comenta.
O problema do Lixo
Apesar das campanhas conscientizando a população sobre o lixo na praia, o descarte indevido de materiais não diminui. No ano novo, por exemplo, o volume médio de garrafas recolhidas pelo serviço de limpeza é de mais de 4 toneladas. “As pessoas ainda jogam restos de alimentos e embalagens na areia e restos de brinquedos quebrados, como baldes. Os mais comuns são palitos, guardanapos e lacre de latas”, afirma o engenheiro.
Além das lixeiras disponibilizadas pelos ambulantes que vendem bebidas e alimentos na praia, as lixeiras azuis, espalhadas por toda a extensão de areia, também conta com sacos extras. “As pessoas podem pegar essas sacolas para facilitar o descarte do lixo caso passem boa parte do dia na praia. ”, afirma.
Já a contaminação do mar, segundo Pousada, não tem influência da população que utiliza a praia, pois estes não costumam jogar resíduos diretamente na água. “O lixo que se acumula na areia, onde chega a maré, é decorrente de uma série de fatores. Além da ressaca, a questão do estuário e das favelas colaboram, pois as pessoas descartam material indevidamente. Quando a maré enche, esse material vem tudo para a praia”, explica. “Como a situação geográfica de Santos é de uma baia, o lixo não sai, e fica rodando aqui”, finaliza.
Nossa praia
Para colaborar com a limpeza da praia, 25 monitores da prefeitura distribuem, durante todo ano, sacos de papel reciclável para o descarte de resíduos sólidos. A ação faz parte do projeto Nossa Praia, que visa sensibilizar os banhistas para a limpeza e melhores condições da praia. Os monitores circulam durante o dia na faixa de areia, distribuindo os sacos de papel e orientando os banhistas a recolher o lixo e levá-lo até a lixeira mais próxima. “Além de comprometerem o visual na praia, os resíduos interferem na microfauna que vive nas areias e, principalmente, na fauna marinha pois, conforme a mudança das marés, esses resíduos são levados para o mar, como o plástico, confundido pelos peixes como alimentos”, finaliza a chefe da seção de programas ambientais da prefeitura, Débora Mandaji.
Desde 2008, a prefeitura também conta com duas embarcações tipo catamarã, para a coleta do lixo flutuantes entre o estuário e a costa litorânea da Baía de Santos.
Os barcos percorrem o estuário a partir dos atracadouros de travessia para Guarujá até o Emissário Submarino. O trabalho faz parte do programa Onda Limpa e é executado de terça a domingo, das 9 às 14 horas. Em 23 meses de operação as embarcações já recolherem 115 toneladas de resíduos sólidos flutuantes.