Dia da Mulher

Mulheres de luta e muita coragem

No decorrer da pandemia, mulheres se destacaram em suas respectivas atividades profissionais

08 de março de 2021 - 10:18

João Pedro Bezerra

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Nesta segunda-feira (8) é comemorado o Dia Internacional das Mulheres que neste ano será celebrado de uma forma diferente diante da pandemia do Covid-19. Mulheres têm sido verdadeiras heroínas nas suas profissões para salvar vidas, cuidar da parte mental das pessoas, levar informação e educar as crianças deste país.

Certamente, a área mais desafiadora ao longo deste período tão difícil foi a linha de frente da saúde, onde profissionais arriscam suas vidas para tratar os pacientes com o coronavírus. É o caso da coordenadora de enfermagem de UTI’s da Santa Casa de Santos, Eliane Nascimento, 41 anos.

Eliane Nascimento – (coordenadora de enfermagem), 41 anos

Segundo a profissional, um dos momentos mais difíceis da pandemia foi justamente no começo, quando existiam poucas informações sobre o vírus. Por conta disso, foi necessário fazer um longo estudo sobre a doença, pegando exemplos de outros países que já tinham casos da Covid-19.
Eliane Nascimento teve como responsabilidade liderar a equipe de combate ao coronavírus em um dos principais hospitais do Brasil. A missão se tornou ainda mais desafiadora, pois Santos tem um grande índice de idosos (22% da população), justamente o grupo de maior risco. “Exercendo um cargo de liderança, precisei estruturar a Primeira Unidade de Terapia Intensiva Covid do hospital e escolher a equipe de enfermagem que iria compor a linha frente. Sentimos a necessidade e assim foram realizados treinamentos constantes com todos os profissionais”, destacou Eliane.

A coordenadora e sua equipe ajudaram a salvar centenas de vidas. Ela ressaltou a felicidade de ver os pacientes recuperados voltando para a família. Logicamente, este período foi desgastante para Eliane que precisou evitar o contato com as duas filhas e teve cuidado nas medidas de higienização e prevenção. Com a vacinação em massa, a esperança é de ver, enfim, a pandemia acabar, porém o trabalho de salvar vidas não para. Eliane ressaltou a importância das mulheres guerreiras neste cenário atual.

Outra profissional da saúde que está trabalhando na linha de frente da Santa Casa é a enfermeira Glícia Louise de Melo, que atua no hospital desde 2015. Ela ressaltou que as equipes médica e de enfermagem fazem o possível para salvar os pacientes, colocando todo o conhecimento em prática. “Trabalhar na área da saúde e atuar na linha de frente, sem dúvida, é uma tarefa árdua que traz uma evolução como pessoa e profissional sem igual. Participamos de dois extremos, a morte e a salvação. Durante este período presenciamos verdadeiros milagres”, citou.

A enfermeira, que teve também como desafio a questão familiar, já que a mãe faz parte do grupo de risco, foi a primeira profissional da saúde da Santa Casa a receber a vacina contra a Covid-19 e destacou a emoção e a esperança. Além disso, Glícia citou que sempre teve mulheres batalhadoras como exemplos.

Glícia Nunes – (enfermeira), 29 anos

Psicóloga

Em tempos de pandemia cuidar da saúde mental e ter alguém para conversar é fundamental. Assim surge a importância das psicólogas neste contexto. Afinal, quem não se abalou com os reflexos da pandemia, como o isolamento social. Tassiane Santos sempre gostou de lidar com pessoas. Aos 15 anos, ela iniciou um emprego de aprendiz numa empresa de logística na parte de recursos humanos, área onde fez sua graduação. Porém, Tasiane voltou à universidade, para realizar o sonho de ser psicóloga.

A profissional ressalta que durante a pandemia, a procura por consultas aumentou consideravelmente e enfatizou como está sendo o trabalho “O paciente não está no consultório com um amigo. Ele sabe que está com um profissional que influenciará na sua decisão, mesmo que a influência seja apenas acolher e ouvir. Precisamos a todo tempo nos manter firmes, mesmo quando o problema daquele paciente é o mesmo que passamos em casa, como, por exemplo, o luto pela Covid”, enfatizou a psicóloga.
Sabendo das dificuldades da sociedade, Tassiane abriu horários para o atendimento social e assim permitiu que pessoas de baixa renda tenham acesso à terapia. Além disso, ela diz que ajudar as pessoas é uma sensação de gratidão e que as mulheres têm mostrado seu potencial e capacidade nos mais diferentes segmentos.

Tassiane Santos – (psicóloga), 31 anos

Jornalista

Todos os dias, jornalistas se arriscam em meio à pandemia para levar a melhor informação à população, principalmente as profissionais que atuam no meio televiso. A repórter da Santa Cecília TV, Patrícia Nunes, escolheu ser jornalista para ajudar as pessoas sendo uma porta-voz da comunidade. Com a pandemia, Patrícia passou a trabalhar ainda mais. Apesar da insegurança com o vírus, ela não titubeou e com garra, luta e responsabilidade tem noticiado o atual cenário da doença, principalmente na Baixada Santista.

Um dos grandes desafios para a repórter é a entrada ao vivo no telejornal “Eu preciso saber lidar com o tempo, pois segundos são preciosos na televisão. Outra questão é ser objetiva para passar a informação de forma que o telespectador consiga compreender e, é claro, as adversidades que podem ocorrer como a chuva e alguém atrapalhar a reportagem, xingando a equipe, principalmente neste momento de pandemia, onde algumas pessoas não acreditam na imprensa”.

Patrícia ainda ressalta como é difícil falar quando uma pessoa morre por Covid-19 “Quando saio do trabalho, ainda fico pensando no ocorrido”. Por outro lado, ela destacou a felicidade de dar boas notícias, como a vacinação e as pessoas recuperadas, citando o caso de uma mulher diabética e está voltando a andar, após ser internada por conta da Covid-19.

Patrícia Nunes – (jornalista), 40 anos

Educação

A educação foi diretamente impactada na pandemia. Por essas circunstâncias, o trabalho das profissionais na área da Educação tiveram um papel ainda mais relevante.

A professora de Ciências, Melissa Moreira afirma que este período de ensino online foi um grande desafio. “Precisei aprender como usar as plataformas digitais, adaptei toda minha casa. Apesar do momento ser crítico, as aulas foram bem produtivas. O mais legal é que todos se ajudaram”.

Com dois filhos em casa, o grande desafio foi manter o silêncio. Mas com a ajuda do marido, conseguiu cumprir seu objetivo. Não bastasse, Melissa conversa e tira dúvidas dos estudantes em grupos do Whatsapp. Por fim, ela ressalta o papel da mulher na vida e na educação.

Melissa Moreira – (professora), 38 anos

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